sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Eu, Ignaro Digital

 

Eu, Ignaro Digital

      („Me, a Digital Ignorant” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Sexta-feira, 10 horas, recebo no meu celular uma mensagem do tal whatsapp, informando a necessidade de atualização do aplicativo e a consequente inserção de um código a ser recebido pelo tal SMS (para mim, soa a indústria química). A experiência das coisas reais e concretas dos meus 85 anos de vida recomenda atender ao apelo. Atendi, e dancei!

Na mesma sexta-feira, um pouco depois das 11 horas, toca o telefone e uma ex-colega de faculdade, há anos no silêncio, quer confirmar um pedido meu de empréstimo de dinheiro pelo whatsapp. Em seguida, um telefonema de Floripa pelo mesmo motivo, logo mais, outro igual do Canadá, ... Apelo por ajuda a netos e amigos e fica claro e urgente o próximo passo: correr à loja do meu servidor, deixando metade do almoço no prato. Enquanto isso, minha mulher avisa em seu celular a todos os amigos comuns sobre nossa vitimização pela violação cibernética (vulgo, crime digital).

Lá chegando e ao me ouvir, o atendente não conseguiu esconder, além de sua gentileza profissional, um misto de expressão entre incompreensão e misericórdia pela minha ignorância virtual. Mas valeu a disposição de me ajudar mesmo fora dos serviços previstos e oferecidos pelo servidor. Claro, é loja, não manual ao vivo. Resumo do resultado – esperar sete dias para uma reativação do aplicativo.

O próximo passo leva à delegacia de polícia para expedição de um boletim de ocorrência (BO), afinal, a ação visa obter dinheiro de forma criminosa. E recebo outra prova da minha incultura digital. Depois da primeira frase da minha explicação, o delegado começou a digitar sem mais perguntas, somente a hora do ocorrido. Recebo o documento e agradeço. Já, sentado no carro e lendo o BO com uma exata descrição do ocorrido, invadiu-me um alívio imenso e uma certeza – há mais, aparentemente muito mais, ignaros digitais (e muito mais bandido digital do que imaginamos!). Como não recebi qualquer cobrança, concluo que ninguém caiu no golpe.

Existe remédio, tem cura para mim? Não mais, mas tem neto que resolve (quase) tudo. O que esses netos não sabem é que eles certamente chegarão a um momento de tornarem-se ignaros das tecnologias que regerão sua vida aos 80 (ou já antes); afinal, nossos avós sequer sabiam montar um rádio de galena, a máquina de escrever era uma revolução, o campo era semeado à mão e a braguilha era com botão.

Estamos caminhando para um mundo dividido numa elite digital e a massa de usuários – e dependentes – dos recursos que tal elite disponibiliza?   

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O Medo de Ficarmos Menos

 

O Medo de Ficarmos Menos.

 

(“The Fear of Becoming Less” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Vivemos com a tradicional e inabalável ideia de um mundo com cada vez mais habitantes em todas as suas partes. Na verdade, trata-se, há algum tempo, de um equívoco com relação a muitos países, especialmente europeus. Itália, Grécia e Bulgária, ao lado de outros quase 20 países do continente, mas também o Japão, Taiwan e Coreia do Sul estão projetando reduções entre 10% e 20% de suas populações nos próximos 30 anos. Essas projeções não consideram os efeitos de covid-19 que, na verdade, dão um impulso extra, mas temporário, a essa involução.

O Brasil com uma taxa atual de 1,7 filhos por mulher, 0,4 abaixo da taxa de manutenção populacional, caminha na mesma direção, um curso, por enquanto, ainda atenuado pelo aumento da nossa expectativa de vida. Assim, registramos mais nascimentos que mortes – ainda, porque tal aumento encontrará limites. Mas, a tendência está clara. Nem o baby boom profetizado como resultado do ‘fique em casa’ aconteceu. Pelo contrário, houve uma queda de 7,5% nos nascimentos em 2020 em relação ao ano anterior. Por outro lado, a pandemia causou um aumento de 15% nos óbitos em 2020 e, com isso, uma antecipação de mortes de idosos, o que terá sensível influência na pirâmide etária dos próximos anos.

A perspectiva de uma estagnação e posterior crescimento negativo – sem previsão de duração – de uma população é inédita na história da humanidade. Portanto, não surpreendem reações de cautela, alimentadas pela incerteza do inusitado, do novo.

