sexta-feira, 14 de março de 2025

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras

 

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras.

(“XXI Century Caves, or Earth-Scrapers” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Igual a outras mudanças radicais e a redefinições, a construção civil e a arquitetura têm sofrido profundas revisões em suas concepções de moradia e local de trabalho – obviamente seguindo novas realidades econômicas e demográficas. Depois de uma longa cultura de edificações de um, ou poucos andares, surgiram nos Estados Unidos as primeiras respostas a um tradicionalismo vencido por novas necessidades econômicas e avanços tecnológicos. Assim, num mundo de edificações urbanas de baixa estrutura, na cidade de Chicago, foi construído em 1885 o Home Insurance Building com espantosos 10 andares e 42 metros de altura, substituindo prédios antigos de madeira que tinham sido destruídos por um incêndio.

 

Daí em diante, o céu passou a ser o limite. Outros edifícios, chamados de arranha-céus, foram erguidos como resposta a demandas de modernismo e r4acionalização de espaço urbano. A verticalização das cidades é uma tendência crescente e que conta com diversos avanços tecnológicos, hoje os arranha-céus atingindo facilmente Altura de 40 andares, chegando a quase loucuras de perto de 1.000 metros de altura. As estruturas de aço, inicialmente utilizadas, foram substituídas por outras de concreto armado. Recentemente despontaram prédios estruturados quase exclusivamente em madeira, chegando a mais de 80 metros de altura, como o Mjøstårnet, Trontheim, Noruega, e o HoHo, Viena, Áustria.

 

De repente, uma surpresa, a inversão para baixo. Na verdade, o homem conhece a moradia total ou parcialmente enterrada desde tempos remotos, quando populações de regiões frias, por exemplo, na América do Norte, Groenlândia e Islândia, viviam em moradias dessas modalidades, cobertas por terra e vegetação como forma de proteção contra o frio. Existe um exemplo na Austrália, mas contra o calor. Outro exemplo são as centenas de cidades subterrâneas na atual Turquia (Derinkuyu é uma delas) com até 18 andares de profundidade, sistemas de ventilação e até estimados 50.000 habitantes, existindo (abandonados) há aproximadamente 4.000 anos.  

 

Portanto, a ideia da moradia subterrânea não é novidade. Entretanto, a versão 2000 de edificações subterrâneas, possui parâmetros totalmente diferentes. São os assim chamados ‘arranha-terras’. Sim, eles existem. São arranha-céus ‘de cabeça para baixo’. Eles chegaram para revolucionar a arquitetura. Com um conceito inovador, procuram otimizar espaços urbanos saturadas, liberar superfícies naturais e intencionam enfrentar os desafios climáticos e ambientais do futuro. Suas estruturas se estendem por vários níveis subterrâneos. Mas não faltaram enormes desafios, tais como iluminação, ventilação, humidade, drenagem e custos de construção, mas também intangíveis como a adequação psicológica.

 

Fato é, que já existem. Os invernos canadenses são rigorosos - o que pode explicar a afinidade dos canadenses com os bairros subterrâneos de Toronto. Em Montreal existe um sistema de túneis de 30 quilômetros, com várias centenas de lojas e restaurantes. O projeto é conhecido como Cidade Subterrânea, ou Ville Souterrain (Vila Subterrânea), uma paisagem urbana subterrânea, apelidada simplesmente de " a rede".

 

Na década de 1970, Mao Zedong mandou construir Dixià Chéng em Pequim. O sistema de túneis e bunkers de 85 quilômetros quadrados deveria fornecer proteção para seis milhões de pessoas no caso de uma guerra nuclear com a Rússia. Abriga escolas, lojas, cabeleireiros, restaurantes, armazéns – simplesmente tudo o que compõe uma estrutura urbana. No entanto, os quartos não se destinavam a uma habitação permanente. A guerra nuclear não se materializou e, após a abertura econômica da China, Pequim cresceu para cerca de 21 milhões de habitantes. Por outro lado, as moradias para a população pobre estão se tornando cada vez mais escassas. Assim, em caráter de adaptação, o Ministério da Defesa entregou as instalações de proteção nas mãos de proprietários privados, que as alugam para trabalhadores migrantes e estudantes. Assim, a também chamada "Cidade Nuclear” oferece um teto para cerca de um milhão de pessoas. Estranhos não têm acesso ali, as entradas são estritamente vigiadas.

