segunda-feira, 27 de maio de 2024

'Esquerdas' Históricas Antes da Esquerda

 

‘Esquerdas' Históricas antes da Esquerda

("Historical 'Lefts' before the Left" – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

E se ninguém tivesse ousado se levantar?! Por exemplo, contra senhores coloniais, exploradores e opressores. Faremos uma viagem pela memória e apresentamos algumas das maiores revoltas que mudaram o curso da história – ou pelo menos tentaram ...

 

Não fosse um filme de grande sucesso, a figura de Espártaco (Spartacus) provavelmente estaria confinada aos livros de história. Nascido por volta de 111 AC na Tráquia, uma região na atual Romênia e Turquia, Espártaco foi um escravo que se tornou gladiador romano. Em 73 a.C., Espártaco, juntamente com cerca de 70 outros gladiadores, fugiu da escola de gladiadores em Cápua e começou sua luta contra a classe alta romana e pela liberdade dos escravos. Os insurgentes foram capazes de ganhar mais e mais seguidores e seu exército rapidamente cresceu para cerca de 70.000 a 100.000 homens, incluindo muitos escravos.

 

O exército de Espártaco derrotou várias legiões romanas e até conquistou algumas cidades do antigo Império Romano. Apesar desses sucessos, no entanto, Espártaco e seus seguidores não conseguiram derrotar o Império Romano. As tropas romanas finalmente esmagaram a revolta em 71 a.C. e Espártaco foi morto. Muitos de seus seguidores foram crucificados para dar um exemplo dissuasor para outros rebeldes em potencial.

 

O declínio e a morte de Espártaco marcaram o fim da maior revolta de escravos da história romana. Embora sua luta tenha fracassado, Espártaco deixou um legado significativo como símbolo de liberdade e resistência à desigualdade e à escravidão no Império Romano.

 

*

 

Embora tivesse havida levantes camponeses desde o século IX em vários países europeus, no século XVI, ocorrerem as Guerras Camponesas, principalmente no sul da Alemanha. A partir de 1524, os camponeses lutaram contra a nobreza, que os oprimia. Exigiam mais direitos e a abolição da servidão. Não é por acaso que as revoltas camponesas ocorreram durante a Reforma. Martinho Lutero havia preparado o terreno fértil espiritual com seus escritos.

 

Os agricultores naquela época não tiveram facilidade: eles representavam cerca de 80% da população na Idade Média. Eles financiaram a nobreza e o clero com altos impostos. Não possuíam nenhuma propriedade, muitos passavam fome e eram servos dos servos. As quebras de safra e o rápido aumento da população após a grande peste por volta de 1450 agravaram a situação já tensa.

 

Os camponeses sabiam da superioridade militar dos exércitos mercenários. Por isso, os representantes das "turbas" primeiro tentaram fazer valer suas demandas com palavras. Em março de 1525, eles escreveram um panfleto e nomearam suas demandas em 12 artigos.

 

Em abril de 1525, camponeses rebeldes mataram um conde e seus companheiros. Este foi o prelúdio de confrontos sangrentos em várias regiões do sul da Alemanha e nos países alpinos. Como as "turbas" de camponeses não tinham nada a opor ao material bélico e à organização dos exércitos, os canhões finalmente venceram. Cerca de 70 mil agricultores morreram na luta por uma vida melhor.

 

*

 

A Revolução Gloriosa na Inglaterra foi a primeira grande convulsão política dos tempos modernos. Deu origem a uma nova forma progressista de governo, a monarquia constitucional.

 

O pano de fundo é a luta pelo poder entre o parlamento e a coroa. Em 1215, a Carta Magna havia concedido direitos parlamentares, que a representação popular foi capaz de expandir progressivamente nos séculos que se seguiram. No início do século XVII, o trono passou para a Casa de Stuart, cujos governantes queriam reestabelecer o domínio absoluto. Desrespeitaram os direitos do parlamento e, em caso de dúvida, não se furtaram ao uso da violência.

 

A disputa pelo poder evoluiu para uma guerra civil em 1642. As tropas dos parlamentares - o Novo Exército Modelo - eram lideradas pelo nobre Oliver Cromwell. Em 1648, Cromwell venceu a guerra e, um ano depois, o rei Carlos I foi executado. A monarquia foi abolida, a Inglaterra tornou-se uma república.

 

*

 

A França estava falida. Diante disso, o rei convocou uma Assembleia Geral com representantes das três classes sociais, clero, nobreza e povo (90% da população), cada uma com apenas um voto. Enquanto o rei queria cobrar mais impostos, a terceira classe queria mais direitos, como participação política, o direito ao voto, melhores condições de vida e o direito de igualdade para todos os franceses.

 

A iniciativa, além de vir tarde, fracassou pelo formato e a revolução eclodiu em 14 de julho de 1789 com a tomada da Bastilha (prisão dos opositores ao Rei) pela população geral, formada por camponeses, artesãos e diaristas, terminando em 1799 com a tomada do poder por Napoleão.

 

As consequências da Revolução Francesa ainda hoje são a base de nossa compreensão moderna do Estado. Não eram heróis, mas pessoas de seu tempo, que tiveram a oportunidade de romper com um sistema antigo.

