domingo, 24 de novembro de 2019

Pobreza e Desigualdade



Pobreza e Desigualdade

(Poverty and InequalityThis text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

A desigualdade econômica e social entre membros de uma mesma sociedade é uma componente constante na história da humanidade desde as origens da organização dos corpos sociais. Inicialmente encontramos nas respectivas extremidade do perfil econômico da sociedade aqueles poucos que detêm os poderes político – religioso – e econômico e uma grande massa vivendo no nível da subsistência, ou um pouco acima (quando não em regime de escravidão ou servidão), Este estado de coisas praticamente não mudou durante milhares de anos pela simples falta de um crescimento econômico contínuo e razoavelmente significativo. Nessa situação, a desigualdade econômica e social era, obviamente, enorme. Castelos e exércitos privados de uma lado, no outro, a mera sobrevivência, doenças, fome e uma expectativa de vida abaixo de 40 anos.
            A partir da revolução industrial começam a se formar concentrações de riqueza nas mãos dos protagonistas da nova economia industrial e de seus desdobramentos por uma lado e, por outro, uma nova classe de trabalhadores assalariados.com crescentes chances de incrementar seu status econômico e começar a constituir uma classe média. Como se tratava de uma mudança bastante rápida – a palavra revolução industrial diz tudo –, não surpreende que essas chances eram diminutas, senão inexistentes para uma grande parte da população. Mesmo assim, registrou-se um contínuo avanço nas melhorias sociais e de auferimento de renda ao longo dos últimos dois séculos gerando uma classe média sólida e duradoura.
Não resta dúvida, porém, que um grande contingente da população não conseguia e continua não conseguindo fugir da pobreza. Entre esses podemos identificar duas situações distintas, aqueles presos à pobreza absoluta, ou seja os econômica e socialmente excluídos, e os que simplesmente não conseguem acompanhar o passo do desenvolvimento tecnológico e econômico de seu ambiente existencial. Para os primeiros, os remédios devem ser procurados em iniciativas governamentais, seja na forma do programas assistenciais como bolsa família ou renda básica universal, seja na revisão tributária relativa a produtos essenciais.
Já no segundo grupo, dos relativamente pobres, a situação é bem diferente. A expressão ‘relativamente pobre’ deve ser entendida considerando os padrões de pobreza em cada época: há cem anos, possuir rádio e telefone era sinal de riqueza, hoje há mendigo acompanhando meio escondido seu whatsapp.
As repetidas constatações de um aumento da desigualdade entre mais ricos e mais pobres, comparando os patrimônios de 1 ou 10% da população mais rica com os 30 ou 50% mais pobres de uma sociedade, não devem necessariamente ser interpretadas como aumento da pobreza. A problemática em torno da desigualdade econômica fica evidente quando imaginamos o que aconteceria com a desigualdade econômica num pais como o lindo mas pobre Haiti se Bill Gates de mudasse com seus US$ 110 bilhões para lá.
Mas há outro aspecto. Enquanto duas a três gerações eram precisas para a construção das grandes fortunas dos últimos dois séculos, mais recentemente podemos observar a constituição de patrimônios bilionários em períodos de uma ou duas décadas, especialmente na área da tecnologia de informação; start ups podem transformar-se em unicórnios em menos de 10 anos. São espaços de tempo absolutamente insuficientes para absorver e integrar contingentes populacionais mais numerosos nessa dinâmica de progresso tecnológico e econômico e, por conseguinte, se beneficiar dela. A prova está no clamor universal por mão de obra qualificada para operar e desenvolver as tecnologias mais recentes.
Recentemente noticiam-se com mais frequência aumentos de desigualdade econômica e social, simplesmente sugerindo como causa o empobrecimento das camadas menos abastadas da população. Esta conclusão pode ser parcialmente correta, porém outro aspecto da atualidade parece muito mais importante. Na corrida do desenvolvimento, os poucos protagonistas do avanço tecnológico e econômico saíram disparando na frente numa velocidade que a restante população não conseguem acompanhar. Com isso encorparam aquela minoria na ponta da prosperidade sem, no entanto, causar o empobrecimento de outros segmentos populacionais. Assim, a desigualdade não é necessariamente só de patrimônio, mas de capacidade de ajuste a novas realidade tecnológicas e econômicas. Lembrando que sem esta consideração, os resultados apurados acabam por ganhar conotação demagógica, passo a palavras para a educação.    


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O Clique do Repasse



O Clique do Repasse
(The Pass On Click - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Na medida em que a comunicação eletrônica intensificou, e muito, nossos contatos e laços com um número cada vez maior de pessoas e entidades, aumentou expressivamente nossa visibilidade em todos os sentidos. 

