Envelhecimento e Expectativa de Vida
Klaus H. G. Rehfeldt*
Com seu início no século 19, um dos fenômenos mais
curiosos e surpreendentes do século 20 foi o extraordinário aumento de
expectativa de vida a partir da década de 50. No Brasil, ao longo das últimas 6
décadas, a expectativa de vida aumentou em 30 anos.
Obviamente,
a esperança de vida aumenta ao passo em que a pessoa atinja idades mais
elevadas. Enquanto o bebê que nasce hoje deve, estatisticamente, chegar a uma
idade de aproximadamente 75 anos, quem hoje já estiver com 60 anos de idade,
tem boas chances de viver até aos 83 anos – ou mais. O número de pessoas
longevas aumenta constantemente.
Em 1994,
o Estatuto do Idoso definiu a idade de 60 anos como idade limite para o
ingresso legal nessa fase da vida. Naquela época, a expectativa de vida era de
67,5 anos, proporcionando uma sobrevida média de 7,5 anos. Nos últimos 22 anos,
esse período mais que triplicou para quase 25 anos.
Achar
que apenas a fase idosa das pessoas está se prolongando é totalmente absurdo
sob o ponto de vista biológico. Na realidade, todas as fases da vida ganharam
um bônus em sua extensão. A simples comparação de duas pessoas aos 60 anos na
época dos anos 50 e nos dias de hoje não deixa a menor dúvida: então uma pessoa
quase no fim da vida, o sessentão de hoje ofende-se ao ser chamado de velho e
recusa-se estacionar seu carro em espaço preferencial para idosos.
Urge, portanto,
revisar o parâmetro que legalmente estabelece a idade de entrada na terceira
idade, pois enquanto a fase de maturidade e produção do homem fica engessada
para pouco mais de 40 anos, no curto espaço de 23 anos, o período da ‘velhice
legal’ do brasileiro aumentou de 11% para 20% de toda a sua vida. Nesta
progressão, daqui a 10 anos um quarto da população é considerado velho por lei
– com grande parte desse contingente fazendo questão de trabalhar e de viver
uma vida vigorosa.
Se a questão em foco
tivesse sido tratada adequadamente em tempo hábil, boa parte da discussão em
torno da reforma da previdência perderia sua razão de ser.
*Autor do livro "2050 d.C. - A Prosperidade sem Crescimento - e sem Propriedade", 2016, Chiado Editora, Lisboa
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