domingo, 21 de junho de 2026

IA - Uma Revolução Civi8lizatória

 

IA – Uma Revolução Civilizatória

(“AI – A Civilizational Revolution" – This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

(Também acessível no blog: kl-rehfeldt.blogsop.com)

 

A humanidade já experimentou várias revoluções civilizatórias: o domínio de fogo, o plantio sistemático, o surgimento da visão monoteísta, e a revolução industrial. A criatividade e a busca por significados do homem têm um passado de centenas de milhares de anos – do machado de mão de pedra ao universo digital, dos hieroglifos ao promter. Os resultados foram invenções que levaram a humanidade ao estágio científico e civilizatório de hoje. No entanto, nem tudo foi benefício puro, inúmeras descobertas e invenções incorporaram ‘efeitos colaterais’ – por exemplo, a pretensão pacífica ao uso bélico TNT. Esses conflitos acompanham todo nosso passado até a atualidade com consequências cada vez menos previsíveis.

 

Em toda esta evolução acabamos de chegar à informática. E a ambiguidade não poderia faltar na última conquista tecnológica – a inteligência artificial, ou IA. Sem poder avaliar ou dimensionar desdobramentos e limites. Os benefícios desse primeiro momento da IA são inegáveis.

 

Desde o início visualizaram-se enormes promessas e imensuráveis vantagens. De fato, mesmo dentro do curto espaço de tempo da industrialização no processo civilizatório, a evolução da inteligência artificial é surpreendentemente rápida. Em prazo exíguo, desde a criação de ilusões na mídia social à total reformulação de processos produtivos inteiros tornaram-se factíveis. Seja na saúde, nos sistemas inteligentes da educação, seja no aumento de produtividade, ou na resolução de problemas complexos, a IA conquista cada vez mais espaços. A inteligência artificial está rápida e definitivamente penetrando nas áreas industrial, transporte, comércio e prestação se serviços.

 

Mas, nada criado pelo homem é perfeito. Ao lado de imensuráveis vantagens e benefícios, presentes e futuros, existem aspectos negativos. Alguns efeitos nocivos eram previsíveis desde o início, outros evidenciaram-se ao passo que a IA vinha ganhando corpo.

 

Se, por um lado, as consequências são concretas, como uma enorme demanda energética, outros, são imensuráveis, como os reflexos sobre sobre o comportamento humano.

 

Além do domínio maior ou menor de know-how, a IA tem um custo expressivo e quem puder manter esse custo mais baixo será favorecido na competitividade. Fora desse foco econômico e tecnológico, torna-se cada vez mais essencial abordar o ser humano nesse contexto.

 

Evidentemente, a IA substitui, e com vantagem em diferentes escalas, certas capacidades cerebrais humanas, por mais ou menos privilegiadas sejam. E isso terá consequências, diretas e indiretas. No entanto, embora os danos da IA para as gerações futuras não sejam fatais, riscos estão sendo plantados desde já. Inegavelmente estamos entrando numa nova realidade de terceirização cerebral. Isso deixa concluir uma delegação de nossas capacidades, por exemplo, redacionais, seletivas e conclusivas, à IA. Nessa área, não podemos deixar de considerar um possível – ou provável – impacto sobre a saúde mental quando observamos os cada vez fortes relacionamentos sintéticos e estéreis.

 

Por outro lado, a fonte de recursos de IA é o conhecimento acumulado pela humanidade desde quando ele foi registrado a milhares de anos atrás – sem filtros entre o bem e o mal. Daí, a construção de algoritmos que, quando não percebidos criticamente, podem determinar o futuro de pessoas e sociedades.

 

Sem dúvida, a eliminação de empregos é uma das decorrências mais obvias. Todavia, a evolução demográfica tendendo para, ou já acusando um crescimento demográfico, poderá neutralizar essa ameaça.

 

Em resumo, o maior dano a esperar seria a criação de gerações que não sabem desenvolver pensamento sem muletas e que se frustra com a imperfeição natural humana. Será preciso cuidar para não percamos o que há de mais humano em nós.


Com certeza, a humanidade está ganhando, mas precisa cuidar com o que possa perder.

