Mais Filhos?
(More
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Klaus H.G. Rehfeldt
A
virada demográfica, em alguns países esperada para as próximas décadas, em
outros já em curso, é um fato incontestável. Gradativamente aumenta o número de
países com declínio em sua população, como a de Portugal (-0,22%), Japão
(-0,33%) ou Itália (-0,59%) entre os 30 países atualmente nessa situação. Até a
china, um pesadelo nas projeções demográficas, registrou o primeiro crescimento
negativo em 2021. A causa central é a queda da taxa de fertilidade por várias
razões impostas pela vida moderna (emancipação da mulher garantida pela pílula,
o elevado custo dos filhos até sua autonomia econômica, etc.) e que não deverá
mudar a curto e médio prazo. Essa tendência promete continuar e, cedo ou tarde,
atingir toda a população mundial.
De uma
maneira geral, essa realidade é vista com um misto de preocupação e indecisão
de como reagir. Não sem razão, pois o declínio no número de nascimentos e o
simultâneo aumento da expectativa de vida serão um real problema para os
sistemas previdenciário. A relação entre um período economicamente produtivo inalterado
por definição de lei diante de uma expectativa de vida em elevação certamente requer
medidas corretivas. Por outro lado, menos mão de obra, embora com mesma
produtividade, significa, grosso modo, um menor Produto Interno Bruto (PIB), o
que não necessariamente deve afetar o PIB per capita. (Uma sociedade menor tem obviamente
um PIB menor, mas o PIB per capita semelhante a economias maiores.)
A
resposta mais fácil, imediata e aparentemente lógica encontrada pelos governos
dos países afetados é a proposta da criação de estímulos financeiros ou de
outra natureza para as famílias terem mais filhos. A pergunta é: uma redução na
população das nações, ou seja, mundial, representa realmente um problema? No
caso de um crescimento continuado da população, até que limite nosso planeta
consegue sustentar seus habitantes? De fato, trata-se de uma absoluta novidade
na história da humanidade, e novidades geram incertezas. Mas encontramo-nos
numa situação única de promover mudanças radicais a favor do nosso futuro.
Existem aspectos econômicos entendidos como negativos, mas o futuro da
humanidade não pode dependem somente de resultados contábeis. O que falta é a identificação
de aspectos positivos dessa mudança existencial. E eles existem.
No caso
da previdência social será preciso que o cidadão, diferentemente do século XIX
quando terminou a ‘previdência familiar’ com o trabalho nas minas e nas
fábricas e nasceu a previdência tutelada pelo estado, hoje, e no futuro, deverá,
pelo menos em parte, ser gestada pelo próprio cidadão, sob pena de ser
beneficiado apenas pelo mínimo necessário para uma vida digna. Haverá, sim, a
necessidade de repensar e planejar o próprio sustento na velhice. Na verdade,
paralelo ao aumento da expectativa de vida, também aumenta a vida produtiva das
pessoas. Prova disso é que para muitas pessoas o benefício da aposentadoria é
uma renda complementar àquela de uma atividade econômica normalmente executada
(mesmo sendo com o suporte medicinal, preventivo ou não, hoje absolutamente
normal) depois da entrada no amparo previdenciário.
Outra
condição consiste numa população progressivamente menor vivendo num mundo de
infraestruturas dimensionadas para populações maiores, ou seja, não haverá mais
necessidade de investimentos de expansão – de melhoria e modernização, sim. Seria
como a população de 1990 dispor de infraestruturas aturais, ou viver hoje com
as tecnologias e infraestruturas de 2050.
Menos
quantidade, mais qualidade. Menos consumo suprido por produções quantitativamente
menores, mas crescimento através de qualidade e tecnologia. Não podemos
esquecer nesta questão que o atual modelo de consumo num planeta de recursos
limitados está condenado inicialmente a um encarecimento dos produtos na medida
em que as matérias primas de tornam mais escassos, e finalmente a um colapso. Por
outro lado, já estamos vivendo uma mudança do consumo de bens para o de
serviços.
Por fim,
um dos aspectos mais importantes e absolutamente positivo será uma gradual
redução dos efeitos da ação humana sobre o nosso planeta com seu meio
ambientes. Sejam espaços menores para fins agropecuários, sejam menos matérias
primas para a geração de energia ou a produção de bens, seja uma redução em
desperdícios e resíduos de toda sorte, ou seja, a redução de todo tipo de
poluentes na, no ar e no mar, todos são ganhos indiscutíveis para nosso planeta
e sua flora e fauna.
Sem
dúvida haverá desde já a necessidade de avaliar as projeções mais diversas nas
esferas econômicas, políticas e sociais, onde mudanças importantes já são
perfeitamente avaliáveis. No caso brasileiro ainda experimentamos um crescimento
populacional diminuto de 0,6%, mas a inversão demográfica não deverá acontecer
em não mais de duas décadas, e é preciso que tenhamos consciência dessa
realidade, e de uma significativa mudança de mentalidade – a valorização do
menos.
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