Crise Econômica e Demografia
Klaus H. G. Rehfeldt
Flutuações e movimentos oscilatórios são elementos
constantes na vida econômica das sociedades, das nações e das regiões supranacionais
economicamente semelhantes. É uma constância histórica que em suas
manifestações extremas é observada na ascensão e queda de economias nacionais
da antiguidade aos dias de hoje, da Mesopotâmia à União Soviética.
Nas
formas mais amenas e mais frequentes, as variações ocorrem no curso de longos períodos
de desenvolvimento, estagnação ou retração. Fatores e evoluções conjunturais
com as mais diversas causas e efeitos aceleram e desaceleram as dinâmicas
económicas, resultando em avanços ou involuções. Enquanto fases de progresso
econômico sofrem poucas intervenções corretivas, períodos de retração impõem a
necessidade de medidas defensivas ou corretivas conforme as particularidades
identificadas.
O Brasil
já passou por crises das mais diversas causas e naturezas: de cambiais às de
abastecimento, daquelas de origem política às importadas, causadas por
desacerto da administração pública ou por especulação desastrosa. Igualmente
diversos e variadas foram as medidas corretivas com políticas financeiras
restritivas ou abrangentes, instrumentos fiscais de arrocho ou de incentivo,
subsídios e confiscos, racionamentos ou emissões e moeda sem lastro, entre
tantas outras em busca de uma recuperação.
.
No
contexto da economia de consumo em vigor no Brasil, as revitalizações mais
recentes sempre ganharam um ímpeto adicional decorrente do crescimento intenso
da população, em geral não afetado por crises econômicas. Durante a chamada
‘década perdida’ de 1980 a 1990, acumulou-se um aumento populacional de cerca
de 22%, proporcionando um significativo reforço na reativação do consumo. Hoje
temos outra situação. Nos 10 anos da crise que se iniciou em 2008 até hoje, houve
um aumento demográfico de apenas 7,5%. Esta realidade demográfica, que
certamente explica, pelo menos em parte, a lenta recuperação econômica atual,
ainda não habita as mentes do mundo econômico e político. Menos ainda, o fato
de que o IBGE projeta para a década de 2030 (daqui a cerca de 15 anos!) a
inversão do crescimento populacional, dando início a um período de decréscimo
demográfico.
Lentamente,
uma crise implacável delineia-se no horizonte econômico brasileiro: uma crise
de essência – uma economia de consumo com perda de consumidores. Nosso modelo
econômico não é eterno!
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