Um Sonho Improvável.
(“An Improbable Dream” – This text is written in a way
to ease comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G.
Rehfeldt
Não sou astrônomo, nem cientista espacial, o que, no
entanto, não me impede de levantar algumas questões relacionadas com o antigo e
inacabável sonho do homem de aventurar-se em direção ás estrelas. Colocamos os
pés na lua, sim, e certamente também os colocaremos em Marte, o único planeta
que aparenta oferecer condições razoáveis para a presença do homem, embora sob
indispensável ambientação artificial permanente. Qualquer chance fora do nosso
sistema solar estaria condicionada a obstáculos de transporte hoje
insuperáveis. Daí em
diante, porém, as conhecidas e específicas condições dos outros planetas do
nosso sistema solar não permitem uma existência humana.
Mas, e os outros sistemas planetários?
Afinal, lá existe de tudo, de planetas totalmente gasosos a outros de carbono
em forma de diamante. Apenas considerando
a tabela periódica de seus 118 elementos químicos quase infinitamente
combináveis entre si são possíveis – e são apenas os elementos que conhecemos
do nosso planeta. Somente nesse aspecto encontramo-nos diante de igualmente
incontáveis constituições possíveis espaço afora. Tudo isso sob as mais
diversas condições físicas, como temperaturas, densidades, gravidade e
velocidades de rotação. Encontrar nessa imensidão de diversidades praticamente
infinitas algum corpo celeste que ofereça condições de sobrevida para um ser
vivo extremamente sensível como o homem, mesmo com as devidas adaptações
protetivas é possível, porque não, mas altamente improvável. Uma coisa parece
certo, nada disso foi descoberto até o momento nas proximidades espaciais de
centenas, talvez milhares de anos luz.
O mais próximo sistema solar, Alfa
Centauri, fica a uma distância de 4,3 anos luz, ou 43 trilhões de km. Para mais facilmente situar-se nessa
dimensões, a nave espacial mais rápida até hoje, a Voyager 1, depois de 45 anos
de viagem a 61,5 mil km/h ainda não saiu dos confins do nosso sistema solar
(cerca de 10 bilhões de km distantes). Isso significa, ficando com Alfa
Centauri, que a cada 8 a 10 bilhões de km viajados, uma nova geração de
astronautas estaria comandando alguma super-nave. Essa teria de ser um microcosmo
duradouro e fechado em si garantindo a subsistência durante dezenas de gerações,
mesmo na hipótese de velocidades substancialmente melhoradas. E no fim daviagem,
que tipo de espécie humana chegaria a seu destino?
E ainda há a questão de encontrar algo
como uma vida como nós a conhecemos, ou até vida ‘inteligente’. Para isso é
preciso voltar para nosso planeta. A Terra abriga vida, desde seus organismos
mais primitivos, há 3,5 bilhões de anos. Já a presença do homo sapiens em nosso
planeta conta cerca de 350 mil anos, o que significa que tal presença
representa apenas 0,01% do tempo de existência de vida aqui (0,008% da
existência da Terra). É um piscar de olho na história cósmica. Assim, encontrar
vida, inteligente ou não, em algum outro corpo celeste exige a coincidência de
dois respectivos micro-momentos históricos.
Inversamente, uma visita por eventuais alienígenas nos últimos milênios teria
de ocorrer, ou ter ocorrida na convergência dos minúsculos lapsos de tempo das
histórias de visitante e visitado – uma probabilidade extremamente remota,
apenas teoricamente viável.
Mas há uma ressalva. Todas as
considerações acima baseiam-se na física, química e matemática como as
conhecemos, que no entanto não necessariamente sejam os últimos saberes nas
regras que regem o cosmo.
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