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Mar

 

O Mar

(“The Sea” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 Cerca dois terços do nosso planeta são cobertos pelos diversos oceanos, e isso, há milhões de anos – entretanto, com oscilações para mais e menos, frequentemente com mudanças geográficas, cobrindo ou expondo partes terrestres. Em outras -palavras, o nível do mar não é uma constante. Uma das causas, embora muito lenta, é a movimentação das placas tectônicas, a outra, mudanças climáticas, mormente térmicas. E não somente pelo acúmulo ou diminuição de gelo nas regiões polares norte e sul, mas também a expansão ou o encolhimento da massa aquática com variações de temperatura. Em escala ainda desconhecida, centenas, talvez milhares e vulcões no fundo do Oceano Pacifico, quando irrompem, funcionam como uma aquecedor de imersão numa chaleira; não há, até aqui, meios de dimensionar os efeitos.

 

Dessa maneira, ao longo dos milênios, ocorrem lentas, mas constantes alterações do nível dos oceanos. Na última era glacial com ápice há cerca de vinte mil anos atrás, a quantidade de gelo nas calotas polares e geleiras estima-se em aproximadamente 52 milhões de km3, ou seja, as camadas de gelo eram, em média, por volta de 65 m mais espessas, Como consequência, o nível médio do mar foi de aproximada mente 120 a 130 mais baixo do atual. Daí, explica-se que, por exemplo, boa parte da Indonésia, hoje um grande arquipélago, constituía uma única extensão de terra. A título de comparação, hoje a Terra possui cerca de 24 a 29 milhões de km3.  

 

Em momento mais recente, isso é, há cerca de 10 mil anos atrás, sabe-se que o nível médio dos oceanos era cerca de 40 m mais baixo que hoje. Naquela época, aproximadamente a maior parte do Mar do Norte entre Inglaterra e Noruega era terra firme, o Canal da Mancha praticamente não existia, nem, por exemplo, o Mar Vermelho (Moises não precisou abrir caminho no meio das águas). Não havia Estreito de Bering, nem Baia do Prata, nem Baia de Guanabara.

 

Isso permite deduções e projeções. A dedução central é simples e clara. Se o nível do aumento 40 m em 10 mil anos, isso significa uma média de 4 metros em mil anos, 40 cm em 100 an0s, e 0,4 com por ano. Entretanto, o degelo começou lentamente, a taxas mínimas inicialmente, aumentando lentamente em intensidade. Hoje, essa intensidade é bem outra quando observamos que a subida nos níveis do mar entre 1991 e 2025 (34 anos) foi de 23 cm, ou seja, 0,67 cm por ano, ou, então, 1 cm a cada 18 meses.

 

Parece pouco, porém, por exemplo, cada cm de aumento significa uma perda média de 5 m de praia, em lugares menos, em outros, mais. Especialmente grandes marés terão efeitos mais graves. Isso explica o desaparecimento de algumas ilhas da Polinésia.  Mesmo assim, pode parecer de pouca importância, todavia, torna-se preocupante quando fazemos algumas projeções. Mundo afora, inúmeras cidades, inclusive metrópoles, estão situadas junto ao mar. Exemplos são Nova Iorque, Shangai e Mumbai (mas existem outras como Sidney, Rio de Janeiro ou Istambul).

 

Em Xangai, uma elevação de maré alta de 2 a 3 m de maré alta, causaria inundações frequente em sua parte central mais baixe. Nova Iorque projeta uma subida de 75 cm até 2050, com o que Manhattan passaria a sofrer inundações frequentes., no entanto, a cidade está tomando medidas protetivas. Ficando nas três cidades citadas, bairros inteiros e regiões históricas de Mumbai seriam afetados severamente com elevações de 1 a 2 m do mar.

 

O mar sempre foi, e continua sendo imprevisível. No entanto, o acompanhamento da história de seu comportamento, acompanhado de outros fenômenos climáticos de interação, permite concluir que a curto ou médio prazo não poderemos contar com uma reversão da atual evolução. Até onde essa evolução é consequência de atos humanos é assunto de estudo a parte, porém, não podemos descartar totalmente um possível agravamento além da evolução natural decorrente dessa espécie mais predatória existente sobre a Terra. Em projeções futuras caberia focar esse assunto.

