Os Próximos Serão Menos
Klaus H. G. Rehfeldt
Centenas
de milhares de anos com crescimento quantitativo da humanidade estão chegando
ao fim. É uma perspectiva que no primeiro instante assusta e, pelo seu caráter
inusitado, gera incerteza e, assim, tende a ser reprimida. Mas é preciso
encara-la.
Por muito tempo, o crescimento demográfico
era um impulso importante para o crescimento econômico. Mais pessoas se
traduziam em mais mão de obra, mais consumidores e maiores mercados. Porém,
justamente nos países mais ricos do mundo, onde há as melhores condições de
vida, as pessoas passaram a reproduzir-se menos, inclusive colocando seu futuro
efetivo populacional em risco.
Mas não só ali. As taxas de fertilidade diminuem
em todas as partes do mundo. Em cerca de 90 países (de um total de quase 200)
registram-se hoje médias de 2,1 ou menos filhos por mulher. Esses não incluem
somente nações europeias, mas também pesos pesados demográficos como a China
(1,6), o Japão (1,4) – e o Brasil, onde o número de filhos por mulher caiu nos
últimos 30 anos de 4,3 para 1,7.
Nos países emergentes, como Bangladesh ou
Paraguai, valem as mesmas regras como na Europa pré-revolução-industrial:
aumentam a chances de sobrevivência das crianças e a população mais pobre
pode-se permitir menos filhos sem ariscar seu ‘seguro de velhice’. Onde há
maior grau de desenvolvimento, as crianças deixam de ser fator de trabalho para
tornar-se fator de custo. Já nas sociedades ricas, a concorrência da busca por
prazeres de toda espécie suplanta o desejo por filhos. Além disso, onde as
mulheres têm acesso à instrução abrem-se as perspectivas de uma carreira
profissional, renda, igualdade de gêneros e liberdade pessoal. Com isso, os
filhos deixam de ser loteria de destino e a família passa a ser planejada
mediante recursos contraceptivos.
E com que consequências? Um processo de
encolhimento populacional coloca, sem dúvida, novos parâmetros. E serão mais
que este espaço permite discutir. Eis, porém, alguns exemplos: crescimento
econômico, substituindo quantidade por qualidade, a necessidade de aprender a
viver com forte pressão deflacionária, mas também o fato que as riquezas
existentes em cada momento beneficiarão um número de pessoas cada vez menor. E
o planeta agradecerá!
Aliás, o senso de 2020 trará surpresas.
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