Na realidade, trata-se de uma mudança nada dramática. Dos 2,8% de crescimento populacional em 1980, estamos nos aproximando atualmente do ponto de crescimento zero (que será apenas um instante), para então entrar em redução da população. Uma diminuição de cerca de 1% ao ano já se constata a mais de uma década nas matrículas de entrada no ensino fundamental com uma queda média de 1% ao ano.

Mudanças populacionais dessa ordem praticamente não são percebidas pelas pessoas no curto prazo. Já o poder público notará um número decrescente de contribuintes e os prestadores de serviços registrarão quedas de clientes. Investimentos historicamente destinados à expansão contínua de infraestruturas poderão ser direcionados ao seu aperfeiçoamento. A economia se ajustará à nova realidade recheada de mudanças expressivas – ela sempre se ajusta. A redução na demanda quantitativa deverá ser substituída pela qualitativa, agregando cada vez mais serviços a produtos mais e mais personalizados. E sempre menos pessoas se beneficiarão das riquezas construídas pelas gerações anteriores.

Menos filhos significam mais chances e mais recursos para sua formação. Da mesma maneira, a cada geração menos herdeiros repartirão o patrimônio familiar, que tenderá a se concentrar ao em lugar dos tradicionais aquinhoamentos.

O panorama, por mais inusitado que seja, parece favorável. De uma maneira geral, o grau de liberdade do indivíduo é inversamente proporcional ao número desses. Até no aspecto sanitário, densidades populacionais menores asseguram padrões sanitários melhores e taxas de contágio mais amenas.

Tudo neste mundo é cíclico e a atual inversão demográfica encontrará, em algum momento, uma reversão. Atualmente, um pequeno impulso extra, dado pela pandemia em curso, está contribuindo para um desejável período de repouso ao nosso planeta e, em resumo, nada justifica medos por motivo dessas novas perspectivas demográficas. Um mundo com novas dinâmicas, novos objetivos e novas racionalidades regerá a humanidade. É um futuro promissor e inexorável, a ponto de merecer ser lembrado nas decisões de longo alcance.       

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Frágil, mas Nocivo.

 

Frágil, mas Nocivo.

 

“Frail, but HarmfulThis text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Há mais de 10 mil anos e o homem, igual aos outros seres vivos, deixou de viver numa simbiose perfeita com a natureza. Até então, caçador e coletor, era elo integrado na fauna e fauna, de macro e micro-organismos. Ele competia com outras criaturas pela sua existência, cada um dotado de constituição e habilidades próprias para assegurar e defender sua vida. Sua liberdade terminava nos seus limites físicos e mentais.

            A fixação na terra e a consequente urbanização começaram a mudar radicalmente esse estado de equilíbrio. Enquanto os caçadores e colhedores extraiam da natureza somente o necessário para viver, ou seja, essencialmente alimentos, a propriedade, seu beneficiamento, sua manutenção e sua defesa passaram a requerer recursos adicionais subtraídos da natureza, como pedras, madeira, colmo, mais tarde minérios – e o trabalho alheio. Da vida na natureza resultou uma vida da natureza.

Ao longo dos tempos, à propriedade somou-se a riqueza, isso é, a acumulação de bens prescindíveis ao atendimento das necessidades básicas. Luxos a suntuosidades de poucos levaram aos nossos dias de generalizado consumo irrefreado de supérfluos de toda espécie com imensas necessidades de matérias primas, enorme consumo energético e gigantescas produções de resíduos, lixos e poluentes sólidos, líquidos e gasosos. Tudo para tornar nossas vidas mais ‘saudáveis’, fáceis e confortáveis. A Terra supre da grama ao nióbio, e recebe produtos transformados e toxicamente concentrados que deverá novamente integrar ao seu estado de equilíbrio físico, químico e biológico.

A aspiração constante por uma vida com mais saúde, facilidade e conforto trouxe inúmeros benefícios para a humanidade, sejam eles materiais, ou imateriais. Mas ao mesmo tempo tornou o homem crescentemente dependente das suas próprias conquistas civilizatórias. Salvo algum lavrador lá do fim da picada, que cidadão moderno conseguiria (sobre)viver na natureza por um tempo mais prolongado? Bastaria um colapso total de energia de alguns dias (por exemplo, decorrente de algum acidente cósmico, como uma erupção solar de maior dimensão) – sem supermercados, combustíveis, TV, canais de comunicação, simplesmente nada funcionando – e mais da metade da população nem sequer chegaria a fontes naturais de alimentos e água que pudessem sustenta-la. Mesmo chegando lá, os clicadores de smartphone saberiam como se beneficiar dos recursos desse ambiente? Vivemos numa evolução tecnológica sem igual na nossa história, mas faltam-nos tecnologia para avaliar e determinar, e coragem para assumir as consequências danosos dos nossos abusos contra o planeta que nos abriga.

