sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Hidroxicloroquina / Cloroquina

 

Hidroxicloroquina / Cloroquina

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O presente texto, diferentemente dos costumeiramente escritos, é a tradução, pelo autor, de dois textos publicados em revistas especializadas da Alemanha. O motivo é subsidiar conhecimentos e ajudar em dirimir eventuais dúvidas.

 

Texto 1.

 

quarks.de/Gesundheit

Coronavírus – Quais terapias ajudam contra o coronavírus? Como funcionam os antimaláricos?

 

Os preparados hidroxicloroquina ou cloroquina têm sido usadas há muito tempo principalmente em pacientes com malária, pois interferem nos processos metabólicos do parasita. Entretanto, o parasita da malária tornou-se em grande parte imune à droga. O medicamento prescrito também ajuda pacientes com doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide.

Na pandemia do coronavírus havia no início deste ano esperança de que a cloroquina também funcionasse contra o novo patógeno SARS-CoV-2. Estudos menores da França e da China em pacientes com Covid-19 sugeriram que a droga atenua a infecção, especialmente em pacientes gravemente doentes, retardando a propagação do vírus no corpo. O presidente dos EUA, Donald Trump, até defendeu o uso de hidroxicloroquina como uma proteção preventiva contra a contaminação pelo novo vírus.

 

Agentes contra a malária não reduzem o risco de ventilação

No entanto, um estudo dos EUA com um número relativamente grande de 368 pacientes hospitalizados de covid-19 chegou a uma conclusão muito diferente no final de abril. A avaliação mostrou que esses antimaláricos não reduzem o risco de ventilação mecânica. Em vez disso, o tratamento pode até aumentar a mortalidade. Um estudo brasileiro foi até descontinuado porque foram observados históricos de doenças graves e até fatais em relação à administração de cloroquina.

Especialmente em combinação com certos antibióticos, como azitromicina, o tratamento com cloroquina pode levar a arritmias cardíacas com risco de vida, de acordo com a carta de medicamentos para informações independentes sobre drogas. O antibiótico pode ser dado em pacientes Covid-19 com pneumonia grave contra infecção bacteriana.

 

Efeitos colaterais incluem alucinações

Para grupos de risco com doença cardíaca pré-existente ou função renal reduzidas, o risco de arritmias cardíacas do tratamento com cloroquina é particularmente alto. Outros possíveis efeitos colaterais da droga incluem hipoglicemia, anemia, confusão ou alucinações.

"Em pacientes com doenças autoimunes, esses efeitos colaterais não são o problema", diz Wolf-Dieter Ludwig, presidente da Comissão de Medicamentos da Associação Médica Alemã. Aqui, doses muito menores seriam administradas em comparação com os tratamentos de pacientes Covid-19. O uso fora do rótulo (off-label) de cloroquina para suposta proteção contra SARS-CoV-2 é particularmente problemático para esses pacientes, pois pode haver gargalos no mercado farmacêutico.

A Comissão de Medicamentos da Associação Médica Alemã, bem como a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) advertiram explicitamente em abril contra tomar a droga antimalárica como uma suposta medida protetora contra o SARS-CoV-2 devido aos possíveis efeitos colaterais graves.

 

A eficácia não pôde ser confirmada

Além dos riscos, agora está claro que a eficácia da hidroxicloroquina e cloroquina em Covid-19 também não foi confirmada. Em meados de junho, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA revogou sua licença excepcional de curto prazo para a hidroxicloroquina para o tratamento de casos graves covid-19. Menos de uma semana depois, a OMS também anunciou que interromperia os estudos em andamento por equipes internacionais de pesquisa com a droga contra a malária.

 

Texto 2.

 

vfa. Die forschenden Pharma-Unternehmen

21. Januar 2021

 

Medicamentos terapêuticos para infecção por coronavírus Covid-19

 

Contra a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, não apenas vacinas são desenvolvidas, mas também medicamentos existentes são testados e novos são inventados.

Vários medicamentos contra malária têm recebido muita atenção em alguns momentos, incluindo aqueles que contêm os ingredientes ativos cloroquina e hidroxicloroquina. Após testes laboratoriais positivos contra SARS-CoV-2, eles foram testados pela primeira vez na China, mais tarde também em outros países em estudos. No entanto, os resultados de vários estudos indicaram que os medicamentos não possuem saldo positivo de risco-benefício, pelo menos em pacientes em determinados estágios da doença. Portanto, os estudos com cloroquina/hidroxicloroquina foram interrompidos no Solidarity-Study da OMS e uma aprovação provisória emergencial para hidroxicloroquina nos EUA foi revogada.