 

O InterContinental Shanghai Wonderland é o primeiro hotel "arranha-terra" do mundo, construído em uma pedreira abandonada. O hotel cinco estrelas tem 88 metros de profundidade e possui as mais diversas atrações, como aquários, uma queda d’água para dentro de uma piscina, parede de escalação e suítes submersas, entre outros. Ele possui 336 apartamentos distribuídos sobre 18 andares, e levou 12 anos para ficar pronto, e durante o processo foram patenteados 12 métodos únicos em construção civil.

 

Ao lado dessas de outras obras já existentes, numerosos projetos encontram-se nas pranchetas, como a pirâmide subterrânea invertida “BNKR” da Cidade do México, com profundidade de 65 andares. Em Cingapura, uma Cidade da Ciência para 4000 cientistas está sendo planejada no subsolo, onde os canteiros de obras são particularmente raros naquela cidade-estado.

 

Não devemos esperar que futuramente esse tipo de construção passe a ser um novo padrão, mas, com certeza, ele será uma opção quando sabemos que em futuro não muito distante, de cada três habitantes da Terra, dois viverão em ambientes urbanos, muitas vezes de uma crescente escassez de espaço e falta de superfície não edificada.

 

O meio ambiente agradecerá. 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

A Mudança Energética

 

A Mudança Energética

(*The Energy Change”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A partir de certo momento na evolução da espécie homo, a força corporal do indivíduo não bastava mais para atender às necessidades existenciais, cada vez mais demandantes de energia. Ao longo de milênios, o homem aprendeu a dispor de energia extracorporal fornecida por animais domesticados, pelo vento para acionar velas e moinhos e pela água, tocando artefatos. Apesar de novas ferramentas, do arado à bigorna e de ferramentas de corte, a energia disponível era aquela de que o homem dispunha, intelectual e fisicamente,

 

A maior revolução até então veiou com a máquina de vapor, utilizada em terra e no mar. Em seguida a energia elétrica gerada em usinas termoelétricas, uma vez que nem sempre a natureza oferece condições hídricas favoráveis. Depois entrou em cena o petróleo, acionando milhões de motores de combustão interna. A humanidade passou a utilizar energia a partir de recursos naturais, através do calor gerado pela decomposição de matéria, seja lenha, seja carvão, petróleo ou similares. Entretanto, a natureza disponibiliza, mas cobra. Lamentavelmente levou décadas para que essa cobrança fosse percebida em toda sua severidade.

 

A princípio, de renovável mesmo, somente a energia eólica de aplicação muito restrita e a energia hídrica – já servindo ao homem por mais de 5.000 anos. Mas lentamente começou a surgiu um repensar sobre os recursos energéticos modernos. Com o avanço da Revolução Industrial, a energia hidrelétrica foi um dos pilares mais importantes da produção energética; as primeiras turbinas geradoras de eletricidade foram desenvolvidas em meados do século 19. Hoje, participando com 14,3% (4.210 TWh) é a maior variante de energia renovável disponível. (As energias fósseis perfazem hoje ainda 70,6% - 23.574 TWh – do total de energia gerada ao redor do globo).

 

As primeiras células fotovoltaicas foram usadas em 1958 na missão do satélite americano Vanguard. No entanto, levaria quase 20 anos até que sistemas terrestres fossem instalados. Em 1976, o governo australiano decidiu equipar a rede de telecomunicações do interior do país com células solares para carregar as baterias ali instaladas. Apenas a partir de 1990 iniciaram-se modestos programas oficiais de mini-unidades fotovoltaicas, como, por exemplo, o dos mil telhados na Alemanha, ou o de 70.000 telhados no Japão. A tecnologia foi aprimorada e, embora possamos não ter a percepção da sua dimensão, a energia fotovoltaica contribui hoje com 5,5% (1.631 TWh) para o mix energético mundial.

 

As primeiras tentativas de gerar eletricidade com turbinas eólicas foram feitas já no final do século 19. Nas décadas de 1930/40, os primeiros testes bem-sucedidos com turbinas eólicas foram realizados nos EUA e na Alemanha, mas sem aplicação imediata. A primeira turbina que alimentou com sucesso a rede elétrica por um longo período de tempo foi a turbina eólica Gedser na Dinamarca. Essa modalidade energética tornou-se mais visível com suas grandes estruturas distribuídas pela paisagem, por isso sendo inicialmente muito criticadas pelos ecologistas. Mas, essa modalidade energética provou sua validade, em terra e off-shore, hoje gerando 6,9% (2.304 TWh) do total de energia gerada no mundo.

 

Energia proveniente de biomassa começou a ser gerada em escala bastante reduzida a partir dos anos de 1950, mas somente em fins do século XX, essa forma de energia ganhou expressividade, seja na forma de biogás, de álcool ou outros produtos de menor expressão. Mesmo assim, essa energia representa 2,4% (697 TWh) do total energético.