Por outro lado, a humanidade nunca chegou a níveis tão elevados de expectativa de vida. Em parte, pela diminuição da mortandade infantil ou em idades adultas – por enfermidades agudas, ou crônicas –, mas também pela própria longevidade atingida por um número cada vez maior de pessoas. Todos esses fatores, no entanto, têm uma causa: a medicina moderna. A dimensão desse suporte à saúde fica clara quando sabemos que em 2018, a receita gerada pela indústria global de alimentos e bebidas foi de US$ 8 trilhões, a propiciada pela indústria farmacêutica, de US$ 1,2 trilhões, item que a 200 anos atrás era praticamente igual a zero. Em outras palavras, par cada R$ 100 gastos para comida, outros R$ 15 pagam, medicamentos; obviamente com maior concentração na população mais idosa com medicação contínua. Assim surge a pergunta: quantas pessoas deixariam de estar entre nós sem tal suporte medicinal? Prova atual dessa fragilidade evidencia-se na elevada taxa de mortandade na combinação do corona-vírus covid-19 com comorbidades, ou seja, debilidades preexistentes controladas, ou não, medicinalmente – assegurando artificialmente condições de vida naturalmente improváveis, senão impossíveis. Na ausência de medicação contínua, milhões de vidas seriam impensáveis, outras teriam essência, mas sem autonomia.

A vida com cada vez mais facilidades e confortos torna-se menos demandante aos nossos organismos, estrutural e funcionalmente. A resposta biológica é evidente: uma gradual perda de vigor e uma crescente fragilidade do arcabouço físico e mental. A compensação encontra-se no balcão da farmácia, até o momento em que a mão não conseguir mais segurar a bengala – o dia da derrocada final.

Fica uma certeza: esta humanidade se extinguirá antes das florestas, muito antes! E dificilmente haverá uma segunda.

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A Demonização da Oposição

 

A Demonização da Oposição

 

(“Satanizing of the Opposition” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Nota: Nunca comunguei de qualquer ideário socialista/comunista.

 

Inegavelmente, a partir da primeira cerca instituindo uma propriedade, a evolução civilizatória avançou naturalmente para um modelo socioeconômico chamado de capitalismo. Todos os bens materiais ou imateriais tornaram-se passiveis de negociação em busca de algum proveito ou lucro. E nem todo lucro com caraterísticas win-win. Passando por milênios com proprietários de terra e vassalos, uma minoria economicamente independente e um gradual avanço técnico nos meios de produção e distribuição desembocamos numa revolução industrial e num consequente capitalismo descontrolado amplamente conhecido.

A pobreza, até então lá longe no campo, invadiu as cidades onde ganhou visibilidade na sociedade. Em resposta surgiram movimentos de trabalhadores cobrando direitos inéditos e os ideários democráticos encontraram eco e se fortaleceram.              

            Na realidade, as democracias (ou tentativas de) não nasceram da vontade de ‘fracos e oprimidos’, em geral também iletrados, mas de detentores de poder secundário e subordinado, mas peso e influência na sociedade. (As guerras de camponeses na Europa do século XVI, por exemplo, nada, ou muito pouco, conseguiram mudar nas estruturas feudais da época, mas esvaziaram-se na falta de base política.) Coincidência, ou não, os objetivos centrais dos democratas de primeira hora em busca de espaço, e dos socialistas (ou até marxistas) com suas causas ganhando repercussão, não conflitaram, mas se avigoraram mutuamente.

O bipartidarismo típico das primeiras democracias tende a cristalizar os ideários da situação e da oposição da vez. Mesmo não sendo um regime perfeito, seus benefícios para as nações de regime democrático são inegáveis. Surgiram democracias pluripartidárias, dando espaço a mais facetas representativas, mas que no fim resultaram também em situação e oposição, num mundo de economia da livre iniciativa sempre redundando no confronto entre acumulação e redistribuição das riquezas geradas.

Desvios de propósito e abusos sempre houve, e sempre haverá, em geral decorrentes de desequilíbrios entre os poderes. Destacam-se ultimamente entre eles diversas modalidades de populismo, amplamente beneficiadas pelas facilidades de intercomunicação instantânea proporcionada pelas redes sociais. Estratégia típica dos populistas é a divisão da população em ‘nós’, imbuídos de simpatia à paixão, e ‘eles’, passivos de aversão ao ódio.

