O Gradiente de Inequidade
(The Inequality Gradient - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
O
não uso do termo ‘desigualdade’ é intencional. O conceito de desigualdade
socioeconômica foi viciado pela conotação falsa de que os aumentos de
desigualdade observados processam-se em ambas as direções, o enriquecimento do
segmento mais rico e o empobrecimento dos mais pobres, e assim fazendo crer que
a sociedade só se compõe de ricos e pobres, ignorando a grande massa
populacional entre esses extremos. A impressão que fica é que nosso mundo
dicotômico reduz-se a uma categorização dramática: para o rico, quem não tem
automóvel e pobre, e para o pobre, quem tem automóvel é rico. Contudo, isso foge
totalmente da realidade.
Vejamos apenas dois parâmetros.
Parâmetro 1: A mortalidade infantil caiu no Brasil de 136,6/1.000 em 1950 para
atuais 12,8/1.000 crianças, uma queda de 90,5%. Isto é resultado evidente de
melhor alimentação, melhores condições de moradia, melhor assistência médica,
melhor infraestrutura sanitária, vacinação em massa e muitos outros ‘melhores’,
todos fatores de promoção direta de redução do grau de pobreza geral, ou, de maior
qualidade de vida (que não depende exclusivamente da renda auferida, mas também
do nível de prosperidade da sociedade como um todo).
Parâmetro 2: A eletrificação passou no mesmo período
de 24,5% dos domicílios para praticamente a totalidade da população (97,8% em
2010, censo IBGE). Energia elétrica significa redução significativa de
dispêndio energético pessoal, preparo racional de comida, estocagem e
conservação de alimentos, acesso à comunicação, luz para estudar e muito mais,
tudo contribuindo para melhorias nas condições de vida na base da pirâmide
socioeconômica.
A recente insistência na ‘desigualdade’ com
destaque para as situações econômicas nas situações extremas e sem consideração
dos estratos intermediários sugere uma articulação intencional e exige um
aprofundamento. Conforme visto acima, o continuo ganho econômico e social das
camadas populacionais de baixa renda é inegável. Não podemos esquecer, que
situações parecidas à atualmente observada no Brasil ou na África do Sul já
houve na Europa da Revolução Industrial e na industrialização dos Estado Unidos
na passagem para o século XX. Períodos de desenvolvimento rápido e intenso
geram riquezas rápidas e vultuosas na ponta da pirâmide e que as camadas
intermediárias e da base da pirâmide de renda não conseguem acompanhar; a penetração
da riqueza em estratos inferiores através da distribuição (pulverização) e
expansão natural da renda é um processo relativamente lento.
E esta geração rápida está em plena
aceleração: quando a construção de uma riqueza nos períodos mencionados poderia
durar duas ou três gerações, hoje, startups transformam-se em unicórnios (valor
de mercado de um bilhão de dólares) em menos de dez anos – com óbvias
distorções na ‘desigualdade’ entre os extremos na escala de riqueza (ou pobreza).
O equívoco desta abordagem está na ignorância (intencional, ou não) do fato de
que segundo o Banco Mundial, no período de 1989 a 2017, a parcela de renda
total para os 10% mais ricos no Brasil caiu de 50% para 42%.
Isto evidencia claramente que a inequidade
(‘desigualdade’) entre os estratos de renda de uma sociedade deve ser vista no
gradiente de seu conjunto, considerando todos os níveis de renda, para conduzir
a uma conclusão honesta e sem dramatizações jornalísticas ou ingredientes
demagógicos. Nesta perspectiva enxerga-se nitidamente um aumento geral de renda
em todos os estratos sociais, incluindo mobilidade inter-estratos positiva,
fenômeno, aliás, frequentemente comemorado pelos governos passados do PT.
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