sábado, 18 de maio de 2024

Porque Negar?

 

 

 

Porque Negar?

(“Why Deny?” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A Terra é um corpo vivo, vivo à sua maneira, mas nasceu, se desenvolveu e, um dia, morrerá. “Da energia criou-se massa que à energia voltará”. É um avida que começou a 4,5 bolhões de anos atrás. E, ao longo do seu amadurecimento tornou-se hospedeira de nós, os seres vivos – vivos à nossa maneira: “Nasceste do pó e pó retornarás”.

 

Esse nosso planeta não é um corpo estável, imutável, existindo num cosmo estável e imutável. Ele possui forças internas e, ao mesmo tempo, está exposto a energias externas e dinâmicas cósmicas. A terra se mexe, por dentro e por fora. Hoje, certamente, não é a mesma de um, dois, ou três bilhões de anos atrás. Somente no último um milhão de anos, houve cinco grandes eras glaciais, com uma soma total de durações de cerca de 650 mil anos. Isso significa que quase dois terços do tempo, nesse espaço de tempo, foi de períodos glaciais, ou seja, de temperaturas mais baixas em todo o planeta – níveis dos mares, idem. (Um período glacial inicia-se e aumenta quando o verão não consegue derreter todo o gelo que se formou durante o inverno anterior, e diminui até terminar quando durante os verões derrete mais gelo do que se formou no inverno anterior.) Além disso, há provas de que, mesmo em períodos mais quente houve épocas de mini-glaciações.

   

Consequentemente, nosso planeta vive, por razões ainda não bem explicadas, mudanças climáticas constantes, isso é, elas são a normalidade.    

 

Por outro lado, existem fortes indícios de que em períodos de camada de ozônio mais espessa, flora e fauna permitiram seres bem mais avantajados do que os que conhecemos hoje. E mais ainda: atividades solares, como as assim chamadas proeminências que lançam luz, material solar e energia solar ao espaço, quando aproximadamente em direção da Terra, podem causar efeitos climáticos significativos.

 

E o homo sapiens entrou nessa história apenas há cerca de 250 mil anos, vivendo integrado à natureza que o planeta lhe oferecia até os últimos três séculos. De então para cá deixou de viver no, e em harmonia com o planeta para passar a viver do planeta e de todos os seus recursos. Tornou-se o ser vertebrado mais numeroso de dessa classe, subjugando as restantes espécies ao seu domínio e arbítrio – o solo, o mar e subsolo da mesma maneira. Ele tornou-se um predador implacável em todos os sentidos.

 

A presença humana na Terra nunca deixou tantas marcas no nosso planeta como nesse período muito recente – e minúsculo em relação à existência da mesma. São combustíveis fósseis, produzindo enormes quantidades de CO2, intervenções na vegetação, seja por desmatamentos, pecuária extensiva, ou monoculturas.

 

Apenas um exemplo factual: para produzir 1 kcal de carne, são necessárias 7 kcal de energia vegetal na forma de ração, e, ao mesmo tempo, 1 kg de carne produzida requer um consumo de 15.000 l. Por outro lado, a produção de 1 kg de carne libera a mesma quantidade de gases de efeito estufa que uma viagem de carro de 250 quilômetros.

 

Nas últimas décadas, essa realidade suscitou dois fatos novos; uma avaliação mais precisa da situação climática e suas dinâmicas, e o questionamento da responsabilidade humana como fator adicional nos efeitos da mudança climática em curso.

 

Essa discussão, por óbvio, não é isenta de interesses. A indústria do petróleo e da pecuária, por exemplo, tentam por todos os meios fazer crer que as mudanças climáticas independem de suas atividades. E talvez têm razão, pelo menos no grau dessa dependência. Afinal, o ‘buraco de ozônio’, que muito preocupava os ecologistas, está diminuindo ao mesmo tempo em que não houve redução significativa, talvez nenhuma, de gases CO2.

 

Entretanto, não há como negar a negação da mudança climática, hoje já diretamente sentida por boa parte da população deste planeta. Pode-se discutir sobre a culpa, cumplicidade ou inocência do homem nesse fenômeno, porém, isso nada muda na situação. Fato é que a humanidade possui hoje tecnologia para neutralizar os efeitos de suas agressões à natureza, com ou sem mudança climática. E toda aplicação econômica de tecnologia gera renda – além de, eventualmente, poder atenuar um processo naturalmente em curso.

 

Qualquer esforço nesse sentido é benéfico – é lucro para a sociedade. Basta ter consciência que talvez estejamos desafiando demasiadamente a capacidade regenerativa do nosso planeta – e não temos outro – para compreender que negar mudanças climáticas em curso nada resolve.

 

A Terra não é mossa, somos apenas fruto dela, dela dependemos e ela determina nosso futuro.        

 

 

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