segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Brasil Ausente nas Mídias Sociais

 

O Brasil Ausente nas Mídias Sociais

(“Brazil Absent on Social Media”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Porque? Porque é o Brasil que não interessa aos propósitos divulgados nesses canais. – O Brasil, como todos os países e sociedades, compõe-se de várias realidades e fatores. É o Brasil geográfico, histórico, étnico, social, econômico e político. Cada um deles exerce seu peso e sua importância num conglomerado da nação. E existe o Brasil das ilusões e dos sonhos.

 

Geograficamente, somos uma país rico, extremamente diversificado em fauna e flora, e dispondo de amplitude de recursos naturais que atente a qualquer demanda econômica da atualidade. Basta administrar sua exploração com a consciência do papel do Brasil na geopolítica e geoeconômica mundial.

 

Nossa história está repleta de coragem, pioneirismo e de buscas de autonomia econômica e política, enquanto, na sua essência, já provou tolerância de ser capaz de superar discriminações raciais e de origem. Basta observar a naturalidade com que ocorrem as uniões multirraciais.

 

Não há como negar que existem problemas sociais a resolver. Obviamente respeitando os limites da nossa política socia-econômica, sem esquecer que mesmo países do considerado primeiro mundo encontram problemas com sua população de relativa pobreza e seus moradores de ruas (ou que moram em automóvel). 

 

Vejamos o Brasil dos fatos socioeconômicos, comparando alguns dados e índices de 2015 com os de 2025:

1)    O PIB cresceu de R$6,5 para R$11,8trilhões – 119%;

2)    O PIB per capita aumentou de R$ 8.9 para R$ 10.3 – 10,7%

3)    O desemprego caiu de 6,7% para 5,2% - 22,4%;

4)    Veículos automotivos registrados aumentaram de 64,8 para 124,0 milhões – 91%;

5)    As exportações pularam de R$201,9 para R$310,4 bilhões (2024) – 54%;

6)    Os embarques aéreos subiram de 74. para 130. mil passageiros – 75,7%;

7)    O Índice BOVESPA cresceu de R$46.000 para R$176,00 – 383%.

            (Fontes: IBGE e da ONU)

 

Especificamente com relação ao Índice BOVESPA cabe esclarecer que boa parte desse aumento decorre de investimentos externos (quase R$ 9 bilhões num único dia de janeiro/26) o que mostra a confiabilidade do Brasil no exterior.

 

Poderia se pensar que os crescimentos acima são naturais e resultado do aumento populacional, como, de fato, nossa história demográfica sugere. Entretanto, o crescimento populacional anual do Brasil, que já chegou a 4% na década de 1950, apresenta hoje um índice de apenas 0,2%, ou seja, incomparavelmente abaixo das taxas acima – por sua vez evidenciando uma clara e expressiva melhora na vida dos brasileiros ao longo desse período.

 

A explicação é simples. A nossa economia experimentou um significativo aumento de produtividade e maturidade econômica, obviamente decorrente de avanços tecnológicos, modernizações e consequentes ganhos de eficiência experimentados no mundo inteiro, e, em boa parte, acompanhadas pelo país.

 

E o componente político da nação? Ele é presente, é indispensável na administração de qualquer sociedade, sem dúvida – e independente da coloração partidária – tem seu peso na constelação do panorama da nação, mas é apenas um fator... e não necessariamente o mais decisivo no destino de uma nação, aquele que empurra uma sociedade para frente.

 

É o homem, quem faz. Quem constrói uma sociedade, uma nação, e estabelece suas normas de convivência pública e privada. A política é uma consequência disso, na qual opiniões podem e devem divergir na busca do bem de uma nação unida por um consenso, por um espectro de objetivos, onde ideias e ideologias se encontram democraticamente – no exclusivo interesse da nação.       

 

       

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

IA, Benção ou Fim da Nossa Civilização?

 

IA, Benção ou Fim de Nossa Civilização?

