sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A Madeira e Nós - Da Vida na Floresta à Vida da Floresta

 

A Madeira e Nós - Da Vida na Floresta à Vida da Floresta

The Wood and Us - From Forest Life to Life from the Forest - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Cerca de 400 milhões de anos atrás, as primeiras plantas terrestres simples se desenvolveram a partir de plantas aquáticas. Cem milhões de anos mais tarde surgem a s primeiras árvores. No período carbonífero, as conhecidas florestas enormes de samambaias e cavalinhas gigantes cresceram num clima úmido e tropical favorável. Após o declínio dessas espécies devido ao clima mais seco, surgiram as coníferas há 270 milhões de anos e dominam por mais de 200 milhões de anos a paisagem, incluindo o ginkgo, uma espécie de transição entre as espécies de árvores coníferas e caducifólias, que finalmente se desenvolveram e se tornaram a floresta predominante a cerca de 100 milhões de anos atrás.

 

Nessa longa história o homem entra há apenas seis milhões de anos. As mudanças climáticas e as mudanças nas influências ambientais forçaram os primeiros seres homo a se adaptarem repetidamente. Conforme essas mudanças, essa espécie não homogênea desenvolveu-se em habitats diversos como florestas e savanas, mas, ao sair do continente africano e ocupar espaços no hemisfério norte ajustou-se cada vez mais à vida nas florestas ali predominantes.

 

Sempre carnívoro e herbívoro, o homem, especialmente quando já homo sapíens, encontrou condições favoráveis para viver como coletor, caçador e/ou pescador. Mas não só alimentos eram obtidas nesse habitat, a madeira e ossos também proporcionaram material para ferramentas e armas. De fato, a madeira serviu durante centenas de milênios ao homem para desenvolver suas habilidades manuais e mentais, da simples borduna à engrenagem de pinos. Mesmo depois de aprender a trabalhar o cobre e o ferro, a madeira continuava essencial na sua vida como combustível para cozinhar, aquecer e manufaturar ferramentas e armas, mas também para a construção de habitações e fortificações.

 

Embarcações fluviais de madeira, bem como veículos de transporte existiram desde o antigo Egito, da Pérsia e de civilizações asiáticas, mas desde a Idade Média, a influência dos seres humanos sobre o ecossistema florestal aumentou. Os férteis solos florestais de folhas foram particularmente afetados pelas derrubadas medievais, de modo que a proporção de floresta de coníferas aumentou. Na medida em que a população urbana, mas também o conhecimento e suas aplicações aumentaram cresceu igualmente o consumo de madeira. Tinha chegado o momento da mudança da vida na floresta para a vida da floresta. Somente para cobrir a demanda de energia de uma cidade de forma sustentável com madeira, era necessária pelo menos 50 a 150 vezes a área urbana.

 

A madeira também serviu como material de construção; dezenas de carvalhos eram necessários para uma casa urbana medieval - mais de 4.000 para edifícios magníficos, como o Castelo de Windsor, no século 14; e a construção de veleiros, que eram cada vez mais utilizados na Idade Média, também consumiam grandes quantidades de madeira – um navio oceânico com até 3.000 carvalhos; Portugal consumiu praticamente toda sua reserva florestal. Uma progressiva escassez de madeira ficou inevitável; especialmente quando a fundição de ferro aumentou – cerca de 1.000 toneladas de madeira foram necessárias para produzir uma tonelada de ferro. Uma efetiva escassez ocorreu no norte da China já nos séculos 11 e 12, na Inglaterra a partir do século 13 e na Europa continental a partir dos séculos 15 e 16 - aqui a cobertura florestal havia diminuído de 90 para 20 por cento da área total entre os anos 400 e 1600 d.C. Por falta de lenha para a secagem do sal, a Inglaterra teve que importar sal da França. A rápida expansão das redes de estrada de ferro foi outro fator. Cada quilômetro de via férrea consumia em dormentes cerca de 180 m3, ou seja, 140 toneladas de madeira de lei, renováveis a cada 25 a 30 anos. Em fins do século 19, só na Europa Central já havia uma rede de ferrovias de cerca de 150 mil quilômetros, ou seja, 27 milhões de m3, ou 21 milhões de toneladas, em geral de carvalho. São apenas alguns exemplos de onde há dados.

 

Depois que a madeira foi substituída por outros materiais, como plásticos, aço, concreto e combustíveis fósseis durante a industrialização (substituição da energia eólica e hídrica pela operação a vapor e máquinas e ferramentas de ferro) durante o milagre econômico após a 2ª Guerra Mundial, hoje, governos e indivíduos estão cada vez mais retornando às vantagens da matéria-prima renovável e ecológica. Um forte "condutor" da madeira é a necessidade global de agir de forma mais sustentável. Estes incluem ecologia, proteção climática e conservação de recursos, como mudança para substâncias renováveis ou economia circular. A madeira é uma das maiores e mais necessárias coisas do mundo, como disse Martinho Lutero. Fornecido pela natureza e refinado pelo homem nas florestas, fábricas e oficinas, continuará a ser um companheiro fascinante.     

 

 

 

Um comentário:

  1. Gostei desta aula
    Muito bem explicado e interessante
    Recomendo a leitura para quem ainda não o fez.

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