Porque Negar?
(“Why Deny?” – This text has been written in such a way as to facilitate translations
by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
A Terra é um
corpo vivo, vivo à sua maneira, mas nasceu, se desenvolveu e, um dia, morrerá.
“Da energia criou-se massa que à energia voltará”. É um avida que começou a 4,5
bolhões de anos atrás. E, ao longo do seu amadurecimento tornou-se hospedeira
de nós, os seres vivos – vivos à nossa maneira: “Nasceste do pó e pó retornarás”.
Esse nosso planeta não é um corpo estável, imutável, existindo num
cosmo estável e imutável. Ele possui forças internas e, ao mesmo tempo, está
exposto a energias externas e dinâmicas cósmicas. A terra se mexe, por dentro e
por fora. Hoje, certamente, não é a mesma de um, dois, ou três bilhões de anos
atrás. Somente no último um milhão de anos, houve cinco grandes eras glaciais, com
uma soma total de durações de cerca de 650 mil anos. Isso significa que quase
dois terços do tempo, nesse espaço de tempo, foi de períodos glaciais, ou seja,
de temperaturas mais baixas em todo o planeta – níveis dos mares, idem. (Um
período glacial inicia-se e aumenta quando o verão não consegue derreter todo o
gelo que se formou durante o inverno anterior, e diminui até terminar quando
durante os verões derrete mais gelo do que se formou no inverno anterior.) Além
disso, há provas de que, mesmo em períodos mais quente houve épocas de
mini-glaciações.
Consequentemente, nosso planeta vive, por razões ainda não bem
explicadas, mudanças climáticas constantes, isso é, elas são a normalidade.
Por outro lado, existem fortes indícios de que em períodos de camada de
ozônio mais espessa, flora e fauna permitiram seres bem mais avantajados do que
os que conhecemos hoje. E mais ainda: atividades solares, como as assim
chamadas proeminências que lançam luz, material solar e energia solar ao espaço, quando
aproximadamente em direção da Terra, podem causar efeitos climáticos
significativos.
E o homo
sapiens entrou nessa história apenas há cerca de 250 mil anos, vivendo integrado
à natureza que o planeta lhe oferecia até os últimos três séculos. De então
para cá deixou de viver no, e em harmonia com o planeta para passar a viver do
planeta e de todos os seus recursos. Tornou-se o ser vertebrado mais numeroso
de dessa classe, subjugando as restantes espécies ao seu domínio e arbítrio – o
solo, o mar e subsolo da mesma maneira. Ele tornou-se um predador implacável em
todos os sentidos.
A
presença humana na Terra nunca deixou tantas marcas no nosso planeta como nesse
período muito recente – e minúsculo em relação à existência da mesma. São
combustíveis fósseis, produzindo enormes quantidades de CO2, intervenções na
vegetação, seja por desmatamentos, pecuária extensiva, ou monoculturas.
Apenas um
exemplo factual: para produzir 1 kcal de carne, são necessárias 7 kcal de
energia vegetal na forma de ração, e, ao mesmo tempo, 1 kg de carne produzida requer
um consumo de 15.000 l. Por outro lado, a produção de 1 kg de carne libera a
mesma quantidade de gases de efeito estufa que uma viagem de carro de 250
quilômetros.
Nas
últimas décadas, essa realidade suscitou dois fatos novos; uma avaliação mais
precisa da situação climática e suas dinâmicas, e o questionamento da
responsabilidade humana como fator adicional nos efeitos da mudança climática
em curso.
Essa
discussão, por óbvio, não é isenta de interesses. A indústria do petróleo e da
pecuária, por exemplo, tentam por todos os meios fazer crer que as mudanças
climáticas independem de suas atividades. E talvez têm razão, pelo menos no
grau dessa dependência. Afinal, o ‘buraco de ozônio’, que muito preocupava os
ecologistas, está diminuindo ao mesmo tempo em que não houve redução
significativa, talvez nenhuma, de gases CO2.
Entretanto,
não há como negar a negação da mudança climática, hoje já diretamente sentida
por boa parte da população deste planeta. Pode-se discutir sobre a culpa,
cumplicidade ou inocência do homem nesse fenômeno, porém, isso nada muda na
situação. Fato é que a humanidade possui hoje tecnologia para neutralizar os
efeitos de suas agressões à natureza, com ou sem mudança climática. E toda
aplicação econômica de tecnologia gera renda – além de, eventualmente, poder
atenuar um processo naturalmente em curso.
Qualquer
esforço nesse sentido é benéfico – é lucro para a sociedade. Basta ter
consciência que talvez estejamos desafiando demasiadamente a capacidade
regenerativa do nosso planeta – e não temos outro – para compreender que negar
mudanças climáticas em curso nada resolve.
A Terra
não é mossa, somos apenas fruto dela, dela dependemos e ela determina nosso
futuro.
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