(“AI, Blessing or the End of Our Civilization?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O homem, por natureza, é frágil como todo ser vivo. Sua história de necessidade de permanência nesse mundo, por meio da evolução de seu potencial intelectual e o consequente estabelecimento de valores morais, sua organização social e política, garantiram-lhe reduzir significativamente essa vulnerabilidade multifacial.

 

Essa capacidade intelectual fê-lo superar ameaças e reduzir essa fragilidade ao longo de milhares de anos, estabelecendo lentamente um domínio sobre nosso planeta. Mas, mesmo com a espetacular evolução da pedra lascada à inteligência artificial, o homem continua um ser frágil num mundo incerto. Continuamente, ele vem melhorando seu conforto e aumentando sua segurança existencial. Mesmo assim, o que já foi a incerteza da alimentação do dia seguinte, hoje assumiu dimensões de incompetência de vencer as barreiras de uma sociedade altamente complexa e sofisticada. Afinal, continuamos sem garantia e sem certeza – de nada.             

 

As invenções humanas em busca de melhorar as condições de vida tem uma forte tendência de serem desvirtuadas para fins prejudiciais, ou mesmo destrutivos. O que hoje é benção, amanhã poderá ser destruição e caos. Enquanto temos o avião inventado como simples resultado do conhecimento de física, e que acabou um terrível instrumento de guerra, por outro lado, a lança criada como arma pelo homo sapiens, hoje é um mero objeto de esporte.

 

Como parte do salto tecnológico do século XX, a cibernética deu origem a um mundo informatizado, começando como pacíficos computadores ou processadores de dados, mas evoluindo também para mortíferas armas de guerra. E diariamente, mais aspectos do nosso cotidiano ganham sofisticações digitais, seja para aumentar índices de qualidade e eficiência, seja para substituir o trabalho humano.

 

E chegou a inteligência artificial – a IA. Estudos iniciado já em 1956 são considerados o nascimento oficial da IA como um campo de pesquisa. O objetivo era explorar como fazer máquinas usarem linguagem, formarem conceitos, resolverem problemas e melhorarem a si mesmas. Abriu-se a porta para um novo mundo. Primeiramente, apenas uma fresta no campo da informática, mas logo uma abertura escancarada. Depois das décadas iniciais, vivemos hoje quase diariamente pequenas ou maiores revoluções, de processos industriais a simples - (?) - manipulações de imagem e falas, até a criação de novas realidades a partir de dados visuais e vocais remotamente existentes.

 

Tudo isso soa fantástico. Sem dúvida, a humanidade está entrando numa nova era com um primeiro passo, sem conhecer o traçado do caminho, nem o destino final. Se por um lado isso surpreende e entusiasma, por outro, assusta. Ninguém consegue imaginar um mundo dominado pela IA, e principalmente não o homem convivendo com uma realidade de IA cercando, orientando e conduzindo seu cotidiano – determinando sua vida sem ele entender o ‘o que’ e o ‘como’ atrás de tudo.

 

Já hoje, as gerações mais velhas, em sua grande maioria não compreendem, nem sabem usar simples recursos e rotinas de informática. Isso gera obviamente enormes inseguranças e temores. Afinal, a perspectiva para o cidadão comum e leigo no assunto é a de um voo cego, sem piloto e sem destino. E ainda há a nuvem preta da IA que conseguirá se auto-reprogramar e, dessa maneira, fugir do controle e comando humano.

 

Essa incerteza de massa, conviver com um cérebro artificial paralelo permite concluir o surgimento de um vazio existencial, podendo resultar em apatia, resignação, e, por fim, o questionamento do sentido da vida, a desistência de querer suportar a pressão da incerteza e do atrofiamento da animação – e isso em escala coletiva.

 

Mas insegurança e incerteza continuarão: e se deixar de funcionar?

 

Durante milhares de anos, a tecnologia foi uma benção para a humanidade. Em algum momento, seus recursos e capacidades passarão a ser sua desgraça? Por quantas gerações a humanidade sobreviverá com seu arbítrio assumido, controlado e comandado por programas de IA em troca de uma existência programada e garantida?