Sempre quando ouço falar em privacidade me pergunto quem, e em que grau, está realmente preocupado com isso. Obviamente, empresas como google, facebook, twitter, instagram e similares precisam manter o respeito pela privacidade em suas bandeiras, mais em defesa própria do que no interesse do usuário. Em outra esfera, as mais diversas instâncias governamentais mantêm hoje incontáveis câmaras de segurança, inclusive com identificação facial, nos espaços públicos, e se sua janela estiver aberta, nada impede uma olhadela por um desses espiões para dentro de seu quarto. Coisas de Big Brother e o público vê isso com indiferença.
Quando, porém, você se deslocar para o imenso mundo das redes sociais, a indiferença cede lugar irresponsabilidade – especialmente com respeito à privacidade do próprio autor de textos, comentários, contribuições etc. Até o advento dessas redes, as comunicações interpessoais, fossem elas faladas ou escritas, salva quando se tratasse de efetivas agressões, desenvolviam-se obedecendo determinados preceitos de respeito ao interlocutor. A fora a consideração demonstrada com relação ao outro, esta conduta, as vezes até exacerbada ao ridículo ou caricato, pouco, ou quase nada, revelava sobre o caráter, os princípios, as convicções etc. do emitente da mensagem, salvo se ele voluntariamente ou por inabilidade ou descuido desse mostras nestes sentidos. A preservação da imagem do interlocutor sempre está presente nessas modalidades de comunicação, não por último devido à identificação inevitável.
A intercomunicação através das redes sociais invalidou amplamente os filtros convencionais. A origem da notícia ali veiculada pode se perder no espaço e no tempo através de repetidos repasses e o destinatário é a rede, uma coletividade amorfa de receptores interessados, ou não. E é exatamente a falta deste tipo de filtros que acaba por expor o ‘autor’ da notícia sem que ele se dê conta disso.  Mesmo as postagens não sendo de autoria do emitente, seus conteúdos e o fato de serem repassados categorizam o autor do clique, identificando-o como simpatizante do assunto enfocado e de sua interpretação (salvo em caso de manifesta contestação).   
O anonimato leva a pessoa a não se importar com os efeitos daquilo que diz ou escreve e, por conseguinte, propiciando que esqueça, ou mesmo dispense a autocrítica. Dessa maneira, basta um número relativamente pequeno de repasses relativos a um determinado tema para o interlocutor ganhar elementos suficientes para deduzir um perfil geral ou específico do repassador. Este perfil fica mais preciso na medida em que aumentam os repasses.
Na prática, o que parece um mero automatismo transforma o autor do clique de protagonista em vítima da insensatez do próprio narcisismo, da sensação de palco, de (supostas) genialidade ou sabedoria e outras fraquezas mais.
Diante disso fica a pergunta: será que a pessoa realmente deseja produzir a imagem – a nudez de sua personalidade – que seus cliques de repasse são capazes de construir?


domingo, 3 de novembro de 2019

Os Buracos São Mais embaixo.