 

Onde situam-se hoje as maiores produções das diversas modalidades de energia renovável? Os maiores geradores de energia hídrica são Austrália, China, Colômbia e Nigéria; de energia eólica, China e EUA; de energia fotovoltaica, China (com 63% do total mundial dessa modalidade); e de biomassa, China, Japão, Brasil e Uruguai.

 

Indubitavelmente, os recursos energéticos renováveis assumiram um papel importante na economia energética mundial. Assim, em 2024, a energia eólica e solar juntas geraram mais eletricidade do que a energia hidrelétrica. Já em 2025, o conjunto das energias renováveis ultrapassará o carvão e se tornará a maior fonte de geração de eletricidade. E em 2028, as fontes de energia renováveis deverão responsáveis por mais de 42% da geração global de eletricidade, com a eólica e a fotovoltaica dobrando para 25% da capacidade total. Finalmente, para o período de 2025 a 2029, espera-se um crescimento médio anual de 4,22%, em, busca da meta de que em 2030 se consiga alcançar um equilíbrio entre energias fósseis e renováveis.

 

O planeta agradecerá.

 

 

 

 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Chove Chuva...

 

“Chove Chuva ...”

 

(“Rain Drops Are Falling on my Head...” - This text is written in a way to ease

prehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não haveria vida em nosso planeta sem a permanente circulação da água,

continuamente passando pelos ciclos de evaporação e precipitação. Entretanto, a

intensidade desses fenômenos naturais não é constante. Trata-se de fenômenos

naturais que, apesar de parecerem aleatórios, obedecem à rígidas lei físicas.

Em princípio, a evaporação se dá em decorrência do aquecimento da água de

rios, lagos e mares, quando átomos ou moléculas no estado líquido ganham energia

suficiente para passar ao estado gasoso, misturando-se à atmosfera. Paralelamente,

existe a evaporação parcial ou total da água consumida pela fauna e flora,

significativamente menor, mas ainda expressiva quando consideramos que uma

árvore adulta da floresta amazônica pode evaporar até 1.000 litros por dia (vide texto

“Os Rios Flutuantes” no mesmo blog).

 

O ciclo da água se completa com a precipitação da água evaporada e contida

na atmosfera em forma d chuva, granizo ou neve. Como sabemos não se trata de

um fenômeno contínuo, mas episódico, ou seja, em determinadas condições a

atmosfera descarrega a água em forma de vapor de água e condensada nas

nuvens.

 

Entretanto é preciso observar que os diversos tipos de nuvens causam

nenhuma, ou diferentes tipos de precipitação. Assim, nuvens altas entre 6.000 e

13.000 m de altura (nuvens cirrus) não provocam chuvas, apenas são sinais de

mudanças de tempo. Já as nuvens de média altura, isso é, 2.000 a 6.000 m

(altostratus e altocumulus), são nuvens que produzem chuvas de pouca intensidade,

mas prolongadas. Há ainda as nuvens de baixa altura, até 2.000 m (diversos tipos

de stratus), cujas precipitações podem variar entre garoa a chuva moderada a forte

e contínua, ou neve; associadas a sistemas frontais, isso é, e grande extensão. Por

fim, temos as nuvens chamadas de desenvolvimento vertical (cumulus e

cumulonimbus), que costumam causar chuvas intensas (trovoadas, granizo, e

chuvas torrenciais) e podem causar tempestades severas.

 

Aqui impõe-se a pergunta: quanta água está contida numa nuvem? Base para

essa resposta é saber a capacidade máxima de vapor d’água no ar com humidade

de saturação (100%). Essa capacidade varia de acordo com a temperatura do ar,

variando de 9,4 g/m 3 a 10º C para 30,4 g/m 3 a 30º C, e para 51,1 g/m 3 a 40º C, ou

seja, nessa faixa entre 10 o C e 40 o C, essa capacidade aumenta em espantosos

540%.

 

Ao focar o volume de água contida nos dois tipos de nuvem mais comum com

relação às precipitações, temos as nuvens stratocumulos (chuvas moderadas e

prolongadas) e cumulonimbus (chuva intensa, tempestade).

Uma nuvem stratocumulus retém dezenas a centenas de toneladas de água,

mas sua precipitação é mínima devido à distribuição de gotículas e à estabilidade

 

atmosférica típica dessas nuvens. Suas precipitações podem ocorrer em qualquer

época do ano. E a cada variação positiva de 5º C, a capacidade de retenção de

água aumenta de 40 a 50%, isso é, elas tendem a ser mais volumosas e

prolongadas no verão do que no inverno.

