sexta-feira, 14 de março de 2025

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras

 

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras.

(“XXI Century Caves, or Earth-Scrapers” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Igual a outras mudanças radicais e a redefinições, a construção civil e a arquitetura têm sofrido profundas revisões em suas concepções de moradia e local de trabalho – obviamente seguindo novas realidades econômicas e demográficas. Depois de uma longa cultura de edificações de um, ou poucos andares, surgiram nos Estados Unidos as primeiras respostas a um tradicionalismo vencido por novas necessidades econômicas e avanços tecnológicos. Assim, num mundo de edificações urbanas de baixa estrutura, na cidade de Chicago, foi construído em 1885 o Home Insurance Building com espantosos 10 andares e 42 metros de altura, substituindo prédios antigos de madeira que tinham sido destruídos por um incêndio.

 

Daí em diante, o céu passou a ser o limite. Outros edifícios, chamados de arranha-céus, foram erguidos como resposta a demandas de modernismo e r4acionalização de espaço urbano. A verticalização das cidades é uma tendência crescente e que conta com diversos avanços tecnológicos, hoje os arranha-céus atingindo facilmente Altura de 40 andares, chegando a quase loucuras de perto de 1.000 metros de altura. As estruturas de aço, inicialmente utilizadas, foram substituídas por outras de concreto armado. Recentemente despontaram prédios estruturados quase exclusivamente em madeira, chegando a mais de 80 metros de altura, como o Mjøstårnet, Trontheim, Noruega, e o HoHo, Viena, Áustria.

 

De repente, uma surpresa, a inversão para baixo. Na verdade, o homem conhece a moradia total ou parcialmente enterrada desde tempos remotos, quando populações de regiões frias, por exemplo, na América do Norte, Groenlândia e Islândia, viviam em moradias dessas modalidades, cobertas por terra e vegetação como forma de proteção contra o frio. Existe um exemplo na Austrália, mas contra o calor. Outro exemplo são as centenas de cidades subterrâneas na atual Turquia (Derinkuyu é uma delas) com até 18 andares de profundidade, sistemas de ventilação e até estimados 50.000 habitantes, existindo (abandonados) há aproximadamente 4.000 anos.  

 

Portanto, a ideia da moradia subterrânea não é novidade. Entretanto, a versão 2000 de edificações subterrâneas, possui parâmetros totalmente diferentes. São os assim chamados ‘arranha-terras’. Sim, eles existem. São arranha-céus ‘de cabeça para baixo’. Eles chegaram para revolucionar a arquitetura. Com um conceito inovador, procuram otimizar espaços urbanos saturadas, liberar superfícies naturais e intencionam enfrentar os desafios climáticos e ambientais do futuro. Suas estruturas se estendem por vários níveis subterrâneos. Mas não faltaram enormes desafios, tais como iluminação, ventilação, humidade, drenagem e custos de construção, mas também intangíveis como a adequação psicológica.

 

Fato é, que já existem. Os invernos canadenses são rigorosos - o que pode explicar a afinidade dos canadenses com os bairros subterrâneos de Toronto. Em Montreal existe um sistema de túneis de 30 quilômetros, com várias centenas de lojas e restaurantes. O projeto é conhecido como Cidade Subterrânea, ou Ville Souterrain (Vila Subterrânea), uma paisagem urbana subterrânea, apelidada simplesmente de " a rede".

 

Na década de 1970, Mao Zedong mandou construir Dixià Chéng em Pequim. O sistema de túneis e bunkers de 85 quilômetros quadrados deveria fornecer proteção para seis milhões de pessoas no caso de uma guerra nuclear com a Rússia. Abriga escolas, lojas, cabeleireiros, restaurantes, armazéns – simplesmente tudo o que compõe uma estrutura urbana. No entanto, os quartos não se destinavam a uma habitação permanente. A guerra nuclear não se materializou e, após a abertura econômica da China, Pequim cresceu para cerca de 21 milhões de habitantes. Por outro lado, as moradias para a população pobre estão se tornando cada vez mais escassas. Assim, em caráter de adaptação, o Ministério da Defesa entregou as instalações de proteção nas mãos de proprietários privados, que as alugam para trabalhadores migrantes e estudantes. Assim, a também chamada "Cidade Nuclear” oferece um teto para cerca de um milhão de pessoas. Estranhos não têm acesso ali, as entradas são estritamente vigiadas.

 

O InterContinental Shanghai Wonderland é o primeiro hotel "arranha-terra" do mundo, construído em uma pedreira abandonada. O hotel cinco estrelas tem 88 metros de profundidade e possui as mais diversas atrações, como aquários, uma queda d’água para dentro de uma piscina, parede de escalação e suítes submersas, entre outros. Ele possui 336 apartamentos distribuídos sobre 18 andares, e levou 12 anos para ficar pronto, e durante o processo foram patenteados 12 métodos únicos em construção civil.

 

Ao lado dessas de outras obras já existentes, numerosos projetos encontram-se nas pranchetas, como a pirâmide subterrânea invertida “BNKR” da Cidade do México, com profundidade de 65 andares. Em Cingapura, uma Cidade da Ciência para 4000 cientistas está sendo planejada no subsolo, onde os canteiros de obras são particularmente raros naquela cidade-estado.

