O Clique do Repasse
(The Pass On Click - This text was written in a way to ease comprehensive
electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Na
medida em que a comunicação eletrônica intensificou, e muito, nossos contatos e
laços com um número cada vez maior de pessoas e entidades, aumentou
expressivamente nossa visibilidade em todos os sentidos.
Sempre
quando ouço falar em privacidade me pergunto quem, e em que grau, está
realmente preocupado com isso. Obviamente, empresas como google, facebook,
twitter, instagram e similares precisam manter o respeito pela privacidade em
suas bandeiras, mais em defesa própria do que no interesse do usuário. Em outra
esfera, as mais diversas instâncias governamentais mantêm hoje incontáveis
câmaras de segurança, inclusive com identificação facial, nos espaços públicos,
e se sua janela estiver aberta, nada impede uma olhadela por um desses espiões
para dentro de seu quarto. Coisas de Big Brother e o público vê isso com
indiferença.
Quando, porém, você se deslocar para o imenso
mundo das redes sociais, a indiferença cede lugar irresponsabilidade –
especialmente com respeito à privacidade do próprio autor de textos,
comentários, contribuições etc. Até o advento dessas redes, as comunicações
interpessoais, fossem elas faladas ou escritas, salva quando se tratasse de
efetivas agressões, desenvolviam-se obedecendo determinados preceitos de
respeito ao interlocutor. A fora a consideração demonstrada com relação ao
outro, esta conduta, as vezes até exacerbada
ao ridículo ou caricato, pouco, ou quase nada, revelava sobre o caráter, os princípios,
as convicções etc. do emitente da mensagem, salvo se ele voluntariamente ou por
inabilidade ou descuido desse mostras nestes sentidos. A preservação da imagem
do interlocutor sempre está presente nessas modalidades de comunicação, não por
último devido à identificação inevitável.
A intercomunicação através das redes sociais invalidou
amplamente os filtros convencionais. A origem da notícia ali veiculada pode se
perder no espaço e no tempo através de repetidos repasses e o destinatário é a
rede, uma coletividade amorfa de receptores interessados, ou não. E é
exatamente a falta deste tipo de filtros que acaba por expor o ‘autor’ da
notícia sem que ele se dê conta disso. Mesmo
as postagens não sendo de autoria do emitente, seus conteúdos e o fato de serem
repassados categorizam o autor do clique, identificando-o como simpatizante do
assunto enfocado e de sua interpretação (salvo em caso de manifesta contestação).
O anonimato leva a pessoa a não se importar
com os efeitos daquilo que diz ou escreve e, por conseguinte, propiciando que
esqueça, ou mesmo dispense a autocrítica. Dessa maneira, basta um número
relativamente pequeno de repasses relativos a um determinado tema para o
interlocutor ganhar elementos suficientes para deduzir um perfil geral ou
específico do repassador. Este perfil fica mais preciso na medida em que
aumentam os repasses.
Na prática, o que parece um mero automatismo transforma
o autor do clique de protagonista em vítima da insensatez do próprio
narcisismo, da sensação de palco, de (supostas) genialidade ou sabedoria e
outras fraquezas mais.
Diante disso fica a pergunta: será que a
pessoa realmente deseja produzir a imagem – a nudez de sua personalidade – que
seus cliques de repasse são capazes de construir?
E a ficção virou realidade. "O Grande Irmão" a tudo vê e à todos vigia. E, presume-se, toda essa "invasão" será cada vez pior.
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