Mudanças
no Mundo do Trabalho
(“Changes in the Labor World” - This text was written in a way to
ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Desde o surgimento da classe dos assalariados, um
dos centrais aspectos econômicos, políticos e sociais de uma sociedade é sua
situação de emprego, ou desemprego. Atualmente, aspectos como a insegurança a
incerteza para o amanhã decorrentes de sensíveis mudanças conjunturais lançam
fortes sombras sobre o mercado de trabalho. Elevadas e generalizadas taxas de desemprego
contribuem para tais percepções.
No Brasil, essa anomalia negativa tem girado em
torno dos 10% nas últimas décadas com picos de 13% em 2015 e os atuais 14%, significando
13 milhões de desempregados de uma força de trabalho de pouco mais de 100
milhões de pessoas. Ao lado deste quadro grave há outro: o de 45 milhões de
estimados trabalhadores informais, ou seja, cerca de 50% da população ocupada.
No momento, parte dessa situação, obviamente,
decorre das medidas restritivas consequentes da pandemia do coronavírus. Outra
parte é o resultado de um processo conjuntural em pleno desenvolvimento – a
automação e robotização dos processos industriais e de distribuição.
Existe, no entanto, um fenômeno compensatório
paralelo e um tanto esquecido. Há hoje no Brasil cerca de 10 milhões de MEIs
(microempresas individuais), com 1 milhão dela criadas durante o período do
Covid-19, sem contar as ‘MEIs’ informais. Somados aos 6,5 milhões de
microempresários (não individuais) percebe-se que mais de 16% da força de
trabalho brasileira é constituído dessa categoria. Ao lado desses existem cerca
de 25 milhões de trabalhadores por conta própria (autônomos), perfazendo outros
quase 25% da força de trabalho. Somando isto, resultam 40% da força de trabalho
brasileiro consistindo de trabalho sem vínculo empregatício.
Em virtude de uma complexidade cada vez maior do
nosso mundo em decorrência de crescentes níveis de tecnologia com penetração em
todas as camadas populacionais observa-se uma progressiva expansão da área de
prestação de serviços, do setor terciário. E é exatamente nesse setor que atua
a mão de obra de autônomos, microempresas e MEIs. Nada indica que esta
tendência positiva possa sofrer uma reversão sob as condições conjunturais
atuais.
A continua redução de mão de obra na área de
geração e distribuição de bens materiais, simultânea com uma quase constante
expansão e ampliação do terceiro setor, está clamando por uma via de
compensação. A migração da mão de obra entre esses setores nem sempre é simples
uma vez que os perfis profissionais são bastante distintos. Há a urgente
necessidade de mecanismos e estratégias de adaptação e reciclagem profissional
do trabalhador liberado do chão de fábrica para a produção de serviços. Como
exemplo basta citar o segmento de tecnologia de informação que atualmente oferece
milhares de postos de trabalho a serem preenchidos.
Uma sociedade, ou governo, cujo setor de serviços
contribui com mais de 70% para o PIB, como é o caso brasileiro, não poderá
furtar-se de empenhar todos os esforços num preparo profissional ajustado a
novas realidades de mercado, nem de criar condições mínimas – desde o ensino
escolar – que permitam uma maior flexibilidade da mão de obra num mundo em
rápida transformação tecnológica, econômica e social. Morreu o emprego
vitalício. Dadas tais condições, o fantasma do desemprego poderá ser visto não
sob o ângulo da falta de trabalho, mas da carência de um preparo adequado para um
mm constante mutação.
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