 

No caso das cumulonimbus, uma nuvem típico pode se estender um volume

de 1 a 10 quilômetros cúbicos (1 km³ = 1 bilhão de metros cúbicos). Nuvens

maiores, como as supercélulas, podem ultrapassar 15 km de altura e ter volumes

ainda maiores. Por outro lado, a capacidade de retenção de água varia de 1 a 3

gramas por metro cúbico (g/m³). Dessa maneira, uma nuvem média desse tipo

contém aproximadamente 500.000 a 1 milhão de toneladas de água. Essa variação

depende do tamanho da nuvem e da densidade de água em seu interior. Para

referência, 1 milhão de toneladas equivale a cerca de 1 bilhão de litros de água.

 

Semelhante ao caso das nuvens stratocumulus, para cada aumento de 1°C, a

capacidade de reter vapor de água de uma cumulonimbus cresce aproximadamente

6–7%. Isso significa que com uma variação de 5º C (nada incomum em tempos de

verão), de 675.000 a 1.350.000 toneladas de chuva a mais sobre os valores acima

podem contribuir para encharcar o solo ou elevar inundações já existentes. Ao lado

disso, movimentações atmosféricas com temperaturas mais elevadas concentram

mais energia, resultando em dinâmicas mais intensas na forma de ventos mais fortes

e mais velozes.

 

Até aqui, a teoria. A prática podemos observar nos noticiários ao redor do

globo. Não há como negar que ao longo dos últimos anos tivemos temperaturas

gradativamente mais brandas no inverno e sempre mais elevadas no verão.

Portanto, se essa tendência continuar, devemos contar com cada vez maior número,

e cada vez mais severas enchentes no futuro. Um agravante dessa realidade é que

um aumento médio de temperaturas causa picos positivos desproporcionalmente

maiores e, negativos, menores.

 

Resultado: se conhecemos as causas dessa elevação das temperaturas, urge

reagir, se não as conhecemos – é o excesso de CO2? o CO2 é apenas parte do

prolema? ... –, está na hora de procurar compreendê-las. O que não podemos é

ignorar ou negar a realidade em mutação.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Nadando em Energia

 

Nadando em Energia 

(“Energy Revelry” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não há vida sem energia. E não falamos da energia gravitacional onipresente quando matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias (I. Newton). Falamos da energia gerada por todos os corpos vivos, seja da flora, seja da fauna, da energia que permite aos micro-organismos movimentar-se nos oceanos, a trepadeira subindo o pé de árvore ou o lobo caçando na floresta. Mas também do homem que malha o ferro em brasa, que semeia o trigo ou que projeta uma exploração espacial.

 

Desde seus primórdios, o homem tentou direcionar suas energias a algo que facilitasse sua vida. Fosse na construção de abrigo, na produção de ferramentas e armas, o homem acabou por descobrir formas e instrumentos que lhe permitissem usar seu potencial energético de maneira mais eficiente. Afinal, ele só podia contar com a energia de seu próprio corpo, na melhor das hipóteses em cooperação com outros indivíduos.

 

Surgem daí algumas ferramentas rudimentares, da limpeza da terra à semeadura e à colheita, às vezes incluindo a criação e operação de sistemas de irrigação. Isso requeria que toda a família trabalhasse, as vezes duramente, para alcançar o sustento necessário. A primeira utilização de energia alheia resultou da domesticação de alguns animais, especialmente dos bovinos.

 

Nem sempre instrumentos e armas serviam apenas para fins pacíficos. A subjugação de outras sociedades por meios belicosos, visando a apropriação de bens alheios não era incomum. E esses bens alheios incluíam a própria energia humana dos vencidos, transformando-os em escravos. Com isso, o potencial energético de um povo podia aumentar expressivamente. Em tempos mais recentes, a população escrava do Império Romano era de cerca de cinco milhões de pessoas, o que correspondia a 10-15% da população total. Os escravos eram usados principalmente na agricultura e nas minas, mas também havia escravos que trabalhavam como médicos ou arquitetos.

 

A moral cristã da idade média causou um retorno, quando a disponibilidade da energia corporal voltou a predominar, entretanto assistida pela força animal, seja no campo, seja na circulação produtos, e pelo aproveitamento da força da água e do vento para moer grãos e executar outras tarefas.

 

Então chegou a revolução energética e industrial. Máquinas a vapor tocaram processos produtivos, seja de extração de matéria prima, seja de transformação de materiais em produtos e da circulação dos mesmos. Gradualmente, ao longo de dois séculos de industrialização e explosão tecnológica desenvolveram-se para atingir a realidade atual.

