quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Um Sonho Improvável.

 

Um Sonho Improvável.

(“An Improbable Dream” – This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não sou astrônomo, nem cientista espacial, o que, no entanto, não me impede de levantar algumas questões relacionadas com o antigo e inacabável sonho do homem de aventurar-se em direção ás estrelas. Colocamos os pés na lua, sim, e certamente também os colocaremos em Marte, o único planeta que aparenta oferecer condições razoáveis para a presença do homem, embora sob indispensável ambientação artificial permanente. Qualquer chance fora do nosso sistema solar estaria condicionada a obstáculos de transporte hoje insuperáveis.                Daí em diante, porém, as conhecidas e específicas condições dos outros planetas do nosso sistema solar não permitem uma existência humana. 

 

Mas, e os outros sistemas planetários? Afinal, lá existe de tudo, de planetas totalmente gasosos a outros de carbono em forma de diamante.  Apenas considerando a tabela periódica de seus 118 elementos químicos quase infinitamente combináveis entre si são possíveis – e são apenas os elementos que conhecemos do nosso planeta. Somente nesse aspecto encontramo-nos diante de igualmente incontáveis constituições possíveis espaço afora. Tudo isso sob as mais diversas condições físicas, como temperaturas, densidades, gravidade e velocidades de rotação. Encontrar nessa imensidão de diversidades praticamente infinitas algum corpo celeste que ofereça condições de sobrevida para um ser vivo extremamente sensível como o homem, mesmo com as devidas adaptações protetivas é possível, porque não, mas altamente improvável. Uma coisa parece certo, nada disso foi descoberto até o momento nas proximidades espaciais de centenas, talvez milhares de anos luz.

 

O mais próximo sistema solar, Alfa Centauri, fica a uma distância de 4,3 anos luz, ou 43 trilhões de km.  Para mais facilmente situar-se nessa dimensões, a nave espacial mais rápida até hoje, a Voyager 1, depois de 45 anos de viagem a 61,5 mil km/h ainda não saiu dos confins do nosso sistema solar (cerca de 10 bilhões de km distantes). Isso significa, ficando com Alfa Centauri, que a cada 8 a 10 bilhões de km viajados, uma nova geração de astronautas estaria comandando alguma super-nave. Essa teria de ser um microcosmo duradouro e fechado em si garantindo a subsistência durante dezenas de gerações, mesmo na hipótese de velocidades substancialmente melhoradas. E no fim daviagem, que tipo de espécie humana chegaria a seu destino?

 

E ainda há a questão de encontrar algo como uma vida como nós a conhecemos, ou até vida ‘inteligente’. Para isso é preciso voltar para nosso planeta. A Terra abriga vida, desde seus organismos mais primitivos, há 3,5 bilhões de anos. Já a presença do homo sapiens em nosso planeta conta cerca de 350 mil anos, o que significa que tal presença representa apenas 0,01% do tempo de existência de vida aqui (0,008% da existência da Terra). É um piscar de olho na história cósmica. Assim, encontrar vida, inteligente ou não, em algum outro corpo celeste exige a coincidência de dois  respectivos micro-momentos históricos. Inversamente, uma visita por eventuais alienígenas nos últimos milênios teria de ocorrer, ou ter ocorrida na convergência dos minúsculos lapsos de tempo das histórias de visitante e visitado – uma probabilidade extremamente remota, apenas teoricamente viável.

 

Mas há uma ressalva. Todas as considerações acima baseiam-se na física, química e matemática como as conhecemos, que no entanto não necessariamente sejam os últimos saberes nas regras que regem o cosmo.

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A Madeira e Nós - Da Vida na Floresta à Vida da Floresta

 

A Madeira e Nós - Da Vida na Floresta à Vida da Floresta

The Wood and Us - From Forest Life to Life from the Forest - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Cerca de 400 milhões de anos atrás, as primeiras plantas terrestres simples se desenvolveram a partir de plantas aquáticas. Cem milhões de anos mais tarde surgem a s primeiras árvores. No período carbonífero, as conhecidas florestas enormes de samambaias e cavalinhas gigantes cresceram num clima úmido e tropical favorável. Após o declínio dessas espécies devido ao clima mais seco, surgiram as coníferas há 270 milhões de anos e dominam por mais de 200 milhões de anos a paisagem, incluindo o ginkgo, uma espécie de transição entre as espécies de árvores coníferas e caducifólias, que finalmente se desenvolveram e se tornaram a floresta predominante a cerca de 100 milhões de anos atrás.