 

Os dados existem. Precisa de coragem para encará-los.

terça-feira, 26 de maio de 2026

O Desafio da Objetividade

 

O Desafio da Objetividade

(“The Objectivity Challenge”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Entramos na vida potencialmente subjetivos, simplesmente para garantir nossa existência (o bebê manda na família). Anos depois, entrando em contextos sociais, esse comportamento vem lentamente sendo corrigido a partir de experiências vivenciais, percebendo e assimilando a existência de uma pluralidade de personalidades.

 

Adolescentes e adultos, fazemos juízos, diariamente. Julgamos situações, ocorrência, ou simplesmente ambientes, mas acima de tudo pessoas, pela sua aparência, suas atitudes, ou, seus pronunciamentos. E é absolutamente normal que pessoas diferentes façam juízos diferentes sobre as mesmas situações, ocorrência, ambientes e pessoas. Afinal, juízos são condicionados pelas experiências, emoções e valores, passado e presente, do indivíduo, portanto são únicos – eventualmente semelhantes.

 

Entretanto, juízos individuais, influenciados pela educação, visão da vida e a própria personalidade correm o risco quase certo de não coincidir com os entendimentos dos interlocutores, e, na pior das hipóteses, revelar-se interpretações falsas – e juízos incorretos. Cada pessoa formou seus ideais, seus exemplos a serem seguidos, vivendo em seu universo subjetivo, suas ambições, expectativas e seus objetivos de vida tendo prioridade. Manifestações nas artes plásticas, musicais e literárias são expressão por excelência de externação de valores subjetivos.

 

Não há dúvida, de que um mundo regido por subjetividades seria inconcebível. Afinal, somos seres imperfeitos. Uma sociedade regida exclusivamente por subjetividades não sobreviveria. Haveria um permanente choque coletivo de subjetividades. Afinal, todos somos imperfeitos, ou seja, sujeitos a erros em todas as dimensões. Erros fazem parte do nosso cotidiano, muitas vezes necessitando de uma visão objetiva – ou subjetiva – de alguém.

 

Na subjetividade, interesses pessoais, preferências e sentimentos projetam-se para o primeiro plano. Portanto, uma avaliação subjetiva é individual e não baseada em critérios claramente mensuráveis. É a aceitação dos fatos simpáticos e recusa dos indesejáveis, por exemplo, a torcida por determinado clube esportivo, ou a preferência por determinada cor ou tipo de música.

 

Por mais subjetivas as pessoas possam ser, ao longo da vida, elas desenvolvem graus variados de espírito crítico – e autocrítico. Em princípio, toda crítica avalia e questiona situações e valores. Por outro lado, a crítica nasce de informações e fatos. E a partir desse instante, o conhecimento - com a vontade de ser objetivo - passa a fazer parte de avalições e juízos, questionando posições ou convicções subjetivas. Dessa maneira, aspectos e perspectivas novas invadem a subjetividade natural – desde que tais fatos são aceitos. Em resumo, a objetividade é fruto de um aprendizado – nem sempre consciente, nem voluntário. Obviamente, essa aceitação requer que se abra mãos de convicções enraizadas na subjetividade habitual da pessoa. E isso encontra a barreira de que muitas vezes, através dos nossos filtros de interpretação habitualmente subjetivas.

 

 

Aqui entra o aspecto extremamente individual da voluntariedade de optar pela objetividade, sabidamente relativa, já que a absoluta é impossível. É uma decisão personalíssima de enxergar o mundo a partir de uma multiplicidade de ângulos, muitas vezes totalmente contrários. Objetividade adquire e cultiva-se a partir da aceitação de informações de várias fontes, mesmo quando contrariam nosso entendimento subjetivo. Sem dúvida, trata-se de um ajuste de perspectivas com indiscutível ampliação do espaço de juízos; enquanto a subjetividade nos prende na inflexibilidade das nossas supostas certezas, todo contraditório é um desafio e um aprendizado a mais – um amadurecimento maior.

 

Sempre nos encontraremos diante de escolhas. Nossa própria personalidade, criação e visão de mundo influenciam a forma como avaliamos os fatos. Mas todos, embora sejamos imperfeitos, temos o arbítrio entre simples aceitação, ou questionamento crítico.

