terça-feira, 22 de março de 2022

Apenas Mais Uma Guerra?

 

Apenas Mais Uma Guerra?

 

(“Just One More War?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Guerras fazem parte constante da história da humanidade. De tribais a mundiais, as guerras determinaram destinos de grupos humanos e constituições geopolíticas em âmbito global. Conflitos armados e guerras de grande extensão podiam ter as mais diversas causas e origens: choques entre movimentos migratórios de povos nômades, disputa por recursos naturais, de metais e pedras preciosas a terras férteis, conquistas e hegemonias geopolíticas, questões religiosas, étnicas e ideológicas, entre outras de caráter mais pontual e específico.

As consequências sempre foram dramáticas, entre derrotas catastróficas e vitórias gloriosas. Mas não há ganho sem custo – especialmente para o perdedor. Não me atrevo a especular sobre o custo total em esforço e vidas humanas, armas, destruição e reconstrução apenas das guerras dois últimos dois milênios, e o que esses valores, se investidos no progresso da humanidade, representariam em prosperidade atual. Naturalmente, momentos de crise e de necessidades têm sido benéficos ao avanço tecnológico, mas esse certamente teria ocorrido de qualquer maneira, talvez apernas com algum atraso.

Guerras cada vez mais mortíferas – a segunda guerra mundial custo cerca de 65 milhões de vidas, (a população atual da França) – e com perdas econômicas imensas deram origem a inúmeras reflexões e iniciativas governamentais e privadas no sentido de prevenir e evitar um novo cataclismo, talvez de dimensões ainda maiores, e de promover uma coexistência pacífica entre os povos. Ainda assim houve várias guerras teleguiadas em terras de terceiros, longe dos senhores das armas.

Enfim, a Europa, a parte do globo que mais conflitos armados sofreu, conseguiu viver em paz por mais de inusitadas três gerações. Mas não apenas ali, em todo mundo cresceu um sentimento anti-guerra e de busca por soluções pacíficas para eventuais pontos conflitantes entre nações. Obviamente, a consciência da existência de armas capazes de exterminar toda a vida sobre o planeta contribuiu substancialmente para esse novo ideal.

Faltou um teste da consistência e solidez desse novum nas relações internacionais. Não falta mais. Bastou a invasão da Ucrânia pelo exército russo para que o clamor coletivo pela paz e pela rejeição resoluta da guerra invadissem os gabinetes de governos e as ruas ao redor do mundo, inclusive as avenidas dentro da própria Rússia. A habitual indiferença nos países não participados num conflito deu lugar à indignação e ao repúdio geral ao uso de armas, especialmente, à repulsa aos responsáveis no comando dessa invasão armada.

O que de fato surpreende são a determinação, a firmeza e a prontidão com que medidas são tomadas e convertidas em ações concretas, substituindo costumeiras relutâncias, ausências e evasões. O mundo está mostrando que não tolera mais guerras, especialmente quando são invasoras, e que está pronto para responder decididamente e com toda sorte de solidariedade e auxílio na obtenção e defesa da paz.

Seja por receio de um envolvimento involuntário e indesejado ou das consequências indiretas num mundo globalizado, seja pela simples renúncia à violência, mormente às populações civis, conflitos bélicos entre nações terão de contar com um novo combatente: uma força que, além de interferências humanitárias e eventuais auxílios concretos para quem os merece, excomungará da comunidade de nações aqueles países e seus líderes, que resolvem recorrer às armas para alcançar seus objetivos, mesmo que isso exija sacrifícios próprios. Assim, seja qual for o desfecho dessa guerra, dificilmente o atual governo russo terá voz ou auditório para possíveis demandas futuras, o que muito provavelmente servirá de exemplo a eventuais aventureiros geopolíticos no porvir. A Rússia terá de optar entre o ostracismo político e econômico e a aceitação das regras de convivência pacífica que regem o mundo moderno.

Tudo indica que a guerra deixa de ser uma opção para a solução de conflitos. Desde que o mundo se comporte de maneira consequente em suas reações, a humanidade poderá converter a lição em virtude e dar cores à bandeira do “Guerra Nunca Mais”!       

 

 

 

 

 

 

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