Democracia 2.0
(“Democracy 2.0” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A democracia surgiu na Atenas antiga de forma direta e restrita aos
homens livres. Após séculos de eclipse, a partir do século XVIII, filósofos do
Iluminismo (Locke, Montesquieu, Rousseau) criticaram o absolutismo e defenderam
ideias democráticas fundamentais, como a soberania popular, os direitos
naturais, o contrato social e a separação dos poderes, ideais posteriormente
concretizados como resultados das revoluções das revoluções americana e
francesa. Sem mexer na essência dos princípios democráticos, percebe-se uma
contínua adaptação da operacionalidade do regime às transformações, às vezes
profundas ou repentinas, políticas, sociais e econômicas das diversas
sociedades.
O ideário democrático expandiu-se
através da luta pelo sufrágio universal e consolidou-se após a Segunda Guerra
Mundial em substituição dos regimes autocráticos até então existentes, com nova
onda nas últimas décadas do século XX. Seguiram a ampliação do sufrágio, o
surgimento dos partidos políticos e o fortalecimento das instituições
democráticas. Por fim, o pós-Segunda Guerra Mundial levou a uma onda de
democratização, especialmente na Europa Ocidental. A Declaração Universal dos
Direitos Humanos (1948) estabeleceu padrões democráticos globais. Hoje,
enfrenta desafios significativos, mas permanece um ideal e uma forma de governo
amplamente aspirada, baseada na soberania popular, no respeito aos direitos
fundamentais e na participação política.
Assim, entre recuos e avanços,
chegamos aos modelos democráticos atuais, mesmo havendo um consenso sobre as
enormes falhas e imperfeições da democracia moderna, com toda clareza
sintetizado por Winston Churchill nas palavras “A democracia e a pior forma
de governo, exceto todas as outras que foram tentadas”.
Entretanto, tudo indica que nos encontramos
às portas de uma nova revolução: a democracia em tempos de Inteligência
Artificial (IA). Embora essa ferramenta ainda se encontre em sua fase inicial e
sem a mínima perspectiva de sua capacidade total e de seus limites, desde já
coloca dados de enorme envergadura sobre realidades e necessidades nas mãos dos
políticos, seja do poder executivo, seja do legislativo, lentamente invalidando
conjecturas e hipóteses céticas, ou mermo de recusa. 6Todavia, desde já parece haver
perspectivas promissoras na interação entre democracia e IA. Uma das maiores
realizações a curto prazo deverá ser uma maior, mais direta, e mais eficiente
comunicação entre os governos com suas instituições e o cidadão. Canais diretos
entre o eleitor e seus representantes municipal, estadual e federal, ou seja,
entre cidadão e estado, abrirão caminhos mais eficazes num regime participativo.
Por outro lado, ferramentas de IA
poderão encurtar e assim tornar mais confiáveis os caminhos eleitorais, garantir
mais insuspeição e fiabilidade aos atos políticos e do estado no próprio meio de
administração pública, ao mesmo tempo proporcionando maior transparência e
eficiência, e o simultâneo combate à desinformação desde a identificação de distorções
e fake-news através de seus algoritmos, à radicalizações, não importa a
coloração ideológica, tudo isso alimentando uma maior confiança nos valores
democráticos e na validade do regime de livre participação do cidadão.
A lógica é simples: quanto mais
informações disponibilizadas, mais fácil e mais acertadas as decisões. Vejamos
um exemplo: A uma pergunta clara e um click, em segundos obtemos a situação e
as respectivas recomendações prioritárias relativas ao ensino fundamental público
nacional, dos estados individualizados e de municípios, como Blumenau, SC ou
Araguainha, MT, identificando-se a enorme diversidade em realidades e
resultados. Daí, impõe-se o questionamento sobre quantos políticos e
administradores públicos conhecem esses dados de forma objetiva e sem coloração
partidária. Evidentemente, esse recurso é aplicável a qualquer área do setor público
e privado.
Na contramão, os mesmos recursos estarão
disponíveis a quaisquer iniciativas antidemocráticas. Manobras de desinformação,
demagogia e populismo com falsas ilusões e promessas disporão de todos os
recursos de IA – facilmente acessíveis –, exigindo uma permanente vigilância,
seja por parte dos regimes democráticos, seja pelo próprio cidadão.
Afinal, o principal agente no
aperfeiçoamento da democracia é esse mesmo cidadão e cabe a ele a tarefa cívica
de buscar as informações objetivas, boas ou más, disponíveis através da busca e
concretização de uma vida de livre participação democrática, usufruindo seus
valores e benefícios.
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Muito interessante essa visão sobre política, administração pública e a aplicação da IA nestas áreas. Pessoalmente me preocupa o que se pode esperar do futuro próximo, principalmente em razão do baixo nível da educação formal do brasileiro e da inércia de alguns em buscar informações confiáveis sobre matérias de origem duvidosa.
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