Paridade de Poder de Compra, a Conversão Realista
(“Purchasing Power
Parity, the Realistic Conversion” - This text is
written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus
H. G. Rehfeldt
A
Paridade do Poder de Compra (PPC) é uma métrica de análise macroeconômica, usada
para comparar a produtividade econômica e os padrões de vida entre países. Ela
envolve uma fórmula econômica que, diferentemente da taxa de câmbio, compara as
moedas de diferentes países por meio de uma abordagem de "cesta de bens e
serviços". Ou seja, a PPC é a ‘taxa de câmbio’ pela qual a moeda de uma
nação seria convertida em outra para comprar as mesmas quantidades dos mesmos produtos
de um grande leque de bens e serviços, e não à base da costumeira taxa de
câmbio bancário.
Vejamos exemplos: O preço na média
nacional de um apartamento de dois quartos nos Estado Unidos situa-se entre US$
1.200 e 1.800, que, pelo câmbio atual, representa de R$ 6.800 a 10.800, o que
não responde à realidade brasileira, ou seja uma conversão absolutamente
irreal. E essa irrealidade, positiva ou negativa, encontramos com relação a
todas as moedas estrangeiras, bem como entre as mesmas. Já o kg da banana custa
na Inglaterra cerda de £ 2,00, o que corresponde a aproximadamente R$ 15,00,
quando no Brasil custa algo em redor de R$ 7,00. Em outro caso, uma camiseta
simples tem preço aproximado de ¥ 50,00 na China perfazendo R$ 40,00, já na
Alemanha (quando ‘Made in Germany’) custa a partir de cerca € 15,00, o
equivalente a R$ 95,00.
Surpreende a distância entre os preços – e o custo de vida –
entre os diferentes países. Isso mostra, que a taxa de câmbio convencional não
consegue espelhar as realidades econômicas distintas dos mesmos. A solução
encontrada, a PPC, envolve uma teoria econômica que compara as moedas de
diferentes países por meio de uma abordagem por meio de fatores determinantes
de cada conjuntura econômica.
Em palavras simples, uma Paridade do Poder de Compra entre
duas economias seria igual 1 se seu poder econômico fosse exatamente o mesmo, isso
é, você pode comprar a mesma cesta de bens pelo mesmo valor monetário.
Entretanto, o que não ocorre na realidade. Daí os países considerados ‘caros’,
ou ‘baratos’.
Imaginemos então que um confeiteiro norte-americano com um
ganho mensal de $ 6,000 e seu colega alemão, com a renda de € 8.000,00, sabendo
que o câmbio de uma moeda costuma variar abaixo de 1,10 para 1,00. Ao comprar 5
sacos de açúcar de 60 kg ao preço de $ 60,00 por saca, o americano gasta um
total de $ 300,00, ou seja, 5% de seu ganho. Já o confeiteiro alemão paga €
120,00 por saca de açúcar isso é, € 600,00 por saca, correspondendo a 7,5% de
seu ganho. Portanto, embora o confeiteiro alemão tenha um ganho 33% maior que
se colega americano, no caso específico do produto em foco (possivelmente
também de outros) tem uma despesa 50% maior.
Cabe aqui uma referência ao assim chamado Índice Big Mac.
Este indicador compara o poder de compra de diferentes moedas para a compra de
um Big Mac e é uma maneira fácil de mostrar a subvalorização ou
supervalorização de moedas nacionais. A razão para isso é que o hambúrguer tem
exatamente os mesmos ingredientes e técnicas de produção em todos os países e,
portanto, é o produto de comparação ideal.
Percebe-se então, claramente, que há uma diferença
fundamental entre taxa de câmbio – transações especulativas e de comércio
internacional – e Paridade de Poder de Compra – um mecanismo de comparação de
realidades econômicas. O exemplo acima situa-se no plano retalhista e varejista,
porém, como vimos, o objetivo maior visa sua projeção para o nível conjuntural do
Produto Nacional Bruto (PIB), buscando uma comparação entre países e suas
economias. E nessa dimensão encontramos surpresas. A
China lidera o ranking mundial com 19,29% do PIB global em PPC, seguida pelos
Estados Unidos (14,84%) e Índia (8,49%). Para ter outros exemplos, o Brasil
ocupa a 8ª posição, representando 2,39% do total, enquanto a Indonésia, que se
juntou recentemente ao bloco dos BRICS, aparece em 7º lugar (2,44%).
Finalmente cabe ver algumas conversões de moedas por PPC, em
comparação com a taxa de câmbio. Assim, enquanto a taxa do Real para o US dólar
se situa em torno de R$ 5,70, a PPC é de apenas R$ 3,36, ou seja, 41% a menos.
Na relação do o USD para Euro, observamos menos 26%. Já em relação ao Franco
Suíço, esse apresenta supervalorização de 17% sobre o USD.
O futuro e a relevância contínua da Paridade do Poder de
Compra (PPC) reside em sua capacidade de fornecer uma comparação da produção
econômica real e dos padrões de vida entre os países mais precisa do que as
taxas de câmbio convencionais, particularmente na avaliação do tamanho
econômico e do bem-estar entre as nações. Embora a sua aplicação não seja
isenta de limitações, as PPP continuam a ser essenciais para compreender as verdadeiras
diferenças entre as diferentes ecpnomias, especialmente entre economias desenvolvidas
e em desenvolvimento.
Será que um dia não haverá mais países caros e baratos?
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