 

Nessa longa história o homem entra há apenas seis milhões de anos. As mudanças climáticas e as mudanças nas influências ambientais forçaram os primeiros seres homo a se adaptarem repetidamente. Conforme essas mudanças, essa espécie não homogênea desenvolveu-se em habitats diversos como florestas e savanas, mas, ao sair do continente africano e ocupar espaços no hemisfério norte ajustou-se cada vez mais à vida nas florestas ali predominantes.

 

Sempre carnívoro e herbívoro, o homem, especialmente quando já homo sapíens, encontrou condições favoráveis para viver como coletor, caçador e/ou pescador. Mas não só alimentos eram obtidas nesse habitat, a madeira e ossos também proporcionaram material para ferramentas e armas. De fato, a madeira serviu durante centenas de milênios ao homem para desenvolver suas habilidades manuais e mentais, da simples borduna à engrenagem de pinos. Mesmo depois de aprender a trabalhar o cobre e o ferro, a madeira continuava essencial na sua vida como combustível para cozinhar, aquecer e manufaturar ferramentas e armas, mas também para a construção de habitações e fortificações.

 

Embarcações fluviais de madeira, bem como veículos de transporte existiram desde o antigo Egito, da Pérsia e de civilizações asiáticas, mas desde a Idade Média, a influência dos seres humanos sobre o ecossistema florestal aumentou. Os férteis solos florestais de folhas foram particularmente afetados pelas derrubadas medievais, de modo que a proporção de floresta de coníferas aumentou. Na medida em que a população urbana, mas também o conhecimento e suas aplicações aumentaram cresceu igualmente o consumo de madeira. Tinha chegado o momento da mudança da vida na floresta para a vida da floresta. Somente para cobrir a demanda de energia de uma cidade de forma sustentável com madeira, era necessária pelo menos 50 a 150 vezes a área urbana.

 

A madeira também serviu como material de construção; dezenas de carvalhos eram necessários para uma casa urbana medieval - mais de 4.000 para edifícios magníficos, como o Castelo de Windsor, no século 14; e a construção de veleiros, que eram cada vez mais utilizados na Idade Média, também consumiam grandes quantidades de madeira – um navio oceânico com até 3.000 carvalhos; Portugal consumiu praticamente toda sua reserva florestal. Uma progressiva escassez de madeira ficou inevitável; especialmente quando a fundição de ferro aumentou – cerca de 1.000 toneladas de madeira foram necessárias para produzir uma tonelada de ferro. Uma efetiva escassez ocorreu no norte da China já nos séculos 11 e 12, na Inglaterra a partir do século 13 e na Europa continental a partir dos séculos 15 e 16 - aqui a cobertura florestal havia diminuído de 90 para 20 por cento da área total entre os anos 400 e 1600 d.C. Por falta de lenha para a secagem do sal, a Inglaterra teve que importar sal da França. A rápida expansão das redes de estrada de ferro foi outro fator. Cada quilômetro de via férrea consumia em dormentes cerca de 180 m3, ou seja, 140 toneladas de madeira de lei, renováveis a cada 25 a 30 anos. Em fins do século 19, só na Europa Central já havia uma rede de ferrovias de cerca de 150 mil quilômetros, ou seja, 27 milhões de m3, ou 21 milhões de toneladas, em geral de carvalho. São apenas alguns exemplos de onde há dados.

 

Depois que a madeira foi substituída por outros materiais, como plásticos, aço, concreto e combustíveis fósseis durante a industrialização (substituição da energia eólica e hídrica pela operação a vapor e máquinas e ferramentas de ferro) durante o milagre econômico após a 2ª Guerra Mundial, hoje, governos e indivíduos estão cada vez mais retornando às vantagens da matéria-prima renovável e ecológica. Um forte "condutor" da madeira é a necessidade global de agir de forma mais sustentável. Estes incluem ecologia, proteção climática e conservação de recursos, como mudança para substâncias renováveis ou economia circular. A madeira é uma das maiores e mais necessárias coisas do mundo, como disse Martinho Lutero. Fornecido pela natureza e refinado pelo homem nas florestas, fábricas e oficinas, continuará a ser um companheiro fascinante.