 

Qual é essa realidade especificamente no caso brasileiro. Em 2023, o consumo de energia elétrica no Brasil foi de 532 TWh, ou seja, 532 trilhões de quilowatt/hora (kWh). Isso significa que cada brasileiro consome hoje, direta ou indiretamente, 2.570 milhões de kWh ao longo do ano, ou seja, 7.041 kWh por dia. Isso é muito? Não quando vemos um consumo 5,1 vezes maior nos Estados Unidos, e 2,5 vezes maior na China.   

 

O ‘indiretamente’ significa a produção de todos os bens e serviços extraídos, transformados e fabricados, que são consumidos por pessoa, ou habitante brasileiro, num amplo leque que vai da elaboração da matéria prima e a fabricação da colhedeira, do caminhão ou do automóvel, a produção e do consumo de energia da geladeira e lavadora de roupa ao carregador só telefone celular – do alfi8nete ao transatlântico. Entram nessa conta o secador de arroz, a câmera fria do frigorífico, o forno do padeiro e muitos mais. Agora, pensando que o corpo humano gera e consome por dia de cerca de 2,5 kWh para suas funções básicas e atividades normais, esses 7.041 kWh consumidos por habitante correspondem à energia corporal gerada e consumida por 2.816 pessoas.

 

Mas, embora em montantes bem menores, mas com preços muito mais expressivos, ainda falta a energia de origem fóssil. O Brasil consome cerca de 400 milhões de litros de derivados de petróleo por dia, o que corresponde a um consumo de 1.200 milhões de kWh que, distribuídos sobre 207 milhões de brasileiros, resultando num consumo, direto e indireto, de 5,8 kWh/dia por pessoa. Isso pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que a frota de veículos partículas movimenta-se em apenas cerca de 6 por cento de seu tempo de vida.

 

Quanto ao consumo de gás GLP, são 90 milhões de metros cúbicos por dia, correspondendo a 2,5 bilhões de kWh, ou seja, 10,9 kWh/dia por pessoa.

 

Somando tudo, encontramos um consumo de 7.058 kWh por dia por pessoa, reduzidos à capacidade energética do ser humanos igualando a energia gerada por 2.823 pessoa. São 2.823 escravos sintéticos a serviço de cada brasileiro, ou seja, para gerar essa disponibilidade energética apenas com a força corporal, haveria necessidade de uma população brasileira de cerca de 584 bilhões de habitantes.

 

Nadamos em energia.

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

(“The Planet We Could Need” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desconhecemos quantos planetas existem no universo, nem do que são feitos – mas são milhões. Diante disso, a pergunta se existe outro planeta igual à nossa Terra não quer calar. E muito provavelmente jamais será respondida. Semelhante não serve, tem que ser praticamente igual. E veremos porquê.

 

A começar, o tamanho desse planeta não deveria ser muito diferente da Terra. Do contrário, todos os seres vivos teriam sérios problemas de gravidade excessivamente forte ou fraca.

 

A meses, décadas, anos luz de distância precisamos de uma flora e fauna, da qual faríamos parte, minimamente compatível com nossas necessidades básicas, e que possam nos suprir de proteínas, vitaminas e sais minerais. Mas isso exige certas condições indispensáveis, ou, pelo menos, suficientemente disponíveis.

 

A primeira preocupação quanto às condições mínimas para a existência humana é a presença de água. Entretanto, água não é igual a água. Conforme a química do solo de onde ela vem, quando não é água de precipitação, pode torná-la inviável para o consumo, ou eventualmente requer sofisticados – e onerosos – processos para deixa-la potável. Portanto, o planeta que poderíamos precisar requer não apenas ‘água’ mas também uma química de solo compatível, pois, dos 118 elementos químicos conhecidos no nosso planeta qualquer um deles, raro aqui, lá pode ser abundante e condicionar a água eventualmente existente.

 

Em volta da parte sólida do plante será preciso haver uma atmosfera na forma de uma camada de gases fundamental para a vida nesse planeta. Para tanto precisaria haver acima de tudo oxigênio m combinação com valor de água e outros gases. Além disso haveria necessidade de um gás protetor contra radiações cósmicas como a ultravioleta, no nosso caso o ozônio.            

 

O oxigênio, na qualidade de um elemento, é imutável. Entretanto, para assegurar a vida humana (e de toda a fauna e flora) ele precisa estar presente na quantidade certa na atmosfera (21%) com tolerância mínima positiva e negativa. Afinal, com toda a tecnologia genética, nossos bebês não nascem com tubo de oxigênio nas costas e máscara. Além disso, ficaria a dúvida sobre quais gases comporiam os restantes 79%.