 

Resumindo, a subjetividade confina a pessoa em seu mundo de desejos, ilusões e idealizações, a objetividade confere-lhe liberdade e soberania.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O Idoso no Brasil

 

O Idoso no Brasil

(“The Elderly in Brazil” –  This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

(Também acessível no blog: kl-rehjfeldt.blogspot.com)

 

Quem é idoso no Brasil? Embora os ex-presidente, Itamar Franco, nos últimos dia e seu governo (1994) tenha estabelecido a idade de 60 anos com ingresso no status de idoso, na prática esse limite revela-se cada vez mais como sendo irreal. Por um lado, a expectativa de vida desde então subiu quase 9 anos, por outro, grande parte da população não se considera idosa – até se ofende quando é chamado de idoso – quando chegar aos 60 anos de vida (mesmo se utilizando dos benefícios garantidos a essas pessoas.

Quem é idoso? Há quem tem cabelos bancos aos 50, quem ‘veste o pijama’ efetivamente aos 60, e há quem trabalha e dirige seu carro ainda aos 90. Portanto, trata-se de um assunto extremamente subjetivo. Mas, leis, normas e regulamentos são absolutamente objetivos, de acordo de cada realidade.

E a realidade brasileira é atualmente a seguinte: O país possui uma população de cerca de 35,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 16,6% da população, ou seja, cerca de 35 milhões de pessoas, isso com a expectativa de vida que superou os 76 anos. Esse contingente cresceu quase 60% na última década, mudando a estrutura demográfica do país.

Na realidade, hoje cerca de 1 em cada 4 pessoas idosas continua ocupada no mercado de trabalho, não por último em função da gradual desatualização de pensões e aposentadorias do sistema estatal, demonstrando uma busca por renda complementar na terceira idade. Em outra esfera, a nova geração de idosos tem se mostrado mais ativa, buscando viagens, atividades físicas e novas formas de lazer. Contudo, o etarismo (preconceito por idade) ainda é um obstáculo para a inclusão social e profissional plena.

Antigamente, em tempos da família de três gerações, a velhice ‘batia na porta’, quando a pessoa não mais conseguia desenvolver suas atividades profissionais ou domésticas. A pessoa física ou mentalmente impedida era amparada pela família, especialmente os membros herdeiros, até a morte. Esta realidade mudou radicalmente com o novo padrão da família celular, composta de pais e filhos, ou pessoas solteiras, o que significa, espaço físico limitado.

Hoje, o Estatuto da Pessoa Idosa garante prioridade de atendimento, gratuidade no transporte público e protege contra abusos e violência. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) assiste a estimados mais de 70% da população idosa que dependa exclusivamente dessa instituição para o acompanhamento de saúde (com deficiências bem conhecidas). Nesse sistema, as principais demandas médicas incluem o controle de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes.

Com o aumento da longevidade, há também um crescimento na demanda por cuidadores e infraestrutura especializada em cuidados de longa duração. E tudo indica, que essa dinâmica continuará até ser alcançado o limite biologicamente mandatório.

Pergunta-se então, na realidade de mais idosos com menos reposição populacional (atualmente apenas 1,5 filhos por mulher, quando o mínimo necessário para manutenção a população a longo prazo essa taxa deveria ser de 2,1 filhos), como o atual sistema de amparo a terceira idade poderá enfrentar a demanda. Cuidadores de idosos são caros (com salário maior que a renda média do idoso), e os poucos estabelecimentos de acolhimento de idosos mais caros ainda. E aqui é bom não esquecer que, durante décadas, os descontos dos contribuintes para a previdência social fluíam para o custeio do Estado..

Encontramo-nos numa mudança demográfica importante (menos filhos, mais velhos), que evidencia claramente que medidas paliativas não resolverão a situação. Há necessidade de uma redefinição do sistema social, que garanta um amparo digno àquele cidadão que, com seu trabalho, contribuiu na construção da prosperidade e do bem-estar da geração atual e das vindouras. Uma das aparentemente essenciais é o ensino desde a juventude do cidadão, abrindo mão do consumo, para a constituição de um fundo que lhe garanta um amparo digno e confortável na (embora distante) idade avançada.

