domingo, 2 de abril de 2023

Etarismo

 

Etarismo

(“Etarism” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Há não muito tempo, um casal de amigos nos convidou, eu e minha espora, de ir a um jantar promocional num restaurante bastante conhecido, mas havia necessidade de uma reserva. Tentei minha reserva por várias vezes, mas sem sucesso. O mesmo casal, ao tentar fazer minha reserva, foi informado que a promoção só valia para pessoa até 65 anos – como temos mais de 80, ficou explicada a reserva inconclusa.

Mais recentemente, na programação de uma viagem internacional, colhi várias ofertas de seguro de viagem, entre as quais, para minha surpresa, uma aceita apenas operações com pessoas abaixo de 85 anos.

 

São duas experiências pessoais e cuja repercussão não extrapolou essa esfera. Houve, porém, recentemente um episódio lamentável, e de ampla divulgação, em que colegas de um curso superior hostilizaram abertamente uma colega de turma em função de sua idade acima de 40 anos.  

 

Quem somos nós, idosos? E quem já éramos? Em culturas antigas, até em civilizações primitivas ainda hoje existentes, o conselho dos idosos era uma instituição indispensável na condução de uma sociedade. Com o correr do tempo e a expansão do conhecimento – em geral melhor dominado pelas gerações mais novas e mais recém instruídas – a sabedoria do idoso passou a ser desprestigiada em favor da cognição de fatos, conceitos e pensamentos mais modernos. Hoje é comum se ver pessoas com idade acima de 50 anos encontrar dificuldades na procura de um emprego, e esses obstáculos crescem rapidamente com o avanço da idade.

 

A era digital agravou ainda mais essa realidade. A rapidez dos progressos tecnológicos exige flexibilidade e dinamismo mentais que se tornam cada vez mais incompatíveis com as posturas conservadores que a pessoa desenvolve naturalmente com o aumento da idade. Nisso sucumbe a verdade de que uma palavra de sabedoria de um velho pode ser muito mais útil do que mil cliques num computador.

 

Tem se a impressão de que o idoso, e mesmo o pré-idoso, está sendo desembarcado da nau que avança rapidamente em direção ao futuro, erroneamente, ele é visto com fardo a ser carregado em vez de lastro que mantem o barco em equilíbrio. E é um futuro que conseguimos vislumbrar, mas, que ninguém consegue definir. Daí um pé no freio pelo velho, no mínimo dá tempo para refletir.

 

Não posso deixar de relatar uma experiência pessoal de não-etarismo, embora ocorrido há mais de duas décadas. Matriculei-me novamente, aos 60 anos de idade, num curso superior. Naquela ocasião, em nenhum momento, sofri qualquer tipo de discriminação. Muito pelo contrário, minha experiência de vida e profissional foi reconhecida e valorizada não apenas pelas minhas colegas de curso – todas mocinha nos seus 20 anos de vida –, como também pelo próprio corpo docente. Aproveito o momento para agradecer muito. Exceção? Na época não. Hoje? Não sei – lamentavelmente.

 

O que me assusta, é a velocidade com que mudam e são substituídos os valores – e as pessoas.