sábado, 30 de março de 2019

Crise Econômica e Demografia



Crise Econômica e Demografia

Klaus H. G. Rehfeldt


Flutuações e movimentos oscilatórios são elementos constantes na vida econômica das sociedades, das nações e das regiões supranacionais economicamente semelhantes. É uma constância histórica que em suas manifestações extremas é observada na ascensão e queda de economias nacionais da antiguidade aos dias de hoje, da Mesopotâmia à União Soviética.

            Nas formas mais amenas e mais frequentes, as variações ocorrem no curso de longos períodos de desenvolvimento, estagnação ou retração. Fatores e evoluções conjunturais com as mais diversas causas e efeitos aceleram e desaceleram as dinâmicas económicas, resultando em avanços ou involuções. Enquanto fases de progresso econômico sofrem poucas intervenções corretivas, períodos de retração impõem a necessidade de medidas defensivas ou corretivas conforme as particularidades identificadas.

            O Brasil já passou por crises das mais diversas causas e naturezas: de cambiais às de abastecimento, daquelas de origem política às importadas, causadas por desacerto da administração pública ou por especulação desastrosa. Igualmente diversos e variadas foram as medidas corretivas com políticas financeiras restritivas ou abrangentes, instrumentos fiscais de arrocho ou de incentivo, subsídios e confiscos, racionamentos ou emissões e moeda sem lastro, entre tantas outras em busca de uma recuperação.
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            No contexto da economia de consumo em vigor no Brasil, as revitalizações mais recentes sempre ganharam um ímpeto adicional decorrente do crescimento intenso da população, em geral não afetado por crises econômicas. Durante a chamada ‘década perdida’ de 1980 a 1990, acumulou-se um aumento populacional de cerca de 22%, proporcionando um significativo reforço na reativação do consumo. Hoje temos outra situação. Nos 10 anos da crise que se iniciou em 2008 até hoje, houve um aumento demográfico de apenas 7,5%. Esta realidade demográfica, que certamente explica, pelo menos em parte, a lenta recuperação econômica atual, ainda não habita as mentes do mundo econômico e político. Menos ainda, o fato de que o IBGE projeta para a década de 2030 (daqui a cerca de 15 anos!) a inversão do crescimento populacional, dando início a um período de decréscimo demográfico. 

            Lentamente, uma crise implacável delineia-se no horizonte econômico brasileiro: uma crise de essência – uma economia de consumo com perda de consumidores. Nosso modelo econômico não é eterno!

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