sábado, 7 de novembro de 2020

Mudanças no Mundo do Trabalho

Mudanças no Mundo do Trabalho

 

(“Changes in the Labor World” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desde o surgimento da classe dos assalariados, um dos centrais aspectos econômicos, políticos e sociais de uma sociedade é sua situação de emprego, ou desemprego. Atualmente, aspectos como a insegurança a incerteza para o amanhã decorrentes de sensíveis mudanças conjunturais lançam fortes sombras sobre o mercado de trabalho. Elevadas e generalizadas taxas de desemprego contribuem para tais percepções.

No Brasil, essa anomalia negativa tem girado em torno dos 10% nas últimas décadas com picos de 13% em 2015 e os atuais 14%, significando 13 milhões de desempregados de uma força de trabalho de pouco mais de 100 milhões de pessoas. Ao lado deste quadro grave há outro: o de 45 milhões de estimados trabalhadores informais, ou seja, cerca de 50% da população ocupada.

No momento, parte dessa situação, obviamente, decorre das medidas restritivas consequentes da pandemia do coronavírus. Outra parte é o resultado de um processo conjuntural em pleno desenvolvimento – a automação e robotização dos processos industriais e de distribuição.

Existe, no entanto, um fenômeno compensatório paralelo e um tanto esquecido. Há hoje no Brasil cerca de 10 milhões de MEIs (microempresas individuais), com 1 milhão dela criadas durante o período do Covid-19, sem contar as ‘MEIs’ informais. Somados aos 6,5 milhões de microempresários (não individuais) percebe-se que mais de 16% da força de trabalho brasileira é constituído dessa categoria. Ao lado desses existem cerca de 25 milhões de trabalhadores por conta própria (autônomos), perfazendo outros quase 25% da força de trabalho. Somando isto, resultam 40% da força de trabalho brasileiro consistindo de trabalho sem vínculo empregatício.

Em virtude de uma complexidade cada vez maior do nosso mundo em decorrência de crescentes níveis de tecnologia com penetração em todas as camadas populacionais observa-se uma progressiva expansão da área de prestação de serviços, do setor terciário. E é exatamente nesse setor que atua a mão de obra de autônomos, microempresas e MEIs. Nada indica que esta tendência positiva possa sofrer uma reversão sob as condições conjunturais atuais.

A continua redução de mão de obra na área de geração e distribuição de bens materiais, simultânea com uma quase constante expansão e ampliação do terceiro setor, está clamando por uma via de compensação. A migração da mão de obra entre esses setores nem sempre é simples uma vez que os perfis profissionais são bastante distintos. Há a urgente necessidade de mecanismos e estratégias de adaptação e reciclagem profissional do trabalhador liberado do chão de fábrica para a produção de serviços. Como exemplo basta citar o segmento de tecnologia de informação que atualmente oferece milhares de postos de trabalho a serem preenchidos.

Uma sociedade, ou governo, cujo setor de serviços contribui com mais de 70% para o PIB, como é o caso brasileiro, não poderá furtar-se de empenhar todos os esforços num preparo profissional ajustado a novas realidades de mercado, nem de criar condições mínimas – desde o ensino escolar – que permitam uma maior flexibilidade da mão de obra num mundo em rápida transformação tecnológica, econômica e social. Morreu o emprego vitalício. Dadas tais condições, o fantasma do desemprego poderá ser visto não sob o ângulo da falta de trabalho, mas da carência de um preparo adequado para um mm constante mutação. 

 

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