Não basta um plano de serviços funerais. Será necessária, por parte do cidadão, uma mudança de cultura do consumo desenfreado para a solidez existencial, incluindo a garantia de vida prolongada sem suporte do Estado., que costumeiramente está defasado em relação à realidade presente. 

 

 

 

 

 

domingo, 10 de maio de 2026

Terras Raras

 

Terras Raras

 

(“Rare Earths” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt



Muito se fala modernamente sobre ‘Terras Raras’, mas pouco se sabe do que são, que uso e competência têm, uma vez que as referências à mesma quase exclusivamente estão nas manchetes políticas em relações internacionais. As disputas em torno delas são notórias e alimentam os noticiários.

 

Cabe inicialmente esclarecer que tais terras não são nem raras, nem são terras. Na realidade. As terras são apenas invólucros de alguns elementos metálicos. De fato, sob esse nome escondem-se 17 elementos metálicos indispensáveis na tecnologia hightech atual, todos com nomes um tanto exóticos e desconhecidos pelo público.

 

Eis eles:

· Neodímio e disprósio para ímãs fortes, por exemplo, em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos;

· Európio e térbio como fósforos vermelho e verde, respectivamente, em telas e lâmpadas de LED;

· Escândio e ítrio para supercondutores de alta temperatura e cristais de laser;

· Lantânio a rutênio (são ao todo 15 elementos) em baterias de carros híbridos e catalisadores, e

· Escândio em componentes leves para aeronaves e células de combustível.

 

É fácil compreender sua importância, senão, sua indispensabilidade, no cotidiano atual, e, muito provavelmente, no mundo tecnológico futuro.

 

Qual é então a problemática em torno deles. Como já foi mencionado, esses elementos não são raros na crosta terrestre, estão, isso sim, distribuídos em concentrações diferentes e em condições de extração com graus de maior e menor dificuldade.

 

A China detém as maiores reservas mundiais de terras raras (aprox. 44 milhões de toneladas), dominando a produção global, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição, com reservas estimadas entre 11,4 e 21 milhões de toneladas. Outros detentores significativos incluem Vietnã, Rússia, Índia e Austrália, essenciais para tecnologias de transição energética.

 

Daí, o número de países com reservas de terras raras são vários e isso levanta uma pergunta: por que todas essas polêmicas em torno do assunto?

 

A mineração e o processamento estão frequentemente associados a altos danos ambientais e à saúde, assim como frequentemente associados a elementos radioativos como urânio e tório. Isso beneficia a China, cuja legislação de proteção ambiental é pouco exigente, que, além de sua vantagem volumética, facilita a extração de matérias. Por ouro lado, a reciclagem de terras raras ainda está pouco desenvolvida, mas está se tornando cada vez mais importante diante da crescente escassez de matérias-primas.

 

E a situação é séria. Devido à crescente mobilidade com modelos elétricos e híbridos e à transição energética, a demanda está crescendo drasticamente. E como os preços não são negociados em uma bolsa centralizada, eles podem oscilar bastante. Valor do investimento: Terras raras também são armazenadas em bunkers como investimento físico.

 

Em resumo, as terras raras são "as especiarias da indústria" – pequenas em quantidade, mas cruciais para o funcionamento das tecnologias modernas de alto desempenho.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Uma Curta História dos Trabalho

 

Uma Curta História do Trabalho

(“A Short Story of Labor” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

O trabalho é assunto desde tempos bíblicos, mesmo, na época, sendo um trabalho direto da mão para a boca –  "ganhar o pão com o suor do rosto", Gênesis 3:19.  A natureza sempre oferecia, mas a obtenção de seus produtos nunca foi fácil, mesmo com os recursos desenvolvidos em cada momento a história do homem. É uma luta permanente pela sobrevivência e a dignidade humana, com o empenho do esforço físico ou mental.

 

A humanidade carrega o trabalho em seu código genético – uma questão de sobrevivência. Entretanto, como herbívoro, o homem é muito vulnerável, como carnívoro, a natureza foi pouco generosa. Lhe faltam ferramentas naturais – uma experiência de centenas de milhares de anos de vida nômade.

