O Mar
(“The
Sea” - This text is written
in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Cerca dois terços do nosso planeta são
cobertos pelos diversos oceanos, e isso, há milhões de anos – entretanto, com
oscilações para mais e menos, frequentemente com mudanças geográficas, cobrindo
ou expondo partes terrestres. Em outras -palavras, o nível do mar não é uma
constante. Uma das causas, embora muito lenta, é a movimentação das placas
tectônicas, a outra, mudanças climáticas, mormente térmicas. E não somente pelo
acúmulo ou diminuição de gelo nas regiões polares norte e sul, mas também a
expansão ou o encolhimento da massa aquática com variações de temperatura. Em
escala ainda desconhecida, centenas, talvez milhares e vulcões no fundo do
Oceano Pacifico, quando irrompem, funcionam como uma aquecedor de imersão numa
chaleira; não há, até aqui, meios de dimensionar os efeitos.
Dessa maneira, ao longo dos milênios, ocorrem
lentas, mas constantes alterações do nível dos oceanos. Na última era glacial
com ápice há cerca de vinte mil anos atrás, a quantidade de gelo nas calotas
polares e geleiras estima-se em aproximadamente 52 milhões de km3,
ou seja, as camadas de gelo eram, em média, por volta de 65 m mais espessas,
Como consequência, o nível médio do mar foi de aproximada mente 120 a 130 mais
baixo do atual. Daí, explica-se que, por exemplo, boa parte da Indonésia, hoje
um grande arquipélago, constituía uma única extensão de terra. A título de
comparação, hoje a Terra possui cerca de 24 a 29 milhões de km3.
Em momento mais recente, isso é, há cerca de 10
mil anos atrás, sabe-se que o nível médio dos oceanos era cerca de 40 m mais
baixo que hoje. Naquela época, aproximadamente a maior parte do Mar do Norte
entre Inglaterra e Noruega era terra firme, o Canal da Mancha praticamente não
existia, nem, por exemplo, o Mar Morto (Moises não precisou abrir caminho no meio
das águas). Não havia Estreito de Bering, nem Baia do Prata, nem Baia de
Guanabara.
Isso permite deduções e projeções. A dedução
central é simples e clara. Se o nível do aumento 40 m em 10 mil anos, isso
significa uma média de 4 metros em mil anos, 40 cm em 100 an0s, e 0,4 com por
ano. Entretanto, o degelo começou lentamente, a taxas mínimas inicialmente,
aumentando lentamente em intensidade. Hoje, essa intensidade é bem outra quando
observamos que a subida nos níveis do mar entre 1991 e 2025 (34 anos) foi de 23
cm, ou seja, 0,67 cm por ano, ou, então, 1 cm a cada 18 meses.
Parece pouco, porém, por exemplo, cada cm de
aumento significa uma perda média de 5 m de praia, em lugares menos, em outros,
mais. Especialmente grandes marés terão efeitos mais graves. Isso explica o
desaparecimento de algumas ilhas da Polinésia. Mesmo assim, pode parecer de pouca
importância, todavia, torna-se preocupante quando fazemos algumas projeções. Mundo
afora, inúmeras cidades, inclusive metrópoles, estão situadas junto ao mar.
Exemplos são Nova Iorque, Shangai e Mumbai (mas existem outras como Sidney, Rio
de Janeiro ou Istambul).
Em Xangai, uma elevação de maré alta de 2 a 3 m
de maré alta, causaria inundações frequente em sua parte central mais baixe. Nova
Iorque projeta uma subida de 75 cm até 2050, com o que Manhattan passaria a
sofrer inundações frequentes., no entanto, a cidade está tomando medidas
protetivas. Ficando nas três cidades citadas, bairros inteiros e regiões
históricas de Mumbai seriam afetados severamente com elevações de 1 a 2 m do
mar.
O mar sempre foi, e continua sendo
imprevisível. No entanto, o acompanhamento da história de seu comportamento,
acompanhado de outros fenômenos climáticos de interação, permite concluir que a
curto ou médio prazo não poderemos contar com uma reversão da atual evolução.
Até onde essa evolução é consequência de atos humanos é assunto de estudo a
parte, porém, não podemos descartar totalmente um possível agravamento além da
evolução natural decorrente dessa espécie mais predatória existente sobre a
Terra. Em projeções futuras caberia focar esse assunto.
Os dados existem. Precisa de coragem para encará-los.