Apenas Mais Uma Guerra?
(“Just One More War?” - This text is written in
a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Guerras fazem parte constante da
história da humanidade. De tribais a mundiais, as guerras determinaram destinos
de grupos humanos e constituições geopolíticas em âmbito global. Conflitos
armados e guerras de grande extensão podiam ter as mais diversas causas e
origens: choques entre movimentos migratórios de povos nômades, disputa por recursos
naturais, de metais e pedras preciosas a terras férteis, conquistas e
hegemonias geopolíticas, questões religiosas, étnicas e ideológicas, entre
outras de caráter mais pontual e específico.
As
consequências sempre foram dramáticas, entre derrotas catastróficas e vitórias
gloriosas. Mas não há ganho sem custo – especialmente para o perdedor. Não me
atrevo a especular sobre o custo total em esforço e vidas humanas, armas,
destruição e reconstrução apenas das guerras dois últimos dois milênios, e o
que esses valores, se investidos no progresso da humanidade, representariam em
prosperidade atual. Naturalmente, momentos de crise e de necessidades têm sido
benéficos ao avanço tecnológico, mas esse certamente teria ocorrido de qualquer
maneira, talvez apernas com algum atraso.
Guerras cada
vez mais mortíferas – a segunda guerra mundial custo cerca de 65 milhões de
vidas, (a população atual da França) – e com perdas econômicas imensas deram
origem a inúmeras reflexões e iniciativas governamentais e privadas no sentido
de prevenir e evitar um novo cataclismo, talvez de dimensões ainda maiores, e
de promover uma coexistência pacífica entre os povos. Ainda assim houve várias
guerras teleguiadas em terras de terceiros, longe dos senhores das armas.
Enfim, a
Europa, a parte do globo que mais conflitos armados sofreu, conseguiu viver em
paz por mais de inusitadas três gerações. Mas não apenas ali, em todo mundo cresceu
um sentimento anti-guerra e de busca por soluções pacíficas para eventuais
pontos conflitantes entre nações. Obviamente, a consciência da existência de
armas capazes de exterminar toda a vida sobre o planeta contribuiu substancialmente
para esse novo ideal.
Faltou um
teste da consistência e solidez desse novum
nas relações internacionais. Não falta mais. Bastou a invasão da Ucrânia pelo exército
russo para que o clamor coletivo pela paz e pela rejeição resoluta da guerra invadissem
os gabinetes de governos e as ruas ao redor do mundo, inclusive as avenidas dentro
da própria Rússia. A habitual indiferença nos países não participados num
conflito deu lugar à indignação e ao repúdio geral ao uso de armas, especialmente,
à repulsa aos responsáveis no comando dessa invasão armada.
O que de
fato surpreende são a determinação, a firmeza e a prontidão com que medidas são
tomadas e convertidas em ações concretas, substituindo costumeiras relutâncias,
ausências e evasões. O mundo está mostrando que não tolera mais guerras, especialmente
quando são invasoras, e que está pronto para responder decididamente e com toda
sorte de solidariedade e auxílio na obtenção e defesa da paz.
Seja por receio
de um envolvimento involuntário e indesejado ou das consequências indiretas num
mundo globalizado, seja pela simples renúncia à violência, mormente às populações
civis, conflitos bélicos entre nações terão de contar com um novo combatente: uma
força que, além de interferências humanitárias e eventuais auxílios concretos para
quem os merece, excomungará da comunidade de nações aqueles países e seus
líderes, que resolvem recorrer às armas para alcançar seus objetivos, mesmo que
isso exija sacrifícios próprios. Assim, seja qual for o desfecho dessa guerra, dificilmente
o atual governo russo terá voz ou auditório para possíveis demandas futuras, o
que muito provavelmente servirá de exemplo a eventuais aventureiros
geopolíticos no porvir. A Rússia terá de optar entre o ostracismo político e
econômico e a aceitação das regras de convivência pacífica que regem o mundo
moderno.
Tudo indica
que a guerra deixa de ser uma opção para a solução de conflitos. Desde que o
mundo se comporte de maneira consequente em suas reações, a humanidade poderá
converter a lição em virtude e dar cores à bandeira do “Guerra Nunca Mais”!
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