 

Não devemos esperar que futuramente esse tipo de construção passe a ser um novo padrão, mas, com certeza, ele será uma opção quando sabemos que em futuro não muito distante, de cada três habitantes da Terra, dois viverão em ambientes urbanos, muitas vezes de uma crescente escassez de espaço e falta de superfície não edificada.

 

O meio ambiente agradecerá. 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

A Mudança Energética

 

A Mudança Energética

(*The Energy Change”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A partir de certo momento na evolução da espécie homo, a força corporal do indivíduo não bastava mais para atender às necessidades existenciais, cada vez mais demandantes de energia. Ao longo de milênios, o homem aprendeu a dispor de energia extracorporal fornecida por animais domesticados, pelo vento para acionar velas e moinhos e pela água, tocando artefatos. Apesar de novas ferramentas, do arado à bigorna e de ferramentas de corte, a energia disponível era aquela de que o homem dispunha, intelectual e fisicamente,

 

A maior revolução até então veiou com a máquina de vapor, utilizada em terra e no mar. Em seguida a energia elétrica gerada em usinas termoelétricas, uma vez que nem sempre a natureza oferece condições hídricas favoráveis. Depois entrou em cena o petróleo, acionando milhões de motores de combustão interna. A humanidade passou a utilizar energia a partir de recursos naturais, através do calor gerado pela decomposição de matéria, seja lenha, seja carvão, petróleo ou similares. Entretanto, a natureza disponibiliza, mas cobra. Lamentavelmente levou décadas para que essa cobrança fosse percebida em toda sua severidade.

 

A princípio, de renovável mesmo, somente a energia eólica de aplicação muito restrita e a energia hídrica – já servindo ao homem por mais de 5.000 anos. Mas lentamente começou a surgiu um repensar sobre os recursos energéticos modernos. Com o avanço da Revolução Industrial, a energia hidrelétrica foi um dos pilares mais importantes da produção energética; as primeiras turbinas geradoras de eletricidade foram desenvolvidas em meados do século 19. Hoje, participando com 14,3% (4.210 TWh) é a maior variante de energia renovável disponível. (As energias fósseis perfazem hoje ainda 70,6% - 23.574 TWh – do total de energia gerada ao redor do globo).

 

As primeiras células fotovoltaicas foram usadas em 1958 na missão do satélite americano Vanguard. No entanto, levaria quase 20 anos até que sistemas terrestres fossem instalados. Em 1976, o governo australiano decidiu equipar a rede de telecomunicações do interior do país com células solares para carregar as baterias ali instaladas. Apenas a partir de 1990 iniciaram-se modestos programas oficiais de mini-unidades fotovoltaicas, como, por exemplo, o dos mil telhados na Alemanha, ou o de 70.000 telhados no Japão. A tecnologia foi aprimorada e, embora possamos não ter a percepção da sua dimensão, a energia fotovoltaica contribui hoje com 5,5% (1.631 TWh) para o mix energético mundial.

 

As primeiras tentativas de gerar eletricidade com turbinas eólicas foram feitas já no final do século 19. Nas décadas de 1930/40, os primeiros testes bem-sucedidos com turbinas eólicas foram realizados nos EUA e na Alemanha, mas sem aplicação imediata. A primeira turbina que alimentou com sucesso a rede elétrica por um longo período de tempo foi a turbina eólica Gedser na Dinamarca. Essa modalidade energética tornou-se mais visível com suas grandes estruturas distribuídas pela paisagem, por isso sendo inicialmente muito criticadas pelos ecologistas. Mas, essa modalidade energética provou sua validade, em terra e off-shore, hoje gerando 6,9% (2.304 TWh) do total de energia gerada no mundo.

 

Energia proveniente de biomassa começou a ser gerada em escala bastante reduzida a partir dos anos de 1950, mas somente em fins do século XX, essa forma de energia ganhou expressividade, seja na forma de biogás, de álcool ou outros produtos de menor expressão. Mesmo assim, essa energia representa 2,4% (697 TWh) do total energético.

 

Onde situam-se hoje as maiores produções das diversas modalidades de energia renovável? Os maiores geradores de energia hídrica são Austrália, China, Colômbia e Nigéria; de energia eólica, China e EUA; de energia fotovoltaica, China (com 63% do total mundial dessa modalidade); e de biomassa, China, Japão, Brasil e Uruguai.

 

Indubitavelmente, os recursos energéticos renováveis assumiram um papel importante na economia energética mundial. Assim, em 2024, a energia eólica e solar juntas geraram mais eletricidade do que a energia hidrelétrica. Já em 2025, o conjunto das energias renováveis ultrapassará o carvão e se tornará a maior fonte de geração de eletricidade. E em 2028, as fontes de energia renováveis deverão responsáveis por mais de 42% da geração global de eletricidade, com a eólica e a fotovoltaica dobrando para 25% da capacidade total. Finalmente, para o período de 2025 a 2029, espera-se um crescimento médio anual de 4,22%, em, busca da meta de que em 2030 se consiga alcançar um equilíbrio entre energias fósseis e renováveis.

 

O planeta agradecerá.