Uma nação assim dividida se torna frágil política e economicamente, interna e externamente. A oposição legalmente constituída, mas também outros poderes moderadores, são transfigurados em supostos inimigos do governo e do povo e entre ´nos’ é criado um espírito belicoso, cuja difusão se beneficia dos modernos meios de comunicação. Suprimem-se respeito e decoro, e ódios desenfreados, conspirações, difamações e inverdades são disseminados sem quaisquer critérios ou filtros éticos. Voltamos aos tempos primitivos da humanidade? Só falta a borduna? É verdade que apesentar uma crítica bem argumentada é bem mais trabalhoso e demandante de inteligência do que um xingamento ou uma mentira. Mass também é verdade quer não se constrói a prosperidade de uma nação com xingamentos e mentiras. Arisco-me a dizer que o povo é do bem e consciente de que atitudes negativas não produzem resultados favoráveis.

O preâmbulo da constituição de Alemanha reza: “A dignidade da pessoa é intocável”, o que obriga o Estado a assegurar e defender essa dignidade. Não é o nosso caso. Resta então a pergunta, ‘o que fazer?’ NADA, mas entender tais desvios de comportamento cívico como provocações que não merecem reação, ignorar, e deixar os agentes – diretos e indiretos – onanizar-se em suas iras e consumir-se no próprio ácido. (Peguei pesado, sim, mas é o que a hostilidade, truculência e a seriedade da situação exigem.)

O SALDO POSITIVO DO SUCESSO DA HUMANIDADE PROVÉM DE UMA VIDA HARMONIOSA EM SOCIEDADE.

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Hidroxicloroquina / Cloroquina

 

Hidroxicloroquina / Cloroquina

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O presente texto, diferentemente dos costumeiramente escritos, é a tradução, pelo autor, de dois textos publicados em revistas especializadas da Alemanha. O motivo é subsidiar conhecimentos e ajudar em dirimir eventuais dúvidas.

 

Texto 1.

 

quarks.de/Gesundheit

Coronavírus – Quais terapias ajudam contra o coronavírus? Como funcionam os antimaláricos?

 

Os preparados hidroxicloroquina ou cloroquina têm sido usadas há muito tempo principalmente em pacientes com malária, pois interferem nos processos metabólicos do parasita. Entretanto, o parasita da malária tornou-se em grande parte imune à droga. O medicamento prescrito também ajuda pacientes com doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide.

Na pandemia do coronavírus havia no início deste ano esperança de que a cloroquina também funcionasse contra o novo patógeno SARS-CoV-2. Estudos menores da França e da China em pacientes com Covid-19 sugeriram que a droga atenua a infecção, especialmente em pacientes gravemente doentes, retardando a propagação do vírus no corpo. O presidente dos EUA, Donald Trump, até defendeu o uso de hidroxicloroquina como uma proteção preventiva contra a contaminação pelo novo vírus.

 

Agentes contra a malária não reduzem o risco de ventilação

No entanto, um estudo dos EUA com um número relativamente grande de 368 pacientes hospitalizados de covid-19 chegou a uma conclusão muito diferente no final de abril. A avaliação mostrou que esses antimaláricos não reduzem o risco de ventilação mecânica. Em vez disso, o tratamento pode até aumentar a mortalidade. Um estudo brasileiro foi até descontinuado porque foram observados históricos de doenças graves e até fatais em relação à administração de cloroquina.

Especialmente em combinação com certos antibióticos, como azitromicina, o tratamento com cloroquina pode levar a arritmias cardíacas com risco de vida, de acordo com a carta de medicamentos para informações independentes sobre drogas. O antibiótico pode ser dado em pacientes Covid-19 com pneumonia grave contra infecção bacteriana.

 

Efeitos colaterais incluem alucinações

Para grupos de risco com doença cardíaca pré-existente ou função renal reduzidas, o risco de arritmias cardíacas do tratamento com cloroquina é particularmente alto. Outros possíveis efeitos colaterais da droga incluem hipoglicemia, anemia, confusão ou alucinações.

"Em pacientes com doenças autoimunes, esses efeitos colaterais não são o problema", diz Wolf-Dieter Ludwig, presidente da Comissão de Medicamentos da Associação Médica Alemã. Aqui, doses muito menores seriam administradas em comparação com os tratamentos de pacientes Covid-19. O uso fora do rótulo (off-label) de cloroquina para suposta proteção contra SARS-CoV-2 é particularmente problemático para esses pacientes, pois pode haver gargalos no mercado farmacêutico.

