quinta-feira, 7 de maio de 2026

Uma Curta História dos Trabalho

 

Uma Curta História do Trabalho

(“A Short Story of Labor” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

O trabalho é assunto desde tempos bíblicos, mesmo, na época, sendo um trabalho direto da mão para a boca –  "ganhar o pão com o suor do rosto", Gênesis 3:19.  A natureza sempre oferecia, mas a obtenção de seus produtos nunca foi fácil, mesmo com os recursos desenvolvidos em cada momento a história do homem. É uma luta permanente pela sobrevivência e a dignidade humana, com o empenho do esforço físico ou mental.

 

A humanidade carrega o trabalho em seu código genético – uma questão de sobrevivência. Entretanto, como herbívoro, o homem é muito vulnerável, como carnívoro, a natureza foi pouco generosa. Lhe faltam ferramentas naturais – uma experiência de centenas de milhares de anos de vida nômade.

 

Em compensação dotou-o com uma capacidade mental ausente em outros seres vivos. Daí a evolução para a fixação na terra. O trabalho regular e o cultivo racional da terra passaram a gerar produtos excedentes e tempo livre, condições essenciais para a formação de sociedades e o nascimento de culturas, que, porém, e por sua vez, tornaram o trabalho indispensável.

 

Ao longo de milhares de anos, o trabalho ganhou características de profissão, servindo a diferentes finalidades e atendendo necessidades específicas de cidadãos e coletividades. Enquanto o campo concentrou a grande maioria do trabalho, as profissões urbanas foram se organizando, por exemplo, nas guildas (associações de classe). Nesse período, o trabalho rural era executado pela família inteira, o profissional, porém, somente por homens.  

 

A revolução industrial (e energética) foi também uma revolução do trabalho. A humanidade conhecia o trabalho escravo da antiguidade e do período de colonização da América (em menor escala na África). Com a chegada da Revolução Industrial, o trabalho corporal novamente sofreu abusos em larga escala, quando vemos, por exemplo, o trabalho de crianças com 12 anos, por 10 a 12 horas por dia, nas minas de carvão, assim tornando possível túneis mais baixos (e mais baratos) – era comum que morressem de tuberculose antes dos 20º anos de idade. O excesso de filhos nas famílias rurais (mais higiene e medicina, menor mortalidade infantil) obrigava a busca por trabalho nas novas empresas industriais e de mineração. Consequentemente, o excesso de oferta de mão de obra criou uma dependência quase absoluta do empregador.  

 

O poder público da época era exercido quase exclusivamente pela nobreza, muitas vezes dona desse novo potencial industrial. Levou décadas para movimentos socias, inicialmente apolíticos e religiosos, conquistassem poder político através de partidos socialistas e de trabalhadores, que, em virtude da gravidade da situação, ganharam rapidamente importância e peso decisório. O mundo parlamentar, até então moderador do poder autocrático, começou a dividir-se em capitalista e socialista/comunista.

 

Isso trouxe gradualmente benefícios inegáveis para o trabalhador, uma vez que a insistência socialista começou a conseguir regulamentações e benefícios para a classe trabalhadora. Sindicatos foram oficializados, e as condições de trabalho amplamente normatizados. A Consolidação das Leis do Trabalho brasileira de 1943 é um exemplo. Se por um lado essas legislações acabaram por engessar as relações de trabalho, por outro é bom frisar que elas sempre foram baixadas em ambiente de abundância na oferta de mão-de-obra.

 

Essa realidade encontra-se em contínua mudança nas últimas décadas. As situações brasileiras, bem como de outros países em larga escala, sofreram profundas redimensiones demográfico/familiares. As populações em idade produtiva estão constantemente encolhendo. Mesmo com a crescente dispensa de mão-de-obra nos processos produtivos, comerciais e de serviços motivados por suportes de automação e robotização, a demanda de trabalho humano, obviamente cada vez melhor qualificada, aumenta cada vez mais.

 

O Brasil, ao lado de muitos outros países, especialmente europeus, encontra-se hoje no que em teoria econômica se chama de pleno emprego (5% ou menos de desemprego, em boa parte sendo pessoas incapacitadas física ou mentalmente e aquelas sob custódia do Estado). E isso tem consequências, não somente diretas, mas também indiretas. Levantam-se questões como a validade de suporte sindical, ou da necessidade de regulamentação refinada, quando o trabalhador, diante de sua crescente escassez, ganha cada vez mais espaço e poder de negociação. Cabe aqui sublinhar que, além der ser uma realidade nova e inusitada, essa é a situação do trabalho qualificado, o não qualificado fica fora dessa situação vantajosa.

 

Num mercado de consumo, quem manda é a demanda – no do trabalho, idem. Dessa maneira, em decorrência da dinâmica demográfica em curso, a balança de negociação entre empregador e empregado tenderá a pender cada vez mais para o lado desse último. Será ele quem aceitará, ou não, as ofertas do empregador, seja em condições de trabalho, seja em remuneração. Legislações deverão passar para ser desconsideradas e desrespeitadas, não pelo empregador, mas pelo empregado. A própria discussão em torno do trabalho 6x1 parece atrasada e sem validade prática. A atual rotatividade elevada de emprego em supermercados, restaurantes, e outros, não deveria ser ignorada, mas entendida corretamente – e com coragem.

 

O mundo do trabalho, à margem de vontades políticas, parece sair de um conjunto de sofrimento e privação para entrar em outro de satisfação de realização de atividades produtivas, e respeito mútuo entre capital e trabalho.