 

Resumindo numa pergunta final: quanto tempo sobreviverá nossa civilização com seu conhecimento milenar terceirizado, sem  necessidade de resolver seus desafios e obstáculos – e com uma poderosa elite formada por pouca pessoas que controlam a IA?       

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Fake

 

Fake

(“Fake” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A enganação não é privilégio da espécie humana. Encontramos a “mentira” em outros seres vivos de vários reinos da fauna e flora. Nesses casos, obviamente, não têm caráter maldoso, mas servem como estratégia da natureza para garantir a sobrevivência ou o sucesso reprodutivo da respectiva espécie.

 

No mundo do homo primitivo, certamente, as estratégias do uso de inverdades tiveram os mesmos objetivos. Com a evolução da vida em sociedade, competição e interações mais complexas tornaram a manipulação da verdade um instrumento cada vez mais conveniente e usado no convívio    para a solução de entraves e problemas, seja do cidadão, seja da liderança. É a mentira instrumentalizada em busca de vantagem ou de alcance de interesses. Sociedades de organização e constelação mais sofisticadas deram origem a enganações mais refinadas.  

 

Intenções de alcance e conservação do poder, político ou econômico, há séculos recorreram ao uso de falsas informações ou distorções da verdade na tentativa de enganar o público. A mentira chegou a ser institucionalizada quando Josef Goebels, ministro de propaganda de Hitler, declarou que “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Outra maneira da propaganda enganosa daquela época (sem mídia social) era a propaganda dirigida de cochicho: “Você sabia que...”, “Eu sobe de fonte segura que...”. Em momentos de conflito – de intrafamiliar a internacional – o maior perdedor sempre é a verdade.

 

Entretanto, o avanço dos padrões morais e éticos como resultado da evolução cultural sofreu um dramático revés com o surgimento das mídias sociais. Qualquer pessoa consegue, sem qualquer custo ou responsabilização, divulgar qualquer informação, verdadeira ou falsa, até mesmo sem se identificar. E, em geral, o palco de difusão dessas notícias tem caráter criminoso, ou político. Quando não são tentativas muito bem elaboradas com fins criminosos, são desinformações dirigidas de cunho político – mormente eleitoral – de lado a lado e ao redor do mundo. O recente uso da inteligência artificial no mundo fake agravou o problema, enriquecendo significativamente a ferramentaria digital, e o nível qualitativo e técnico da inverdade. E qualquer pessoa, por ingenuidade, interesse, ou maldade, pode replicar e repassar reiteradamente qualquer mensagem, com boas ou más intenções, tanto verdades, quanto mentiras.

 

O avanço tecnológico na área digital torna cada vez mais difícil identificar a autenticidade da mensagem. A sociedade passou a ser, por um lado, beneficiada com a imediatez da informação, por outro, vítima involuntária de um sistema de dualidade quanto a seu uso. Na verdade, existem meios e fontes bastante confiáveis que permitem verificar a veracidade de boa parte das mensagens colocadas na mídia social. Porém, a busca pela autenticidade, ou não, da informação requer algum empenho, ou, então, um elevado espírito crítico e analítico. Há inverdades evidentes, outras revelam sua intenção enganosa (“vai haver...”, “já está em curso...”) logo, basta deixar passar o prazo anunciado e verificar, outras são de complexidade tecnológica considerável. Por outro lado, o autor de mensagens enganosas ou ilusórias sabe que, na outra ponta há pessoas que buscam de um ‘colírio’, seja com respeito ao emprego, ao amor, ou à próxima safra. E não faltam artifícios que fazem mentiras parecer verdades.

 

Naturalmente, com destaque no espectro político, a fake news pode estar perfeitamente sintonizada com os desejos e as expectativas do destinatário da mensagem, e assim, mesmo inverídica, encontra aceitação, aprovação e eco. Afinal, a esperança faz parte de capacidade humana de lidar com o futuro.

 

Ao receber fake news, cada pessoa aplica seu arbítrio. Ela tornou-se parte de nosso cotidiano com os mais diversos efeitos sobre as pessoas, da apatia ao entusiasmo. Porém, para toda fake news há uma informação contrária. Diante disso, é bom lembrar Abraham Lincoln, quando diz: “Você pode enganar a todos por algum tempo, a alguns o tempo todo, mas não pode enganar a todos o tempo todo.”

