O Desafio da Objetividade
(“The Objectivity Challenge”) - This text
is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Entramos na vida potencialmente subjetivos, simplesmente para garantir
nossa existência (o bebê manda na família). Anos depois, entrando em contextos
sociais, esse comportamento vem lentamente sendo corrigido a partir de
experiências vivenciais, percebendo e assimilando a existência de uma
pluralidade de personalidades.
Adolescentes e adultos, fazemos juízos,
diariamente. Julgamos situações, ocorrência, ou simplesmente ambientes, mas
acima de tudo pessoas, pela sua aparência, suas atitudes, ou, seus
pronunciamentos. E é absolutamente normal que pessoas diferentes façam juízos
diferentes sobre as mesmas situações, ocorrência, ambientes e pessoas. Afinal,
juízos são condicionados pelas experiências, emoções e valores, passado e
presente, do indivíduo, portanto são únicos – eventualmente semelhantes.
Entretanto, juízos individuais, influenciados pela
educação, visão da vida e a própria personalidade correm o risco quase certo de
não coincidir com os entendimentos dos interlocutores, e, na pior das
hipóteses, revelar-se interpretações falsas – e juízos incorretos. Cada pessoa formou
seus ideais, seus exemplos a serem seguidos, vivendo em seu universo subjetivo,
suas ambições, expectativas e seus objetivos de vida tendo prioridade. Manifestações
nas artes plásticas, musicais e literárias são expressão por excelência de
externação de valores subjetivos.
Não há dúvida,
de que um mundo regido por subjetividades seria inconcebível. Afinal, somos
seres imperfeitos. Uma sociedade regida exclusivamente por subjetividades não
sobreviveria. Haveria um permanente choque coletivo de subjetividades. Afinal,
todos somos imperfeitos, ou seja, sujeitos a erros em todas as dimensões. Erros
fazem parte do nosso cotidiano, muitas vezes necessitando de uma visão objetiva
– ou subjetiva – de alguém.
Na subjetividade, interesses pessoais, preferências
e sentimentos projetam-se para o primeiro plano. Portanto, uma avaliação
subjetiva é individual e não baseada em critérios claramente mensuráveis. É a
aceitação dos fatos simpáticos e recusa dos indesejáveis, por exemplo, a
torcida por determinado clube esportivo, ou a preferência por determinada cor ou
tipo de música.
Por mais subjetivas as pessoas possam ser, ao longo
da vida, elas desenvolvem graus variados de espírito crítico – e autocrítico.
Em princípio, toda crítica avalia e questiona situações e valores. Por outro
lado, a crítica nasce de informações e fatos. E a partir desse instante, o
conhecimento passa a fazer parte de avalições e juízos, questionando posições
ou convicções subjetivas. Dessa maneira, aspectos e perspectivas novas invadem
a subjetividade natural – desde que tais fatos são aceitos. Em resumo, a
objetividade é fruto de um aprendizado – nem sempre consciente, nem voluntário.
Obviamente, essa aceitação
requer que se abra mãos de convicções enraizadas na subjetividade habitual da
pessoa. E isso encontra a barreira de que muitas vezes, através dos nossos
filtros de interpretação habitualmente subjetivas.
Aqui entra o aspecto
extremamente individual da voluntariedade de optar pela objetividade,
sabidamente relativa, já que a absoluta é impossível. É uma decisão
personalíssima de enxergar o mundo a partir de uma multiplicidade de ângulos,
muitas vezes totalmente contrários. Objetividade adquire e cultiva-se a partir da
aceitação de informações de várias fontes, mesmo quando contrariam nosso
entendimento subjetivo. Sem dúvida, trata-se de um ajuste de perspectivas
com indiscutível ampliação do espaço de juízos; enquanto a subjetividade nos
prende na inflexibilidade das nossas supostas certezas, todo contraditório é um
desafio e um aprendizado a mais – um amadurecimento maior.
Sempre nos encontraremos
diante de escolhas. Nossa própria personalidade, criação e visão de mundo
influenciam a forma como avaliamos os fatos. Mas todos, embora sejamos imperfeitos, temos o arbítrio
entre simples aceitação, ou questionamento crítico.
Resumindo, a subjetividade confina a pessoa
em seu mundo de desejos, ilusões e idealizações, a objetividade confere-lhe
liberdade e soberania.