 

Mas, além da composição de gases na atmosfera, um dos principais requisitos, se não o principal, são os limites térmicos. Numa escala de temperaturas desde o zero absoluto – menos 273º C – a outro extremo, que na verdade é uma temperatura positiva aberta, passando por milhares de graus, apenas uma faixa minúscula serve para a existência de vida como a conhecemos, ou seja, de –30o a 40º C a +30o a 40º C. Qualquer temperatura abaixo ou acima dessa faixa como constante torna qualquer forma de vida impossível em estado natural. Por outro lado, a pressão atmosférica que é igual a um no nível do mar da Terra, no planeta que poderíamos precisar não poderia ser maior que dois, sob risco de sérios problemas para o corpo humano.

 

Nesse ponto é importante frisar que cada uma dessas condições é decisivas e que não existe nenhuma compensação mútua entre elas. A invalidade de qualquer uma inviabiliza um futuro alternativo para o homem.  

  

Sabemos que havia vida na Terra com condições atmosféricas bastante diferentes. Isso inclui a espessura da camada de ozônio. Entretanto as mudanças e mutações registradas até chegar nas condições atuais processaram-se com extrema lentidão, permitindo que flora e fauna de adequassem. 

 

Suponhamos que tenhamos encontrado o planeta que poderíamos precisar, porém ainda falta o fator temporal. Afinal, existe vida na forma de flora e fauna somente nos últimos 8% da existência da Terra. Entretanto, a vida evoluída só está presente aqui no último cerca de meio milhão de anos na história do nosso planeta – 0,001 por cento dessa existência.

 

E isso evidencia a necessidade de muita coincidência temporal para evitar uma tentativa de colonização do planeta que poderíamos precisar na época dos dinossauros ou, pior, em condições de vida ainda primitiva naquele ambiente.

 

Concluindo, a ‘mosca’ do alvo ficou muitíssimo pequeno. Praticamente todos os itens acima, isoladamente, são indispensáveis em sua presença e suas dimensões, sob risco de tornar inaceitáveis as condições de vida humana. Por outro lado, manter toda uma população, gerações a fora, num permanente encapsulamento tecnológico, individual e ambiental, seria economicamente inviável e representaria uma carga física e psicológica possivelmente mortífera.

 

Na verdade, pelo menos a médio prazo, a busca por esse planeta torna-se desnecessária devido a uma mudança doméstica da Terra. Depois de um crescimento populacional quase explosivo em épocas recentes, atualmente quase um quinto das nações registram queda em sua população, inclusive a China, que sozinha responde por 16% da população global. E, nessa tendência, a cada ano serão mais alguns.

 

Podemos então esquecer a busca pelo planeta que poderíamos precisar? Sim, não houvesse a curiosidade que trouxe o homem aos níveis civilizatório e de conhecimento técnico atual – salvo um colapso ecológico de única responsabilidade do homem.

 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Perspectivas para o Consumo do Futuro

 

Perspectivas para o Consumo do Futuro

 

(“Prospects for Future Consumption” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Ao longo da história da humanidade dos últimos milênios, a economia nunca evoluía linearmente.   Depois da fixação na terra, da urbanização e da constituição de nações, a economia de conquistas – territoriais e de recursos – de persas, gregos e romanos, produzindo tributos e mão de obra (energia) escrava, acabou num vazio econômico de séculos, marcado pelo esforço individual de subsistência em regime de feudos e vassalos, com a igreja cristã pregando a pobreza como virtude para chegar a vida eterna. A economia era marcada pelo escambo, em seguida, da introdução de moeda de troca de ouro nas sociedades urbanizadas.

 

Véu a revolução industrial com a disponibilidade de novos bens consumíveis, acabando na economia de consumo, fazendo dela seu esteio principal, e em vigor até hoje - e com consequências dramáticas. Maior capacidade de produção requer maiores mercados de consumo. Por outro lado, ao longo da vida, existe uma evolução natural na capacidade de consumo, caraterizada por um crescente poder de compra, acompanhando o aumento de prosperidade em função de progressos pessoais e profissionais, resultando em aumento contínuo individual. Outrossim, a mulher entrando no mercado trabalho foi, e continuará sendo, um potencial adicional na compra de itens pessoais. Como resultado, entre outros, o consumo desenfreado acaba por consumir enormes recursos naturais num planeta finito, e quantidades imensas de resíduos e desperdícios, orgânicos e inorgânicos, além de poluições de tola natureza – e em toda a natureza, da atmosfera ao subsolo.  