Os Buracos São Mais em Baixo.
(The Holes Are Further Down. - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Depois de previsões generalizadas de um período de esfriamento do nosso planeta na década de 1980, um passado mais recente aponta na direção contrária: o aquecimento global. Se este fenômeno tem e em que grau, ou não, contribuição humana deveria ser visto como secundário, uma vez que trabalhamos apenas com conjecturas por falta de conhecimentos específicos e mecanismos que permitam determinar com precisão dados, causas e efeitos e suas respectivas intensidades. Como, porém, vivemos uma situação bastante clara, cabe-nos enfrenta-la e fazer o possível para limitar ou reduzir reais e possíveis causas e efeitos. E é o que está acontecendo de variadas formas. Os focos de proteção ambiental são os mais diversos e amplamente conhecidos: poluição atmosférica, dos mares e da terra pela mão humana.
            Mass nem tudo é ‘obra’ do homem. Um asteroide caiu na Terra, há 350 milhões de anos, e, além de outros estragos enormes, extinguiu os lagartos sauros, abrindo espaço para o futuro dos mamíferos. Sempre e até na atualidade, vulcões irrompem de tempos em tempos em todo o plantes. Pinatubo e Tambora são conhecidos, e conhecidos são as catástrofes ambientais que causaram. Segundo vulcanólogos, existem hoje cerca de 1.900 vulcões em estado ativo ou latente na superfície da Terra.
Pouco, porém se sabe dos vulcões submarinos estimados pelos mesmo estudiosos em cerca de um milhão, que se escondem no fundo dos mares ao longo de fendas geológicas, margens de placas tectônicas e outros locais. Trata-se de um mundo menos conhecido do que muitas regiões do espaço sideral. Erupções desses vulcões, quase sempre episódicos, costumam liberar, além da magma que permanece no fundo do mar, gases como dióxido de enxofre, dióxido de carbono (CO2), halogêneo de hidrogênio e ácido sulfúrico, que podem chegar à atmosfera às centenas de milhões de toneladas numa ertupção. Dependendo da profundidade da erupção e de sua intensidade, estes gases chegam à atmosfera em formas que variam de espessos rolos de fumaça a bilhões de pequenas bolhas. Não dispomos de meios para medir os danos causados à fauna e flora marinha por esses eventos. 
Outro aspecto é o próprio calor da magma e dos gases transmitido à água. Se por uma lado temos imensos volumes de água distribuídos nos mares de nosso planeta, por outro é preciso considerar que as temperaturas dos mares situam-se num gradiente de menos de 20o C entre as maiores profundidades e a superfície. E bastam, por exemplo, mudanças de frações decimais de graus no Oceano Pacífico para desencadear fenômenos climáticos como El Niño com efeitos dramáticos no continente sul-americano. Pesquisadores concluíram que, nos últimos anos, as atividades vulcânicas submarinas se intensificaram – e as temperaturas médias anuais sobre a Terra subiram.
Nessas profundidades, imensas forças eruptivas contrapõe-se a pressões de colunas d’agua de milhares de metros de altura num frágil equilíbrio.  Somos efetivamente impotentes contra tais forças da natureza e as condições que elas criam, mas isso não nos isenta da responsabilidade de evitar que a ação humana agrave ainda mais a situação.       


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Vida Eterna?



Vida Eterna?
(Eternal Life? - This text was written in a way to ease electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Recentemente, a revista Veja publicou um artigo sob o título “Em Busca da Vida Eterna”. Ali elencou uma série de pesquisas médicas realizadas nas mais diversas universidades mundo afora, destinadas a prevenir ou corrigir deficiências físicas e mentais, sejam elas de origem natural pelo próprio envelhecimento do organismos, sejam por razões patológicas. Um verdadeiro festival de ciborguisação. Não há dúvida que se trata de pesquisas sérias e com resultados confiáveis, especialmente concernindo casos específicos. Até onde tais intervenções são aplicáveis de forma concomitante, ou mesmo que sucessivamente em várias partes e funções do nosso organismo, ficará para outro plano de investigação médica científica. O otimismo, porém, impressiona e toda iniciativa para melhorar ou preservar condições de saúde é merecedora de aplausos.
            A vida e sua duração, entretanto, exigem outras considerações e abordagens. Sob o aspecto biológico existe uma predeterminação na natureza inerente a cada espécie diretamente ligada à sua constituição fisiológica e seu ambiente vivencial. Entre todas as espécies da fauna conhecidas, apenas o homem sofreu mudanças realmente radicais ao longo de sua história (em escala infinitamente menor, alguns animais domesticadas). Como nesse caso se trata de uma evolução qualitativamente positiva, envolvendo diversos fatores de melhora das condições de vida, seria no mínimo ingênuo ou míope não admitir que isso possa ter influenciado a duração de vida da espécie humana.
Existe uma diferença entre limite biológico de idade e expectativa de vida. Desde quando existem registros mais numerosos sobre longevidades atingidas ao longo dos últimos dois milênios, as mesmas giram em torno dos 100 anos. O que tem mudados é o número de pessoas que, não por último pelos avanças da medicina, se aproximam – e cada vez mais – dessa idade limite, aumentando sua expectativa de vida. É preciso atentar, porém, que nessa grandeza trata-se de uma média estatística influenciada, também positivamente, pela queda drástica dos índices de mortandade infantil durante as últimas décadas.
Por outro lado, uma vida eterna generalizada envolveria uma questão demográfica importante. A cada cerca de 30 anos nasce uma nova geração em número aproximadamente igual à anterior. Na hipótese da vida eterna, não havendo mortes na ponta dos idosos, isso significaria um aumento populacional em progressão geométrica, ou seja, ao cabo de 100 anos teríamos uma população cerca de dez vezes maior que a atual – algo em torno de 70 bilhões de habitantes com uma consequência fatídica: muito antes de chegar nesse ponto, os jovens eliminariam os velhos para não morrer de fome. Adeus, vida eterna.