A Comissão de Medicamentos da Associação Médica Alemã, bem como a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) advertiram explicitamente em abril contra tomar a droga antimalárica como uma suposta medida protetora contra o SARS-CoV-2 devido aos possíveis efeitos colaterais graves.

 

A eficácia não pôde ser confirmada

Além dos riscos, agora está claro que a eficácia da hidroxicloroquina e cloroquina em Covid-19 também não foi confirmada. Em meados de junho, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA revogou sua licença excepcional de curto prazo para a hidroxicloroquina para o tratamento de casos graves covid-19. Menos de uma semana depois, a OMS também anunciou que interromperia os estudos em andamento por equipes internacionais de pesquisa com a droga contra a malária.

 

Texto 2.

 

vfa. Die forschenden Pharma-Unternehmen

21. Januar 2021

 

Medicamentos terapêuticos para infecção por coronavírus Covid-19

 

Contra a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, não apenas vacinas são desenvolvidas, mas também medicamentos existentes são testados e novos são inventados.

Vários medicamentos contra malária têm recebido muita atenção em alguns momentos, incluindo aqueles que contêm os ingredientes ativos cloroquina e hidroxicloroquina. Após testes laboratoriais positivos contra SARS-CoV-2, eles foram testados pela primeira vez na China, mais tarde também em outros países em estudos. No entanto, os resultados de vários estudos indicaram que os medicamentos não possuem saldo positivo de risco-benefício, pelo menos em pacientes em determinados estágios da doença. Portanto, os estudos com cloroquina/hidroxicloroquina foram interrompidos no Solidarity-Study da OMS e uma aprovação provisória emergencial para hidroxicloroquina nos EUA foi revogada.

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

No Início Está a Maçã?

 

No Início Está a Maçã?

 

(“Does It Start with the Apple?” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. H. Rehfeldt

 

Durante centenas de milhares de anos, nossos antepassados viviam simples e diretamente na natureza. Extraiam dela o necessário para sua subsistência elementar, sem excessos, sem desperdícios, num continuo processo de trocas e renovação. E no fim da vida retornavam à natureza. Frutas e animais eram captados em seus habitats e sem qualquer interferência no equilíbrio ambiental.

Não sabemos com clareza qual foi o fator ou evento que iniciou a distinção do homem primitivo de outros gêneros homo e do restante da fauna – talvez uma melhor comunicação através da fala. Existe, no entanto, um momento de ruptura, da vida na natureza para aquela da natureza com a transformação de recursos naturais em outros artificiais. Terá esse sido o momento da bíblica expulsão do homem do paraíso? E da consequente busca de amenizar as agruras da preservação da existência?

Essa transformação consiste em criar um produto a partir do trabalho em materiais naturais, do processamento ou a combinação desses recursos. É o que se chama de criação de massa antropogênica. Tudo indica que a madeira tenha sido o primeiro material natural usado na fabricação de ferramentas e armas, seguida pelos tecidos e o barro na transformação de biomassa em material antropogênico na forma de tijolos ou vasilhames. Seguiram-se a mineração, as edificações, mas também os utensílios e artefatos em contínuo aperfeiçoamento e número crescente.

Ao longo dos séculos, a massa antropogênica em diversidades e quantidade como estradas, pontes, tornos e bigornas, carroças, navios e muito mais, tudo a partir de tudo que podia servir como matéria prima. No período das navegações ibéricas, por exemplo, a grande maioria das florestas portuguesas foi transformada em caravelas. As cidades cresciam, móveis e utensílios sofreram constante refinamento, as guerras frequentes clamavam por armas e defesas, a fé exigia a construção de templos cada vez maiores e mais opulentos, e burgos, castelos e mosteiros multiplicaram-se e ficavam mais requintados. Tudo às custas de substâncias orgânicas ou anorgânicas do nosso planeta.

Chegou a revolução industrial. Matérias primas de toda ordem e origem são exploradas para produtos finais, incluindo seus processos de refino, transformação e fabricação. Ao lado disso, toda uma infraestrutura surge para garantir o suprimento de energia e os fluxos de bens e pessoas. Em fins do século XIX, só na Europa Central já havia uma rede de ferrovias de cerca de 150 mil quilômetros, significando 27 milhões de m3, ou 21 milhões de toneladas de dormentes – de biomassa.