    

Diante disso, o que virá depois? Qual será o consumo do futuro? Para isso parece importante ver o consumo do futuro por três aspectos distintos: o como consumir, o conteúdo do consumo e as circunstâncias conjunturais. Na verdade, todos eles já vêm lentamente delineando seu rumo futuro.

 

Qual será então o comportamento do consumidor no futuro? Certamente ajuda observar a evolução do consumo em sociedades onde o consumismo não apenas começou mais cedo que no Brasil, mas também funcionou (ou ainda funciona) com maior intensidade – e que já estão entrando numa retração (geralmente setorial) do consumo. Especialmente, nessas economias já se percebe em consequência disso uma tendência consumista que se ajusta e responde a novos tipos de tecnologia, produtos sustentáveis e personalizados. Os consumidores procuram receber experiências perfeitas, produtos ecologicamente compatíveis, bem como ofertas personalizadas que atendem às suas necessidades, valores e expectativas particulares.

 

Quanto ao conteúdo do consumo porvir, sem dúvida, devemos esperar que o ‘consumo pelo consumo’, p.ex., a compra por impulso, do perfeitamente dispensável, ou como adequação a modismos extravagantes (com muita técnica estimulados pelos mercados), não terá futuro. Continuará, evidentemente, aquele em atendimento às necessidades básicas para garantir uma existência decente e confortável. Em outras palavras, haverá um deslocamento do desnecessário para o essencial.

 

Por outro lado, a tendência de ‘menos objetos, mais serviços’ já está claramente presente. O orçamento doméstico restringe cada vez mais a compra de produtos fora das necessidades básica, destinando crescentes valores ao uso de prestação de serviços, da frequência a restaurantes à utilização de veículos por aplicativo e a viagens de cruzeiro. Prova disso é, já agora, a substituição no        trabalho da indústria como maior empregador pela área de serviços. Outra particularidade observa-se no aumento da busca pelo conhecimento e do saber. A educação deixou de limitar-se ao preparo para a vida e profissional de crianças e jovens para ser objeto de aprimoramento durante toda a vida. Seniores em bancos de escola ou universidade deixam de ser algo extraordinário.

 

Com relação a fatores conjunturais, especialmente com foco em aspectos demográficos, observam-se dinâmicas importantes, moldadoras do consumo futuro. Especialmente, duas mudanças nessa área merecem uma atenção especial. Há várias décadas (no Brasil desde a virada do século) registra-se uma sensível redução na taxa de fertilidade das mulheres, resultando numa gradual queda na reposição populacional. E essa dinâmica, com o passar do tempo, projetar-se-á para idades maiores, afetando negativamente todo o mercado de consumo.

 

Numa outra dimensão, desde meados do século XIX, a expectativa de vida estás tendo um aumento contínuo e significativo. Entretanto, a pessoa idosa costuma reduzir seu consumo gradativamente para o essencial, no restante se limitando à manutenção de seu status quo. Todavia, essa população terá uma necessidade maior de contratar serviços, de saúde a cuidador. Essa mudança, entretanto, parece não ser de duração indefinida, pois os seres vivos não são eternos, mas têm tempo de vida limitado.

 

Outro processo demográfico em curso é a fragmentação da grande família para a família nuclear. Para o consumo, isso significa mais unidades familiares, demandando maior número de móveis, utensílios e aparelhos domésticos – inclusive um novo padrão de moradia.

 

Tudo isso exigirá que os mercados produtivo e de consumo substituam o habitual crescimento linear por uma flexibilidade capaz de uma constante adaptação aos contínuos efeitos dessas dinâmicas - dentro de uma economia que promete ser cada vez mais circular (reutilização, reciclagem, reparação e renovação de produtos e materiais).

 

Resumindo, diante das considerações acima, há a certeza de que o consumo do futuro não continuará o mesmo, mas passará para outra fase. Tudo indica, que novos valores, novas aspirações, novas constelações familiares e novo recursos tecnológicos devem mudar, talvez profundamente, o comportamento de consumo. O prazer da vida pelo prazer de viver, a certeza da mudança do ter para o ser, possivelmente introduzirão um novo minimalismo sustentado em high-tech. Os mercados terão de repensar suas estratégias e suas políticas, enfim, o cerne de seus negócios.

 

Aguardemos. Nossa Mãe Terra ficará profundamente agradecida. 

