Etarismo
(“Etarism”
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comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Há não muito tempo, um casal de amigos nos convidou, eu e minha espora, de ir a um jantar promocional num restaurante bastante conhecido, mas havia necessidade de uma reserva. Tentei minha reserva por várias vezes, mas sem sucesso. O mesmo casal, ao tentar fazer minha reserva, foi informado que a promoção só valia para pessoa até 65 anos – como temos mais de 80, ficou explicada a reserva inconclusa.
Mais
recentemente, na programação de uma viagem internacional, colhi várias ofertas
de seguro de viagem, entre as quais, para minha surpresa, uma aceita apenas
operações com pessoas abaixo de 85 anos.
São
duas experiências pessoais e cuja repercussão não extrapolou essa esfera. Houve,
porém, recentemente um episódio lamentável, e de ampla divulgação, em que
colegas de um curso superior hostilizaram abertamente uma colega de turma em
função de sua idade acima de 40 anos.
Quem
somos nós, idosos? E quem já éramos? Em culturas antigas, até em civilizações
primitivas ainda hoje existentes, o conselho dos idosos era uma instituição
indispensável na condução de uma sociedade. Com o correr do tempo e a expansão
do conhecimento – em geral melhor dominado pelas gerações mais novas e mais
recém instruídas – a sabedoria do idoso passou a ser desprestigiada em favor da
cognição de fatos, conceitos e pensamentos mais modernos. Hoje é comum se ver pessoas
com idade acima de 50 anos encontrar dificuldades na procura de um emprego, e
esses obstáculos crescem rapidamente com o avanço da idade.
A
era digital agravou ainda mais essa realidade. A rapidez dos progressos
tecnológicos exige flexibilidade e dinamismo mentais que se tornam cada vez
mais incompatíveis com as posturas conservadores que a pessoa desenvolve
naturalmente com o aumento da idade. Nisso sucumbe a verdade de que uma palavra
de sabedoria de um velho pode ser muito mais útil do que mil cliques num
computador.
Tem
se a impressão de que o idoso, e mesmo o pré-idoso, está sendo desembarcado da
nau que avança rapidamente em direção ao futuro, erroneamente, ele é visto com
fardo a ser carregado em vez de lastro que mantem o barco em equilíbrio. E é um
futuro que conseguimos vislumbrar, mas, que ninguém consegue definir. Daí um pé
no freio pelo velho, no mínimo dá tempo para refletir.
Não
posso deixar de relatar uma experiência pessoal de não-etarismo, embora
ocorrido há mais de duas décadas. Matriculei-me novamente, aos 60 anos de
idade, num curso superior. Naquela ocasião, em nenhum momento, sofri qualquer
tipo de discriminação. Muito pelo contrário, minha experiência de vida e
profissional foi reconhecida e valorizada não apenas pelas minhas colegas de
curso – todas mocinha nos seus 20 anos de vida –, como também pelo próprio
corpo docente. Aproveito o momento para agradecer muito. Exceção? Na época não.
Hoje? Não sei – lamentavelmente.
O
que me assusta, é a velocidade com que mudam e são substituídos os valores – e
as pessoas.