 

Em compensação dotou-o com uma capacidade mental ausente em outros seres vivos. Daí a evolução para a fixação na terra. O trabalho regular e o cultivo racional da terra passaram a gerar produtos excedentes e tempo livre, condições essenciais para a formação de sociedades e o nascimento de culturas, que, porém, e por sua vez, tornaram o trabalho indispensável.

 

Ao longo de milhares de anos, o trabalho ganhou características de profissão, servindo a diferentes finalidades e atendendo necessidades específicas de cidadãos e coletividades. Enquanto o campo concentrou a grande maioria do trabalho, as profissões urbanas foram se organizando, por exemplo, nas guildas (associações de classe). Nesse período, o trabalho rural era executado pela família inteira, o profissional, porém, somente por homens.  

 

A revolução industrial (e energética) foi também uma revolução do trabalho. A humanidade conhecia o trabalho escravo da antiguidade e do período de colonização da América (em menor escala na África). Com a chegada da Revolução Industrial, o trabalho corporal novamente sofreu abusos em larga escala, quando vemos, por exemplo, o trabalho de crianças com 12 anos, por 10 a 12 horas por dia, nas minas de carvão, assim tornando possível túneis mais baixos (e mais baratos) – era comum que morressem de tuberculose antes dos 20º anos de idade. O excesso de filhos nas famílias rurais (mais higiene e medicina, menor mortalidade infantil) obrigava a busca por trabalho nas novas empresas industriais e de mineração. Consequentemente, o excesso de oferta de mão de obra criou uma dependência quase absoluta do empregador.  

 

O poder público da época era exercido quase exclusivamente pela nobreza, muitas vezes dona desse novo potencial industrial. Levou décadas para movimentos socias, inicialmente apolíticos e religiosos, conquistassem poder político através de partidos socialistas e de trabalhadores, que, em virtude da gravidade da situação, ganharam rapidamente importância e peso decisório. O mundo parlamentar, até então moderador do poder autocrático, começou a dividir-se em capitalista e socialista/comunista.

 

Isso trouxe gradualmente benefícios inegáveis para o trabalhador, uma vez que a insistência socialista começou a conseguir regulamentações e benefícios para a classe trabalhadora. Sindicatos foram oficializados, e as condições de trabalho amplamente normatizados. A Consolidação das Leis do Trabalho brasileira de 1943 é um exemplo. Se por um lado essas legislações acabaram por engessar as relações de trabalho, por outro é bom frisar que elas sempre foram baixadas em ambiente de abundância na oferta de mão-de-obra.

 

Essa realidade encontra-se em contínua mudança nas últimas décadas. As situações brasileiras, bem como de outros países em larga escala, sofreram profundas redimensiones demográfico/familiares. As populações em idade produtiva estão constantemente encolhendo. Mesmo com a crescente dispensa de mão-de-obra nos processos produtivos, comerciais e de serviços motivados por suportes de automação e robotização, a demanda de trabalho humano, obviamente cada vez melhor qualificada, aumenta cada vez mais.

 

O Brasil, ao lado de muitos outros países, especialmente europeus, encontra-se hoje no que em teoria econômica se chama de pleno emprego (5% ou menos de desemprego, em boa parte sendo pessoas incapacitadas física ou mentalmente e aquelas sob custódia do Estado). E isso tem consequências, não somente diretas, mas também indiretas. Levantam-se questões como a validade de suporte sindical, ou da necessidade de regulamentação refinada, quando o trabalhador, diante de sua crescente escassez, ganha cada vez mais espaço e poder de negociação. Cabe aqui sublinhar que, além der ser uma realidade nova e inusitada, essa é a situação do trabalho qualificado, o não qualificado fica fora dessa situação vantajosa.

 

Num mercado de consumo, quem manda é a demanda – no do trabalho, idem. Dessa maneira, em decorrência da dinâmica demográfica em curso, a balança de negociação entre empregador e empregado tenderá a pender cada vez mais para o lado desse último. Será ele quem aceitará, ou não, as ofertas do empregador, seja em condições de trabalho, seja em remuneração. Legislações deverão passar para ser desconsideradas e desrespeitadas, não pelo empregador, mas pelo empregado. A própria discussão em torno do trabalho 6x1 parece atrasada e sem validade prática. A atual rotatividade elevada de emprego em supermercados, restaurantes, e outros, não deveria ser ignorada, mas entendida corretamente – e com coragem.