 

É importante compreender, no nosso mundo interligado, que também podemos deixar de pé outras culturas e formas de pensar, mas devemos estar conscientes de que os direitos humanos foram duramente conquistados e devemos defendê-los!

 

Fatos históricos vistos percebidos com objetividade e sem pretensões ideológicas.

 

sábado, 18 de maio de 2024

Porque Negar?

 

 

 

Porque Negar?

(“Why Deny?” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A Terra é um corpo vivo, vivo à sua maneira, mas nasceu, se desenvolveu e, um dia, morrerá. “Da energia criou-se massa que à energia voltará”. É um avida que começou a 4,5 bolhões de anos atrás. E, ao longo do seu amadurecimento tornou-se hospedeira de nós, os seres vivos – vivos à nossa maneira: “Nasceste do pó e pó retornarás”.

 

Esse nosso planeta não é um corpo estável, imutável, existindo num cosmo estável e imutável. Ele possui forças internas e, ao mesmo tempo, está exposto a energias externas e dinâmicas cósmicas. A terra se mexe, por dentro e por fora. Hoje, certamente, não é a mesma de um, dois, ou três bilhões de anos atrás. Somente no último um milhão de anos, houve cinco grandes eras glaciais, com uma soma total de durações de cerca de 650 mil anos. Isso significa que quase dois terços do tempo, nesse espaço de tempo, foi de períodos glaciais, ou seja, de temperaturas mais baixas em todo o planeta – níveis dos mares, idem. (Um período glacial inicia-se e aumenta quando o verão não consegue derreter todo o gelo que se formou durante o inverno anterior, e diminui até terminar quando durante os verões derrete mais gelo do que se formou no inverno anterior.) Além disso, há provas de que, mesmo em períodos mais quente houve épocas de mini-glaciações.

   

Consequentemente, nosso planeta vive, por razões ainda não bem explicadas, mudanças climáticas constantes, isso é, elas são a normalidade.    

 

Por outro lado, existem fortes indícios de que em períodos de camada de ozônio mais espessa, flora e fauna permitiram seres bem mais avantajados do que os que conhecemos hoje. E mais ainda: atividades solares, como as assim chamadas proeminências que lançam luz, material solar e energia solar ao espaço, quando aproximadamente em direção da Terra, podem causar efeitos climáticos significativos.

 

E o homo sapiens entrou nessa história apenas há cerca de 250 mil anos, vivendo integrado à natureza que o planeta lhe oferecia até os últimos três séculos. De então para cá deixou de viver no, e em harmonia com o planeta para passar a viver do planeta e de todos os seus recursos. Tornou-se o ser vertebrado mais numeroso de dessa classe, subjugando as restantes espécies ao seu domínio e arbítrio – o solo, o mar e subsolo da mesma maneira. Ele tornou-se um predador implacável em todos os sentidos.

 

A presença humana na Terra nunca deixou tantas marcas no nosso planeta como nesse período muito recente – e minúsculo em relação à existência da mesma. São combustíveis fósseis, produzindo enormes quantidades de CO2, intervenções na vegetação, seja por desmatamentos, pecuária extensiva, ou monoculturas.

 

Apenas um exemplo factual: para produzir 1 kcal de carne, são necessárias 7 kcal de energia vegetal na forma de ração, e, ao mesmo tempo, 1 kg de carne produzida requer um consumo de 15.000 l. Por outro lado, a produção de 1 kg de carne libera a mesma quantidade de gases de efeito estufa que uma viagem de carro de 250 quilômetros.

 

Nas últimas décadas, essa realidade suscitou dois fatos novos; uma avaliação mais precisa da situação climática e suas dinâmicas, e o questionamento da responsabilidade humana como fator adicional nos efeitos da mudança climática em curso.

 

Essa discussão, por óbvio, não é isenta de interesses. A indústria do petróleo e da pecuária, por exemplo, tentam por todos os meios fazer crer que as mudanças climáticas independem de suas atividades. E talvez têm razão, pelo menos no grau dessa dependência. Afinal, o ‘buraco de ozônio’, que muito preocupava os ecologistas, está diminuindo ao mesmo tempo em que não houve redução significativa, talvez nenhuma, de gases CO2.

 

Entretanto, não há como negar a negação da mudança climática, hoje já diretamente sentida por boa parte da população deste planeta. Pode-se discutir sobre a culpa, cumplicidade ou inocência do homem nesse fenômeno, porém, isso nada muda na situação. Fato é que a humanidade possui hoje tecnologia para neutralizar os efeitos de suas agressões à natureza, com ou sem mudança climática. E toda aplicação econômica de tecnologia gera renda – além de, eventualmente, poder atenuar um processo naturalmente em curso.

 

Qualquer esforço nesse sentido é benéfico – é lucro para a sociedade. Basta ter consciência que talvez estejamos desafiando demasiadamente a capacidade regenerativa do nosso planeta – e não temos outro – para compreender que negar mudanças climáticas em curso nada resolve.

 

A Terra não é mossa, somos apenas fruto dela, dela dependemos e ela determina nosso futuro.