 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Democracia 2.0

 

Democracia 2.0

 

(“Democracy 2.0” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A democracia surgiu na Atenas antiga de forma direta e restrita aos homens livres. Após séculos de eclipse, a partir do século XVIII, filósofos do Iluminismo (Locke, Montesquieu, Rousseau) criticaram o absolutismo e defenderam ideias democráticas fundamentais, como a soberania popular, os direitos naturais, o contrato social e a separação dos poderes, ideais posteriormente concretizados como resultados das revoluções das revoluções americana e francesa. Sem mexer na essência dos princípios democráticos, percebe-se uma contínua adaptação da operacionalidade do regime às transformações, às vezes profundas ou repentinas, políticas, sociais e econômicas das diversas sociedades.

 

O ideário democrático expandiu-se através da luta pelo sufrágio universal e consolidou-se após a Segunda Guerra Mundial em substituição dos regimes autocráticos até então existentes, com nova onda nas últimas décadas do século XX. Seguiram a ampliação do sufrágio, o surgimento dos partidos políticos e o fortalecimento das instituições democráticas. Por fim, o pós-Segunda Guerra Mundial levou a uma onda de democratização, especialmente na Europa Ocidental. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) estabeleceu padrões democráticos globais. Hoje, enfrenta desafios significativos, mas permanece um ideal e uma forma de governo amplamente aspirada, baseada na soberania popular, no respeito aos direitos fundamentais e na participação política.

 

Assim, entre recuos e avanços, chegamos aos modelos democráticos atuais, mesmo havendo um consenso sobre as enormes falhas e imperfeições da democracia moderna, com toda clareza sintetizado por Winston Churchill nas palavras “A democracia e a pior forma de governo, exceto todas as outras que foram tentadas”.

 

Entretanto, tudo indica que nos encontramos às portas de uma nova revolução: a democracia em tempos de Inteligência Artificial (IA). Embora essa ferramenta ainda se encontre em sua fase inicial e sem a mínima perspectiva de sua capacidade total e de seus limites, desde já coloca dados de enorme envergadura sobre realidades e necessidades nas mãos dos políticos, seja do poder executivo, seja do legislativo, lentamente invalidando conjecturas e hipóteses céticas, ou mermo de recusa. 6Todavia, desde já parece haver perspectivas promissoras na interação entre democracia e IA. Uma das maiores realizações a curto prazo deverá ser uma maior, mais direta, e mais eficiente comunicação entre os governos com suas instituições e o cidadão. Canais diretos entre o eleitor e seus representantes municipal, estadual e federal, ou seja, entre cidadão e estado, abrirão caminhos mais eficazes num regime participativo.

 

Por outro lado, ferramentas de IA poderão encurtar e assim tornar mais confiáveis os caminhos eleitorais, garantir mais insuspeição e fiabilidade aos atos políticos e do estado no próprio meio de administração pública, ao mesmo tempo proporcionando maior transparência e eficiência, e o simultâneo combate à desinformação desde a identificação de distorções e fake-news através de seus algoritmos, à radicalizações, não importa a coloração ideológica, tudo isso alimentando uma maior confiança nos valores democráticos e na validade do regime de livre participação do cidadão.

 

A lógica é simples: quanto mais informações disponibilizadas, mais fácil e mais acertadas as decisões. Vejamos um exemplo: A uma pergunta clara e um click, em segundos obtemos a situação e as respectivas recomendações prioritárias relativas ao ensino fundamental público nacional, dos estados individualizados e de municípios, como Blumenau, SC ou Araguainha, MT, identificando-se a enorme diversidade em realidades e resultados. Daí, impõe-se o questionamento sobre quantos políticos e administradores públicos conhecem esses dados de forma objetiva e sem coloração partidária. Evidentemente, esse recurso é aplicável a qualquer área do setor público e privado.