 

O mundo do trabalho, à margem de vontades políticas, parece sair de um conjunto de sofrimento e privação para entrar em outro de satisfação de realização de atividades produtivas, e respeito mútuo entre capital e trabalho.

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Brasil Ausente nas Mídias Sociais

 

O Brasil Ausente nas Mídias Sociais

(“Brazil Absent on Social Media”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Porque? Porque é o Brasil que não interessa aos propósitos divulgados nesses canais. – O Brasil, como todos os países e sociedades, compõe-se de várias realidades e fatores. É o Brasil geográfico, histórico, étnico, social, econômico e político. Cada um deles exerce seu peso e sua importância num conglomerado da nação. E existe o Brasil das ilusões e dos sonhos.

 

Geograficamente, somos uma país rico, extremamente diversificado em fauna e flora, e dispondo de amplitude de recursos naturais que atente a qualquer demanda econômica da atualidade. Basta administrar sua exploração com a consciência do papel do Brasil na geopolítica e geoeconômica mundial.

 

Nossa história está repleta de coragem, pioneirismo e de buscas de autonomia econômica e política, enquanto, na sua essência, já provou tolerância de ser capaz de superar discriminações raciais e de origem. Basta observar a naturalidade com que ocorrem as uniões multirraciais.

 

Não há como negar que existem problemas sociais a resolver. Obviamente respeitando os limites da nossa política socia-econômica, sem esquecer que mesmo países do considerado primeiro mundo encontram problemas com sua população de relativa pobreza e seus moradores de ruas (ou que moram em automóvel). 

 

Vejamos o Brasil dos fatos socioeconômicos, comparando alguns dados e índices de 2015 com os de 2025:

1)    O PIB cresceu de R$6,5 para R$11,8trilhões – 119%;

2)    O PIB per capita aumentou de R$ 8.9 para R$ 10.3 – 10,7%

3)    O desemprego caiu de 6,7% para 5,2% - 22,4%;

4)    Veículos automotivos registrados aumentaram de 64,8 para 124,0 milhões – 91%;

5)    As exportações pularam de R$201,9 para R$310,4 bilhões (2024) – 54%;

6)    Os embarques aéreos subiram de 74. para 130. mil passageiros – 75,7%;

7)    O Índice BOVESPA cresceu de R$46.000 para R$176,00 – 383%.

            (Fontes: IBGE e da ONU)

 

Especificamente com relação ao Índice BOVESPA cabe esclarecer que boa parte desse aumento decorre de investimentos externos (quase R$ 9 bilhões num único dia de janeiro/26) o que mostra a confiabilidade do Brasil no exterior.

 

Poderia se pensar que os crescimentos acima são naturais e resultado do aumento populacional, como, de fato, nossa história demográfica sugere. Entretanto, o crescimento populacional anual do Brasil, que já chegou a 4% na década de 1950, apresenta hoje um índice de apenas 0,2%, ou seja, incomparavelmente abaixo das taxas acima – por sua vez evidenciando uma clara e expressiva melhora na vida dos brasileiros ao longo desse período.

 

A explicação é simples. A nossa economia experimentou um significativo aumento de produtividade e maturidade econômica, obviamente decorrente de avanços tecnológicos, modernizações e consequentes ganhos de eficiência experimentados no mundo inteiro, e, em boa parte, acompanhadas pelo país.

 

E o componente político da nação? Ele é presente, é indispensável na administração de qualquer sociedade, sem dúvida – e independente da coloração partidária – tem seu peso na constelação do panorama da nação, mas é apenas um fator... e não necessariamente o mais decisivo no destino de uma nação, aquele que empurra uma sociedade para frente.

 

É o homem, quem faz. Quem constrói uma sociedade, uma nação, e estabelece suas normas de convivência pública e privada. A política é uma consequência disso, na qual opiniões podem e devem divergir na busca do bem de uma nação unida por um consenso, por um espectro de objetivos, onde ideias e ideologias se encontram democraticamente – no exclusivo interesse da nação.