segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Fake

 

Fake

(“Fake” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A enganação não é privilégio da espécie humana. Encontramos a “mentira” em outros seres vivos de vários reinos da fauna e flora. Nesses casos, obviamente, não têm caráter maldoso, mas servem como estratégia da natureza para garantir a sobrevivência ou o sucesso reprodutivo da respectiva espécie.

 

No mundo do homo primitivo, certamente, as estratégias do uso de inverdades tiveram os mesmos objetivos. Com a evolução da vida em sociedade, competição e interações mais complexas tornaram a manipulação da verdade um instrumento cada vez mais conveniente e usado no convívio    para a solução de entraves e problemas, seja do cidadão, seja da liderança. É a mentira instrumentalizada em busca de vantagem ou de alcance de interesses. Sociedades de organização e constelação mais sofisticadas deram origem a enganações mais refinadas.  

 

Intenções de alcance e conservação do poder, político ou econômico, há séculos recorreram ao uso de falsas informações ou distorções da verdade na tentativa de enganar o público. A mentira chegou a ser institucionalizada quando Josef Goebels, ministro de propaganda de Hitler, declarou que “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Outra maneira da propaganda enganosa daquela época (sem mídia social) era a propaganda dirigida de cochicho: “Você sabia que...”, “Eu sobe de fonte segura que...”. Em momentos de conflito – de intrafamiliar a internacional – o maior perdedor sempre é a verdade.

 

Entretanto, o avanço dos padrões morais e éticos como resultado da evolução cultural sofreu um dramático revés com o surgimento das mídias sociais. Qualquer pessoa consegue, sem qualquer custo ou responsabilização, divulgar qualquer informação, verdadeira ou falsa, até mesmo sem se identificar. E, em geral, o palco de difusão dessas notícias tem caráter criminoso, ou político. Quando não são tentativas muito bem elaboradas com fins criminosos, são desinformações dirigidas de cunho político – mormente eleitoral – de lado a lado e ao redor do mundo. O recente uso da inteligência artificial no mundo fake agravou o problema, enriquecendo significativamente a ferramentaria digital, e o nível qualitativo e técnico da inverdade. E qualquer pessoa, por ingenuidade, interesse, ou maldade, pode replicar e repassar reiteradamente qualquer mensagem, com boas ou más intenções, tanto verdades, quanto mentiras.

 

O avanço tecnológico na área digital torna cada vez mais difícil identificar a autenticidade da mensagem. A sociedade passou a ser, por um lado, beneficiada com a imediatez da informação, por outro, vítima involuntária de um sistema de dualidade quanto a seu uso. Na verdade, existem meios e fontes bastante confiáveis que permitem verificar a veracidade de boa parte das mensagens colocadas na mídia social. Porém, a busca pela autenticidade, ou não, da informação requer algum empenho, ou, então, um elevado espírito crítico e analítico. Há inverdades evidentes, outras revelam sua intenção enganosa (“vai haver...”, “já está em curso...”) logo, basta deixar passar o prazo anunciado e verificar, outras são de complexidade tecnológica considerável. Por outro lado, o autor de mensagens enganosas ou ilusórias sabe que, na outra ponta há pessoas que buscam de um ‘colírio’, seja com respeito ao emprego, ao amor, ou à próxima safra. E não faltam artifícios que fazem mentiras parecer verdades.

 

Naturalmente, com destaque no espectro político, a fake news pode estar perfeitamente sintonizada com os desejos e as expectativas do destinatário da mensagem, e assim, mesmo inverídica, encontra aceitação, aprovação e eco. Afinal, a esperança faz parte de capacidade humana de lidar com o futuro.

 

Ao receber fake news, cada pessoa aplica seu arbítrio. Ela tornou-se parte de nosso cotidiano com os mais diversos efeitos sobre as pessoas, da apatia ao entusiasmo. Porém, para toda fake news há uma informação contrária. Diante disso, é bom lembrar Abraham Lincoln, quando diz: “Você pode enganar a todos por algum tempo, a alguns o tempo todo, mas não pode enganar a todos o tempo todo.”

 

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