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

No Início Está a Maçã?

 

No Início Está a Maçã?

 

(“Does It Start with the Apple?” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. H. Rehfeldt

 

Durante centenas de milhares de anos, nossos antepassados viviam simples e diretamente na natureza. Extraiam dela o necessário para sua subsistência elementar, sem excessos, sem desperdícios, num continuo processo de trocas e renovação. E no fim da vida retornavam à natureza. Frutas e animais eram captados em seus habitats e sem qualquer interferência no equilíbrio ambiental.

Não sabemos com clareza qual foi o fator ou evento que iniciou a distinção do homem primitivo de outros gêneros homo e do restante da fauna – talvez uma melhor comunicação através da fala. Existe, no entanto, um momento de ruptura, da vida na natureza para aquela da natureza com a transformação de recursos naturais em outros artificiais. Terá esse sido o momento da bíblica expulsão do homem do paraíso? E da consequente busca de amenizar as agruras da preservação da existência?

Essa transformação consiste em criar um produto a partir do trabalho em materiais naturais, do processamento ou a combinação desses recursos. É o que se chama de criação de massa antropogênica. Tudo indica que a madeira tenha sido o primeiro material natural usado na fabricação de ferramentas e armas, seguida pelos tecidos e o barro na transformação de biomassa em material antropogênico na forma de tijolos ou vasilhames. Seguiram-se a mineração, as edificações, mas também os utensílios e artefatos em contínuo aperfeiçoamento e número crescente.

Ao longo dos séculos, a massa antropogênica em diversidades e quantidade como estradas, pontes, tornos e bigornas, carroças, navios e muito mais, tudo a partir de tudo que podia servir como matéria prima. No período das navegações ibéricas, por exemplo, a grande maioria das florestas portuguesas foi transformada em caravelas. As cidades cresciam, móveis e utensílios sofreram constante refinamento, as guerras frequentes clamavam por armas e defesas, a fé exigia a construção de templos cada vez maiores e mais opulentos, e burgos, castelos e mosteiros multiplicaram-se e ficavam mais requintados. Tudo às custas de substâncias orgânicas ou anorgânicas do nosso planeta.

Chegou a revolução industrial. Matérias primas de toda ordem e origem são exploradas para produtos finais, incluindo seus processos de refino, transformação e fabricação. Ao lado disso, toda uma infraestrutura surge para garantir o suprimento de energia e os fluxos de bens e pessoas. Em fins do século XIX, só na Europa Central já havia uma rede de ferrovias de cerca de 150 mil quilômetros, significando 27 milhões de m3, ou 21 milhões de toneladas de dormentes – de biomassa.

Carvão, minerais ferrosos e não ferrosos, petróleo, madeira, calcário e muito mais é subtraído a cada momento e ano após ano da nossa biomassa e geomassa com o destino de se constituir em massa antropológica na forma natural ou beneficiada física ou quimicamente.

 O crescimento populacional exponencial nos últimos 100 anos acelerou esse processo de transformação de biomassa e geomassa em material antropogênico. Segundo pesquisadores do Weizmann Institute of Science em Israel, somente a massa de todos os plásticos sobre a Terra é maior que a massa de todos os animais terrestres e marítimos. Os mesmos pesquisadores concluíram que desde 1900 a massa antropogênica dobrou a cada 20 anos. Era de cerca de 3% naquela época e poderá estar ultrapassando atualmente aos 100%, na quantidade de mais de 30 giga-toneladas por ano. Isso significa que por semana produz-se massa antropogênica com peso igual ao de toda a humanidade.

Por outro lado, a imensa perda de biomassa de duas terá-toneladas em 1900 para uma terá-tonada atual contribui para tal igualdade assustadora. Por exemplo, a vegetação cultivada e não perene de milhões de hectares de monoculturas substituiu a vegetação original, muitas vezes abundante – não raro através de desmatamentos.

Uma projeção dos mencionados pesquisadores afirma que na continuação da atual tendência, a massa antropogênica poderá ser três vezes maior que a biomassa por volta de 2040. Encontramo-nos definitivamente no antropoceno, uma nova era do nosso planeta, em que a humanidade é e força formativa. Com que futuro, está escrito nas estrelas. Virtualmente?