 

Na contramão, os mesmos recursos estarão disponíveis a quaisquer iniciativas antidemocráticas. Manobras de desinformação, demagogia e populismo com falsas ilusões e promessas disporão de todos os recursos de IA – facilmente acessíveis –, exigindo uma permanente vigilância, seja por parte dos regimes democráticos, seja pelo próprio cidadão.

 

Afinal, o principal agente no aperfeiçoamento da democracia é esse mesmo cidadão e cabe a ele a tarefa cívica de buscar as informações objetivas, boas ou más, disponíveis através da busca e concretização de uma vida de livre participação democrática, usufruindo seus valores e benefícios.        

 

 

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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Paridade de Poder de Compra, a Conversão Realista

 

Paridade de Poder de Compra, a Conversão Realista

(“Purchasing Power Parity, the Realistic Conversion” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A Paridade do Poder de Compra (PPC) é uma métrica de análise macroeconômica, usada para comparar a produtividade econômica e os padrões de vida entre países. Ela envolve uma fórmula econômica que, diferentemente da taxa de câmbio, compara as moedas de diferentes países por meio de uma abordagem de "cesta de bens e serviços". Ou seja, a PPC é a ‘taxa de câmbio’ pela qual a moeda de uma nação seria convertida em outra para comprar as mesmas quantidades dos mesmos produtos de um grande leque de bens e serviços, e não à base da costumeira taxa de câmbio bancário.

 

            Vejamos exemplos: O preço na média nacional de um apartamento de dois quartos nos Estado Unidos situa-se entre US$ 1.200 e 1.800, que, pelo câmbio atual, representa de R$ 6.800 a 10.800, o que não responde à realidade brasileira, ou seja uma conversão absolutamente irreal. E essa irrealidade, positiva ou negativa, encontramos com relação a todas as moedas estrangeiras, bem como entre as mesmas. Já o kg da banana custa na Inglaterra cerda de £ 2,00, o que corresponde a aproximadamente R$ 15,00, quando no Brasil custa algo em redor de R$ 7,00. Em outro caso, uma camiseta simples tem preço aproximado de ¥ 50,00 na China perfazendo R$ 40,00, já na Alemanha (quando ‘Made in Germany’) custa a partir de cerca € 15,00, o equivalente a R$ 95,00.

 

Surpreende a distância entre os preços – e o custo de vida – entre os diferentes países. Isso mostra, que a taxa de câmbio convencional não consegue espelhar as realidades econômicas distintas dos mesmos. A solução encontrada, a PPC, envolve uma teoria econômica que compara as moedas de diferentes países por meio de uma abordagem por meio de fatores determinantes de cada conjuntura econômica.

 

Em palavras simples, uma Paridade do Poder de Compra entre duas economias seria igual 1 se seu poder econômico fosse exatamente o mesmo, isso é, você pode comprar a mesma cesta de bens pelo mesmo valor monetário. Entretanto, o que não ocorre na realidade. Daí os países considerados ‘caros’, ou ‘baratos’.

 

Imaginemos então que um confeiteiro norte-americano com um ganho mensal de $ 6,000 e seu colega alemão, com a renda de € 8.000,00, sabendo que o câmbio de uma moeda costuma variar abaixo de 1,10 para 1,00. Ao comprar 5 sacos de açúcar de 60 kg ao preço de $ 60,00 por saca, o americano gasta um total de $ 300,00, ou seja, 5% de seu ganho. Já o confeiteiro alemão paga € 120,00 por saca de açúcar isso é, € 600,00 por saca, correspondendo a 7,5% de seu ganho. Portanto, embora o confeiteiro alemão tenha um ganho 33% maior que se colega americano, no caso específico do produto em foco (possivelmente também de outros) tem uma despesa 50% maior.

 

Cabe aqui uma referência ao assim chamado Índice Big Mac. Este indicador compara o poder de compra de diferentes moedas para a compra de um Big Mac e é uma maneira fácil de mostrar a subvalorização ou supervalorização de moedas nacionais. A razão para isso é que o hambúrguer tem exatamente os mesmos ingredientes e técnicas de produção em todos os países e, portanto, é o produto de comparação ideal.   

