sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

IA, Benção ou Fim da Nossa Civilização?

 

IA, Benção ou Fim de Nossa Civilização?

(“AI, Blessing or the End of Our Civilization?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O homem, por natureza, é frágil como todo ser vivo. Sua história de necessidade de permanência nesse mundo, por meio da evolução de seu potencial intelectual e o consequente estabelecimento de valores morais, sua organização social e política, garantiram-lhe reduzir significativamente essa vulnerabilidade multifacial.

 

Essa capacidade intelectual fê-lo superar ameaças e reduzir essa fragilidade ao longo de milhares de anos, estabelecendo lentamente um domínio sobre nosso planeta. Mas, mesmo com a espetacular evolução da pedra lascada à inteligência artificial, o homem continua um ser frágil num mundo incerto. Continuamente, ele vem melhorando seu conforto e aumentando sua segurança existencial. Mesmo assim, o que já foi a incerteza da alimentação do dia seguinte, hoje assumiu dimensões de incompetência de vencer as barreiras de uma sociedade altamente complexa e sofisticada. Afinal, continuamos sem garantia e sem certeza – de nada.             

 

As invenções humanas em busca de melhorar as condições de vida tem uma forte tendência de serem desvirtuadas para fins prejudiciais, ou mesmo destrutivos. O que hoje é benção, amanhã poderá ser destruição e caos. Enquanto temos o avião inventado como simples resultado do conhecimento de física, e que acabou um terrível instrumento de guerra, por outro lado, a lança criada como arma pelo homo sapiens, hoje é um mero objeto de esporte.

 

Como parte do salto tecnológico do século XX, a cibernética deu origem a um mundo informatizado, começando como pacíficos computadores ou processadores de dados, mas evoluindo também para mortíferas armas de guerra. E diariamente, mais aspectos do nosso cotidiano ganham sofisticações digitais, seja para aumentar índices de qualidade e eficiência, seja para substituir o trabalho humano.

 

E chegou a inteligência artificial – a IA. Estudos iniciado já em 1956 são considerados o nascimento oficial da IA como um campo de pesquisa. O objetivo era explorar como fazer máquinas usarem linguagem, formarem conceitos, resolverem problemas e melhorarem a si mesmas. Abriu-se a porta para um novo mundo. Primeiramente, apenas uma fresta no campo da informática, mas logo uma abertura escancarada. Depois das décadas iniciais, vivemos hoje quase diariamente pequenas ou maiores revoluções, de processos industriais a simples - (?) - manipulações de imagem e falas, até a criação de novas realidades a partir de dados visuais e vocais remotamente existentes.

 

Tudo isso soa fantástico. Sem dúvida, a humanidade está entrando numa nova era com um primeiro passo, sem conhecer o traçado do caminho, nem o destino final. Se por um lado isso surpreende e entusiasma, por outro, assusta. Ninguém consegue imaginar um mundo dominado pela IA, e principalmente não o homem convivendo com uma realidade de IA cercando, orientando e conduzindo seu cotidiano – determinando sua vida sem ele entender o ‘o que’ e o ‘como’ atrás de tudo.

 

Já hoje, as gerações mais velhas, em sua grande maioria não compreendem, nem sabem usar simples recursos e rotinas de informática. Isso gera obviamente enormes inseguranças e temores. Afinal, a perspectiva para o cidadão comum e leigo no assunto é a de um voo cego, sem piloto e sem destino. E ainda há a nuvem preta da IA que conseguirá se auto-reprogramar e, dessa maneira, fugir do controle e comando humano.

 

Essa incerteza de massa, conviver com um cérebro artificial paralelo permite concluir o surgimento de um vazio existencial, podendo resultar em apatia, resignação, e, por fim, o questionamento do sentido da vida, a desistência de querer suportar a pressão da incerteza e do atrofiamento da animação – e isso em escala coletiva.

 

Mas insegurança e incerteza continuarão: e se deixar de funcionar?

 

Durante milhares de anos, a tecnologia foi uma benção para a humanidade. Em algum momento, seus recursos e capacidades passarão a ser sua desgraça? Por quantas gerações a humanidade sobreviverá com seu arbítrio assumido, controlado e comandado por programas de IA em troca de uma existência programada e garantida?

 

Resumindo numa pergunta final: quanto tempo sobreviverá nossa civilização com seu conhecimento milenar terceirizado, sem  necessidade de resolver seus desafios e obstáculos – e com uma poderosa elite formada por pouca pessoas que controlam a IA?       

Um comentário:

  1. O assunto é complexo, até porque não existem limites estabelecidos ou mesmo imagináveis. E a partir disso, o que a sociedade pode considerar como certo ou errado. Nas mãos certas IA é um benefício, em mãos erradas se torna uma praga arrasadora.

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