A Madeira e Nós - Da Vida na Floresta à Vida da Floresta
The Wood and Us - From Forest
Life to Life from the Forest - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Cerca de 400 milhões de anos
atrás, as primeiras plantas terrestres simples se desenvolveram a partir de
plantas aquáticas. Cem milhões de anos mais tarde surgem a s primeiras árvores.
No período carbonífero, as conhecidas florestas enormes de samambaias e
cavalinhas gigantes cresceram num clima úmido e tropical favorável. Após o
declínio dessas espécies devido ao clima mais seco, surgiram as coníferas há
270 milhões de anos e dominam por mais de 200 milhões de anos a paisagem,
incluindo o ginkgo, uma espécie de transição entre as espécies de árvores
coníferas e caducifólias, que finalmente se desenvolveram e se tornaram a
floresta predominante a cerca de 100 milhões de anos atrás.
Nessa
longa história o homem entra há apenas seis milhões de anos. As mudanças
climáticas e as mudanças nas influências ambientais forçaram os primeiros seres
homo a se adaptarem repetidamente. Conforme essas mudanças, essa espécie não
homogênea desenvolveu-se em habitats diversos como florestas e savanas, mas, ao
sair do continente africano e ocupar espaços no hemisfério norte ajustou-se cada
vez mais à vida nas florestas ali predominantes.
Sempre
carnívoro e herbívoro, o homem, especialmente quando já homo sapíens, encontrou
condições favoráveis para viver como coletor, caçador e/ou pescador. Mas não só
alimentos eram obtidas nesse habitat, a madeira e ossos também proporcionaram
material para ferramentas e armas. De fato, a madeira serviu durante centenas
de milênios ao homem para desenvolver suas habilidades manuais e mentais, da
simples borduna à engrenagem de pinos. Mesmo depois de aprender a trabalhar o
cobre e o ferro, a madeira continuava essencial na sua vida como combustível
para cozinhar, aquecer e manufaturar ferramentas e armas, mas também para a
construção de habitações e fortificações.
Embarcações
fluviais de madeira, bem como veículos de transporte existiram desde o antigo
Egito, da Pérsia e de civilizações asiáticas, mas desde a Idade Média, a
influência dos seres humanos sobre o ecossistema florestal aumentou. Os férteis
solos florestais de folhas foram particularmente afetados pelas derrubadas
medievais, de modo que a proporção de floresta de coníferas aumentou. Na medida
em que a população urbana, mas também o conhecimento e suas aplicações
aumentaram cresceu igualmente o consumo de madeira. Tinha chegado o momento da
mudança da vida na floresta para a vida da floresta. Somente para cobrir a
demanda de energia de uma cidade de forma sustentável com madeira, era
necessária pelo menos 50 a 150 vezes a área urbana.
A
madeira também serviu como material de construção; dezenas de carvalhos eram
necessários para uma casa urbana medieval - mais de 4.000 para edifícios
magníficos, como o Castelo de Windsor, no século 14; e a construção de
veleiros, que eram cada vez mais utilizados na Idade Média, também consumiam
grandes quantidades de madeira – um navio oceânico com até 3.000 carvalhos;
Portugal consumiu praticamente toda sua reserva florestal. Uma progressiva escassez
de madeira ficou inevitável; especialmente quando a fundição de ferro aumentou
– cerca de 1.000 toneladas de madeira foram necessárias para produzir uma
tonelada de ferro. Uma efetiva escassez ocorreu no norte da China já nos
séculos 11 e 12, na Inglaterra a partir do século 13 e na Europa continental a
partir dos séculos 15 e 16 - aqui a cobertura florestal havia diminuído de 90
para 20 por cento da área total entre os anos 400 e 1600 d.C. Por falta de
lenha para a secagem do sal, a Inglaterra teve que importar sal da França. A rápida expansão das redes de estrada de ferro foi outro
fator. Cada quilômetro de via férrea consumia em dormentes cerca de 180 m3,
ou seja, 140 toneladas de madeira de lei, renováveis a cada 25 a 30 anos. Em
fins do século 19, só na Europa Central já havia uma rede de ferrovias de cerca
de 150 mil quilômetros, ou seja, 27 milhões de m3, ou 21 milhões de
toneladas, em geral de carvalho. São apenas alguns exemplos de onde há dados.
Depois
que a madeira foi substituída por outros materiais, como plásticos, aço,
concreto e combustíveis fósseis durante a industrialização (substituição da
energia eólica e hídrica pela operação a vapor e máquinas e ferramentas de
ferro) durante o milagre econômico após a 2ª Guerra Mundial, hoje, governos e
indivíduos estão cada vez mais retornando às vantagens da matéria-prima
renovável e ecológica. Um forte "condutor" da madeira é a necessidade
global de agir de forma mais sustentável. Estes incluem ecologia, proteção
climática e conservação de recursos, como mudança para substâncias renováveis
ou economia circular. A madeira é uma das maiores e mais necessárias coisas do
mundo, como disse Martinho Lutero. Fornecido pela natureza e refinado pelo
homem nas florestas, fábricas e oficinas, continuará a ser um companheiro
fascinante.
Gostei desta aula
ResponderExcluirMuito bem explicado e interessante
Recomendo a leitura para quem ainda não o fez.