terça-feira, 11 de junho de 2019

Os Próximos Serão Menos



Os Próximos Serão Menos

Klaus H. G. Rehfeldt

Centenas de milhares de anos com crescimento quantitativo da humanidade estão chegando ao fim. É uma perspectiva que no primeiro instante assusta e, pelo seu caráter inusitado, gera incerteza e, assim, tende a ser reprimida. Mas é preciso encara-la.
Por muito tempo, o crescimento demográfico era um impulso importante para o crescimento econômico. Mais pessoas se traduziam em mais mão de obra, mais consumidores e maiores mercados. Porém, justamente nos países mais ricos do mundo, onde há as melhores condições de vida, as pessoas passaram a reproduzir-se menos, inclusive colocando seu futuro efetivo populacional em risco.
Mas não só ali. As taxas de fertilidade diminuem em todas as partes do mundo. Em cerca de 90 países (de um total de quase 200) registram-se hoje médias de 2,1 ou menos filhos por mulher. Esses não incluem somente nações europeias, mas também pesos pesados demográficos como a China (1,6), o Japão (1,4) – e o Brasil, onde o número de filhos por mulher caiu nos últimos 30 anos de 4,3 para 1,7.
Nos países emergentes, como Bangladesh ou Paraguai, valem as mesmas regras como na Europa pré-revolução-industrial: aumentam a chances de sobrevivência das crianças e a população mais pobre pode-se permitir menos filhos sem ariscar seu ‘seguro de velhice’. Onde há maior grau de desenvolvimento, as crianças deixam de ser fator de trabalho para tornar-se fator de custo. Já nas sociedades ricas, a concorrência da busca por prazeres de toda espécie suplanta o desejo por filhos. Além disso, onde as mulheres têm acesso à instrução abrem-se as perspectivas de uma carreira profissional, renda, igualdade de gêneros e liberdade pessoal. Com isso, os filhos deixam de ser loteria de destino e a família passa a ser planejada mediante recursos contraceptivos.
E com que consequências? Um processo de encolhimento populacional coloca, sem dúvida, novos parâmetros. E serão mais que este espaço permite discutir. Eis, porém, alguns exemplos: crescimento econômico, substituindo quantidade por qualidade, a necessidade de aprender a viver com forte pressão deflacionária, mas também o fato que as riquezas existentes em cada momento beneficiarão um número de pessoas cada vez menor. E o planeta agradecerá!
Aliás, o senso de 2020 trará surpresas.      

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