Carvão, minerais ferrosos e não ferrosos, petróleo, madeira, calcário e muito mais é subtraído a cada momento e ano após ano da nossa biomassa e geomassa com o destino de se constituir em massa antropológica na forma natural ou beneficiada física ou quimicamente.

 O crescimento populacional exponencial nos últimos 100 anos acelerou esse processo de transformação de biomassa e geomassa em material antropogênico. Segundo pesquisadores do Weizmann Institute of Science em Israel, somente a massa de todos os plásticos sobre a Terra é maior que a massa de todos os animais terrestres e marítimos. Os mesmos pesquisadores concluíram que desde 1900 a massa antropogênica dobrou a cada 20 anos. Era de cerca de 3% naquela época e poderá estar ultrapassando atualmente aos 100%, na quantidade de mais de 30 giga-toneladas por ano. Isso significa que por semana produz-se massa antropogênica com peso igual ao de toda a humanidade.

Por outro lado, a imensa perda de biomassa de duas terá-toneladas em 1900 para uma terá-tonada atual contribui para tal igualdade assustadora. Por exemplo, a vegetação cultivada e não perene de milhões de hectares de monoculturas substituiu a vegetação original, muitas vezes abundante – não raro através de desmatamentos.

Uma projeção dos mencionados pesquisadores afirma que na continuação da atual tendência, a massa antropogênica poderá ser três vezes maior que a biomassa por volta de 2040. Encontramo-nos definitivamente no antropoceno, uma nova era do nosso planeta, em que a humanidade é e força formativa. Com que futuro, está escrito nas estrelas. Virtualmente?   

 


domingo, 20 de dezembro de 2020

Vacinação Obrigatória

 

A Obrigatoriedade da Vacina

 

(“Compulsory Vaccination” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Comentários e posicionamento sobre a obrigatoriedade, ou não, da vacina contra o Covid-19 estão se tornando recorrentes nos mais diversos canais de mídia. Nas próprias instâncias governamentais não há unanimidade, nem no Brasil, nem em outros países. Há argumentos os mais diversos entre técnicos, políticos e religiosos a favor e contra uma vacinação compulsória. Não devemos esquecer, porém, que a mesma já existe com relação a outras doenças infecciosas, lembrando, por exemplo, os imunizantes indicados no Plano Nacional de Vacinação (PNI). Essas vacinas são obrigatórias para crianças e adolescentes, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os pais que se recusarem a levar os filhos para se imunizarem podem sofrer sanções. São, por exemplo, a vacina BCG (Bacilo Calmette-Guerin), ou a pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e todas as infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B). A obrigatoriedade em si deveria, portanto, estar fora de questão.

            No caso específico das diversas vacinas desenvolvidas, ou em desenvolvimento contra o Covid-19 observamos obviamente um insuflamento da polêmica por razões políticos-ideológicos.

Tudo indica, porém, que toda a questão da vacinação, ou não, será tratada e resolvida num plano muito mais pragmático. Precisamos nos convencer da probabilidade de que teremos que conviver por muito tempo com esse vírus e eventuais outros a vir. Enquanto vivermos em cidades com até 42 mil habitantes por quilómetro quadrado e podendo chegar a qualquer lugar no mundo em menos de 24 horas, o risco de propagação rápida e incontrolável de qualquer vírus é inevitável.

Como aprendemos muito na maneira como lidar com a pandemia atual, também aprenderemos como nos proteger na medida do possível, com ou sem lei de obrigatoriedade. Resulta daí, que medidas muito práticas e simples deverão condicionar a tomada de decisão a favor ou contra a vacinação por parte do sistema e da própria população a partir no momento da disponibilidade das vacinas. Nada impedirá que países exijam o atestado de vacinação no momento de entrada por via aérea ou terrestre. Cruzeiros e outras atividades em turismos coletivos, mas também hotéis, ou similares, podem optar pela exigência dessa certificação para seus clientes e hóspedes. E empresas podem exigir na contratação que candidatos a emprego submetam prova de vacinação. A lista pode ser estendida para companhias aéreas e outras que concluam que não querem incorrer no risco de macular seu bom conceito por negligência nesse aspecto.

Tudo, no entanto, dependerá da anuência voluntaria da população aos planos de vacinação proporcionados pelo governo. Quanto maior ela for, menos e menores são as eventuais medidas protetoras possíveis por entidades não governamentais. De qualquer maneira, parece que um atestado digital de vacina contra o Covid-19 no celular deverá facilitar a vida.