 

Percebe-se então, claramente, que há uma diferença fundamental entre taxa de câmbio – transações especulativas e de comércio internacional – e Paridade de Poder de Compra – um mecanismo de comparação de realidades econômicas. O exemplo acima situa-se no plano retalhista e varejista, porém, como vimos, o objetivo maior visa sua projeção para o nível conjuntural do Produto Nacional Bruto (PIB), buscando uma comparação entre países e suas economias. E nessa dimensão encontramos surpresas. A China lidera o ranking mundial com 19,29% do PIB global em PPC, seguida pelos Estados Unidos (14,84%) e Índia (8,49%). Para ter outros exemplos, o Brasil ocupa a 8ª posição, representando 2,39% do total, enquanto a Indonésia, que se juntou recentemente ao bloco dos BRICS, aparece em 7º lugar (2,44%).

 

Finalmente cabe ver algumas conversões de moedas por PPC, em comparação com a taxa de câmbio. Assim, enquanto a taxa do Real para o US dólar se situa em torno de R$ 5,70, a PPC é de apenas R$ 3,36, ou seja, 41% a menos. Na relação do o USD para Euro, observamos menos 26%. Já em relação ao Franco Suíço, esse apresenta supervalorização de 17% sobre o USD.

 

O futuro e a relevância contínua da Paridade do Poder de Compra (PPC) reside em sua capacidade de fornecer uma comparação da produção econômica real e dos padrões de vida entre os países mais precisa do que as taxas de câmbio convencionais, particularmente na avaliação do tamanho econômico e do bem-estar entre as nações. Embora a sua aplicação não seja isenta de limitações, as PPP continuam a ser essenciais para compreender as verdadeiras diferenças entre as diferentes ecpnomias, especialmente entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento.

 

Será que um dia não haverá mais países caros e baratos?

 

 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras

 

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras.

(“XXI Century Caves, or Earth-Scrapers” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Igual a outras mudanças radicais e a redefinições, a construção civil e a arquitetura têm sofrido profundas revisões em suas concepções de moradia e local de trabalho – obviamente seguindo novas realidades econômicas e demográficas. Depois de uma longa cultura de edificações de um, ou poucos andares, surgiram nos Estados Unidos as primeiras respostas a um tradicionalismo vencido por novas necessidades econômicas e avanços tecnológicos. Assim, num mundo de edificações urbanas de baixa estrutura, na cidade de Chicago, foi construído em 1885 o Home Insurance Building com espantosos 10 andares e 42 metros de altura, substituindo prédios antigos de madeira que tinham sido destruídos por um incêndio.

 

Daí em diante, o céu passou a ser o limite. Outros edifícios, chamados de arranha-céus, foram erguidos como resposta a demandas de modernismo e r4acionalização de espaço urbano. A verticalização das cidades é uma tendência crescente e que conta com diversos avanços tecnológicos, hoje os arranha-céus atingindo facilmente Altura de 40 andares, chegando a quase loucuras de perto de 1.000 metros de altura. As estruturas de aço, inicialmente utilizadas, foram substituídas por outras de concreto armado. Recentemente despontaram prédios estruturados quase exclusivamente em madeira, chegando a mais de 80 metros de altura, como o Mjøstårnet, Trontheim, Noruega, e o HoHo, Viena, Áustria.

 

De repente, uma surpresa, a inversão para baixo. Na verdade, o homem conhece a moradia total ou parcialmente enterrada desde tempos remotos, quando populações de regiões frias, por exemplo, na América do Norte, Groenlândia e Islândia, viviam em moradias dessas modalidades, cobertas por terra e vegetação como forma de proteção contra o frio. Existe um exemplo na Austrália, mas contra o calor. Outro exemplo são as centenas de cidades subterrâneas na atual Turquia (Derinkuyu é uma delas) com até 18 andares de profundidade, sistemas de ventilação e até estimados 50.000 habitantes, existindo (abandonados) há aproximadamente 4.000 anos.  