 

 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Artigo 1º

 

Artigo 1º

(“Article 1” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O objetivo deste texto é uma confrontação e, ao mesmo, demonstração dá evolução da política, e da multiplicidade de princípios básicos constitucionais e padrões de convívio de várias nações, bem como sua alma histórica e raízes culturais. Diferentes povos, diferentes visões e aspirações - e caminhos para alcançá-las. 

 

A mais antiga lei básica, a britânica, não tem artigos, nem sequer está escrita. Entretanto, ainda em plena Idade Média, a Carta Magna é o documento assinado por João Sem Terra. Seu Artigo 1º diz:

“Em primeiro lugar, concedemos a Deus e confirmamos por esta nossa presente carta para nós e nossos herdeiros em perpetuidade que a Igreja Inglesa deve ser livre e ter todos os seus direitos plenamente e suas liberdades inteiramente. Além disso, concedemos e damos a todos os homens livres de nosso reino para nós e nossos herdeiros em perpetuidade as liberdades escritas abaixo para ter e manter para eles e seus herdeiros de nós e nossos herdeiros em perpetuidade.”

 

É de 1787 a primeira Constituição dos Estados Unidos, então formados de 13 Estados, e ela está em vigor até os dias atuais. Eis, seu Artigo 1º:

Seção 1. Todos os poderes legislativos conferidos por esta Constituição serão confiados a um Congresso dos Estados Unidos, composto de um Senado e de uma Câmara de Representantes.”

 

A segunda mais antiga constituição democrática é a francesa, pós-Revolução Francesa de 1789, promulgada em 1791, e fortemente apoiada na dos Estado Unidos. Seu Artigo 1º cita:

O povo francês, convencido de que o esquecimento e o desprezo pelos direitos naturais do homem são as únicas causas dos infortúnios do mundo, resolveu expor numa declaração solene estes direitos sagrados e inalienáveis, para que todos os cidadãos, capazes de comparar em todos os momentos os atos do governo com a finalidade de toda instituição social, nunca se deixam oprimir ou aviltar pela tirania, para que o povo tenha sempre diante dos olhos as bases da sua liberdade e da sua felicidade, o domínio magistrado dos seus deveres, o legislador o objeto de sua missão.”

 

Essas Constituições serviram de base para muitos países, mesmo que os regimes fossem autocráticos. Assim, a primeira Constituição do Brasil de 1824 reza em seu Artigo 1º:

“O IMPERIO do Brasil é a associação Política de todos os Cidadãos Brasileiros. Eles formam uma Nação livre, e independente, que não admite qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se oponha á sua Independência.

 

É notável a mudança de foco no mesmo país ao longo de 158 anos para a edição de 1988:

“Art. 1.º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

 

Outros exemplos de Artigo 1º das respectivas Leis Básicas são:

 

Da China:

“A República Popular da China é um Estado socialista subordinado à ditadura democrático-popular da classe operária e assente na aliança dos operários e camponeses. - O sistema socialista é o sistema básico da República Popular da china. É proibida a sabotagem do sistema socialista por qualquer organização ou indivíduo.”

 

Do Irã, depois de um longo preâmbulo:

“A forma de governo do Irã é a de uma República Islâmica, endossada pelo povo do Irã com base em sua crença de longa data na soberania da verdade e na justiça corânica, no referendo de Farwardîn 9 e 10 no ano de 1358 do calendário islâmico solar, correspondendo a Jamadial-'Awwal 1 e 2 no ano de 1399 do calendário islâmico lunar [29 e 30 de março de 1979], através do voto afirmativo de uma maioria de 98,2% dos eleitores elegíveis, realizada após a vitoriosa Revolução Islâmica liderada pelo eminente marji' altaqlid, Ayatullah al-'Uzma Imam Khumayni.”

 

Da África do Sul, de 1996, revisada em 2012:

“A República da África do Sul é um estado soberano e democrático fundado nos seguintes valores: -  a dignidade humana e o avanço dos direitos e liberdades humanas. – Não-racismo e não-sexismo. – Supremacia da Constituição e do Estado de Direito. – Sufrágio universal de adultos, uma lista nacional de eleitores, eleições regulares e um sistema multipartidário de governo democrático, para garantir a responsabilização, a capacidade de resposta e de abertura.”

 

Da Alemanha, de 1949:

“A dignidade humana é inviolável. Respeitá-la e protegê-la é obrigação de todo poder estatal. O povo alemão, portanto, professa direitos humanos invioláveis e inalienáveis como base de toda comunidade humana, de paz e justiça no mundo.”

 

Diferentes povos, diferentes histórias, diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes costumes, diferentes princípios de organização das sociedades, todos, porém, em busca de bem-estar e felicidade.