Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras.
(“XXI Century Caves, or
Earth-Scrapers” - This text is written in a way
to ease comprehensive electronic translation)
Klaus
H. G. Rehfeldt
Igual a outras mudanças
radicais e a redefinições, a construção civil e a arquitetura têm sofrido
profundas revisões em suas concepções de moradia e local de trabalho –
obviamente seguindo novas realidades econômicas e demográficas. Depois de uma
longa cultura de edificações de um, ou poucos andares, surgiram nos Estados
Unidos as primeiras respostas a um tradicionalismo vencido por novas
necessidades econômicas e avanços tecnológicos. Assim, num mundo de edificações
urbanas de baixa estrutura, na cidade de Chicago, foi construído em 1885 o Home
Insurance Building com espantosos 10 andares e 42 metros de altura, substituindo prédios antigos de madeira que tinham
sido destruídos por um incêndio.
Daí em
diante, o céu passou a ser o limite. Outros edifícios, chamados de arranha-céus, foram
erguidos como resposta a demandas de modernismo e r4acionalização de espaço
urbano. A verticalização das cidades é uma tendência crescente e que conta com
diversos avanços tecnológicos, hoje os arranha-céus atingindo facilmente Altura
de 40 andares, chegando a quase loucuras de perto de 1.000 metros de altura. As estruturas de aço, inicialmente utilizadas, foram substituídas
por outras de concreto armado. Recentemente despontaram prédios estruturados
quase exclusivamente em madeira, chegando a mais de 80 metros de altura, como o
Mjøstårnet, Trontheim, Noruega, e o
HoHo, Viena, Áustria.
De repente, uma surpresa, a inversão
para baixo. Na verdade, o homem conhece a moradia total ou parcialmente
enterrada desde tempos remotos, quando populações de regiões frias, por
exemplo, na América do Norte, Groenlândia e Islândia, viviam em moradias dessas
modalidades, cobertas por terra e vegetação como forma de proteção contra o
frio. Existe um exemplo na Austrália, mas contra o calor. Outro exemplo são as
centenas de cidades subterrâneas na atual Turquia (Derinkuyu é uma delas) com até 18 andares de
profundidade, sistemas de ventilação e até estimados 50.000 habitantes, existindo
(abandonados) há aproximadamente 4.000 anos.
Portanto, a ideia da moradia subterrânea
não é novidade. Entretanto, a versão 2000 de edificações subterrâneas, possui parâmetros
totalmente diferentes. São os assim chamados ‘arranha-terras’. Sim, eles
existem. São arranha-céus ‘de cabeça para baixo’. Eles chegaram para revolucionar a
arquitetura. Com um conceito inovador, procuram otimizar espaços urbanos
saturadas, liberar superfícies naturais e intencionam enfrentar os desafios
climáticos e ambientais do futuro. Suas
estruturas se estendem por vários níveis subterrâneos. Mas não faltaram enormes desafios, tais como iluminação, ventilação,
humidade, drenagem e custos de construção, mas também intangíveis como a adequação
psicológica.
Fato é,
que já existem. Os invernos canadenses são rigorosos - o que pode explicar a
afinidade dos canadenses com os bairros subterrâneos de Toronto. Em Montreal
existe um sistema de túneis de 30 quilômetros, com várias centenas de lojas e
restaurantes. O projeto é conhecido como Cidade Subterrânea, ou Ville
Souterrain (Vila Subterrânea), uma paisagem urbana subterrânea, apelidada
simplesmente de " a rede".
Na década
de 1970, Mao Zedong mandou construir Dixià Chéng em Pequim. O sistema de túneis
e bunkers de 85 quilômetros quadrados deveria fornecer proteção para seis
milhões de pessoas no caso de uma guerra nuclear com a Rússia. Abriga escolas,
lojas, cabeleireiros, restaurantes, armazéns – simplesmente tudo o que compõe
uma estrutura urbana. No entanto, os quartos não se destinavam a uma habitação
permanente. A guerra nuclear não se materializou e, após a abertura econômica
da China, Pequim cresceu para cerca de 21 milhões de habitantes. Por outro
lado, as moradias para a população pobre estão se tornando cada vez mais
escassas. Assim, em caráter de adaptação, o Ministério da Defesa entregou as instalações
de proteção nas mãos de proprietários privados, que as alugam para
trabalhadores migrantes e estudantes. Assim, a também chamada "Cidade
Nuclear” oferece um teto para cerca de um milhão de pessoas. Estranhos não têm
acesso ali, as entradas são estritamente vigiadas.
O
InterContinental Shanghai Wonderland é o primeiro hotel
"arranha-terra" do mundo, construído em uma pedreira abandonada. O
hotel cinco estrelas tem 88 metros de profundidade e possui as mais diversas
atrações, como aquários, uma queda d’água para dentro de uma piscina, parede de
escalação e suítes submersas, entre outros. Ele possui 336 apartamentos
distribuídos sobre 18 andares, e levou 12 anos para ficar pronto, e durante o
processo foram patenteados 12 métodos únicos em construção civil.
Ao lado
dessas de outras obras já existentes, numerosos projetos encontram-se nas
pranchetas, como a pirâmide subterrânea invertida “BNKR” da Cidade do México,
com profundidade de 65 andares. Em Cingapura, uma Cidade da Ciência para 4000
cientistas está sendo planejada no subsolo, onde os canteiros de obras são
particularmente raros naquela cidade-estado.
Não
devemos esperar que futuramente esse tipo de construção passe a ser um novo
padrão, mas, com certeza, ele será uma opção quando sabemos que em futuro não
muito distante, de cada três habitantes da Terra, dois viverão em ambientes
urbanos, muitas vezes de uma crescente escassez de espaço e falta de superfície
não edificada.
O meio
ambiente agradecerá.