 

Portanto, a ideia da moradia subterrânea não é novidade. Entretanto, a versão 2000 de edificações subterrâneas, possui parâmetros totalmente diferentes. São os assim chamados ‘arranha-terras’. Sim, eles existem. São arranha-céus ‘de cabeça para baixo’. Eles chegaram para revolucionar a arquitetura. Com um conceito inovador, procuram otimizar espaços urbanos saturadas, liberar superfícies naturais e intencionam enfrentar os desafios climáticos e ambientais do futuro. Suas estruturas se estendem por vários níveis subterrâneos. Mas não faltaram enormes desafios, tais como iluminação, ventilação, humidade, drenagem e custos de construção, mas também intangíveis como a adequação psicológica.

 

Fato é, que já existem. Os invernos canadenses são rigorosos - o que pode explicar a afinidade dos canadenses com os bairros subterrâneos de Toronto. Em Montreal existe um sistema de túneis de 30 quilômetros, com várias centenas de lojas e restaurantes. O projeto é conhecido como Cidade Subterrânea, ou Ville Souterrain (Vila Subterrânea), uma paisagem urbana subterrânea, apelidada simplesmente de " a rede".

 

Na década de 1970, Mao Zedong mandou construir Dixià Chéng em Pequim. O sistema de túneis e bunkers de 85 quilômetros quadrados deveria fornecer proteção para seis milhões de pessoas no caso de uma guerra nuclear com a Rússia. Abriga escolas, lojas, cabeleireiros, restaurantes, armazéns – simplesmente tudo o que compõe uma estrutura urbana. No entanto, os quartos não se destinavam a uma habitação permanente. A guerra nuclear não se materializou e, após a abertura econômica da China, Pequim cresceu para cerca de 21 milhões de habitantes. Por outro lado, as moradias para a população pobre estão se tornando cada vez mais escassas. Assim, em caráter de adaptação, o Ministério da Defesa entregou as instalações de proteção nas mãos de proprietários privados, que as alugam para trabalhadores migrantes e estudantes. Assim, a também chamada "Cidade Nuclear” oferece um teto para cerca de um milhão de pessoas. Estranhos não têm acesso ali, as entradas são estritamente vigiadas.

 

O InterContinental Shanghai Wonderland é o primeiro hotel "arranha-terra" do mundo, construído em uma pedreira abandonada. O hotel cinco estrelas tem 88 metros de profundidade e possui as mais diversas atrações, como aquários, uma queda d’água para dentro de uma piscina, parede de escalação e suítes submersas, entre outros. Ele possui 336 apartamentos distribuídos sobre 18 andares, e levou 12 anos para ficar pronto, e durante o processo foram patenteados 12 métodos únicos em construção civil.

 

Ao lado dessas de outras obras já existentes, numerosos projetos encontram-se nas pranchetas, como a pirâmide subterrânea invertida “BNKR” da Cidade do México, com profundidade de 65 andares. Em Cingapura, uma Cidade da Ciência para 4000 cientistas está sendo planejada no subsolo, onde os canteiros de obras são particularmente raros naquela cidade-estado.

 

Não devemos esperar que futuramente esse tipo de construção passe a ser um novo padrão, mas, com certeza, ele será uma opção quando sabemos que em futuro não muito distante, de cada três habitantes da Terra, dois viverão em ambientes urbanos, muitas vezes de uma crescente escassez de espaço e falta de superfície não edificada.

 

O meio ambiente agradecerá. 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

A Mudança Energética

 

A Mudança Energética

(*The Energy Change”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A partir de certo momento na evolução da espécie homo, a força corporal do indivíduo não bastava mais para atender às necessidades existenciais, cada vez mais demandantes de energia. Ao longo de milênios, o homem aprendeu a dispor de energia extracorporal fornecida por animais domesticados, pelo vento para acionar velas e moinhos e pela água, tocando artefatos. Apesar de novas ferramentas, do arado à bigorna e de ferramentas de corte, a energia disponível era aquela de que o homem dispunha, intelectual e fisicamente,

 

A maior revolução até então veiou com a máquina de vapor, utilizada em terra e no mar. Em seguida a energia elétrica gerada em usinas termoelétricas, uma vez que nem sempre a natureza oferece condições hídricas favoráveis. Depois entrou em cena o petróleo, acionando milhões de motores de combustão interna. A humanidade passou a utilizar energia a partir de recursos naturais, através do calor gerado pela decomposição de matéria, seja lenha, seja carvão, petróleo ou similares. Entretanto, a natureza disponibiliza, mas cobra. Lamentavelmente levou décadas para que essa cobrança fosse percebida em toda sua severidade.

 

A princípio, de renovável mesmo, somente a energia eólica de aplicação muito restrita e a energia hídrica – já servindo ao homem por mais de 5.000 anos. Mas lentamente começou a surgiu um repensar sobre os recursos energéticos modernos. Com o avanço da Revolução Industrial, a energia hidrelétrica foi um dos pilares mais importantes da produção energética; as primeiras turbinas geradoras de eletricidade foram desenvolvidas em meados do século 19. Hoje, participando com 14,3% (4.210 TWh) é a maior variante de energia renovável disponível. (As energias fósseis perfazem hoje ainda 70,6% - 23.574 TWh – do total de energia gerada ao redor do globo).

 

As primeiras células fotovoltaicas foram usadas em 1958 na missão do satélite americano Vanguard. No entanto, levaria quase 20 anos até que sistemas terrestres fossem instalados. Em 1976, o governo australiano decidiu equipar a rede de telecomunicações do interior do país com células solares para carregar as baterias ali instaladas. Apenas a partir de 1990 iniciaram-se modestos programas oficiais de mini-unidades fotovoltaicas, como, por exemplo, o dos mil telhados na Alemanha, ou o de 70.000 telhados no Japão. A tecnologia foi aprimorada e, embora possamos não ter a percepção da sua dimensão, a energia fotovoltaica contribui hoje com 5,5% (1.631 TWh) para o mix energético mundial.

 

As primeiras tentativas de gerar eletricidade com turbinas eólicas foram feitas já no final do século 19. Nas décadas de 1930/40, os primeiros testes bem-sucedidos com turbinas eólicas foram realizados nos EUA e na Alemanha, mas sem aplicação imediata. A primeira turbina que alimentou com sucesso a rede elétrica por um longo período de tempo foi a turbina eólica Gedser na Dinamarca. Essa modalidade energética tornou-se mais visível com suas grandes estruturas distribuídas pela paisagem, por isso sendo inicialmente muito criticadas pelos ecologistas. Mas, essa modalidade energética provou sua validade, em terra e off-shore, hoje gerando 6,9% (2.304 TWh) do total de energia gerada no mundo.

 

Energia proveniente de biomassa começou a ser gerada em escala bastante reduzida a partir dos anos de 1950, mas somente em fins do século XX, essa forma de energia ganhou expressividade, seja na forma de biogás, de álcool ou outros produtos de menor expressão. Mesmo assim, essa energia representa 2,4% (697 TWh) do total energético.

 

Onde situam-se hoje as maiores produções das diversas modalidades de energia renovável? Os maiores geradores de energia hídrica são Austrália, China, Colômbia e Nigéria; de energia eólica, China e EUA; de energia fotovoltaica, China (com 63% do total mundial dessa modalidade); e de biomassa, China, Japão, Brasil e Uruguai.

 

Indubitavelmente, os recursos energéticos renováveis assumiram um papel importante na economia energética mundial. Assim, em 2024, a energia eólica e solar juntas geraram mais eletricidade do que a energia hidrelétrica. Já em 2025, o conjunto das energias renováveis ultrapassará o carvão e se tornará a maior fonte de geração de eletricidade. E em 2028, as fontes de energia renováveis deverão responsáveis por mais de 42% da geração global de eletricidade, com a eólica e a fotovoltaica dobrando para 25% da capacidade total. Finalmente, para o período de 2025 a 2029, espera-se um crescimento médio anual de 4,22%, em, busca da meta de que em 2030 se consiga alcançar um equilíbrio entre energias fósseis e renováveis.

 

O planeta agradecerá.