sábado, 21 de dezembro de 2019

Sustentabilidade Lucrativa



Sustentabilidade Lucrativa

(Profitable Sustainability - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Nada mais sustentável que a reposição natural promovida pela natureza através de seus mecanismos de perpetuação das espécies, cada uma adaptada em seu meio, integrada com as outras e com seu próprio modo e ciclo de vida. O que por milhões se anos era um sistema absolutamente simbiótico e equilibrado, salvo em momentos de catástrofes naturais, sofreu a repentina e crescente interferência através de uma das espécies que, pela incomum evolução de sua capacidade mental, destacou-se das outras, subjugando todas as outras à sua vontade, a seu serviços e a seu consumo – o homem sapiens.
O homem começou a cultivar vegetais, domesticas animais, e caça-los com o uso de armas, sem as quais jamais os dominaria – tudo para seu sustento cada vez mais assegurado e garantindo sua expansão sobe a Terra. Hoje, tirando camundongos, ratos e morcegos, o homem é de longe o mamífero mais populoso do planeta com cerca de sete e meio bilhões de seres, sempre recorrendo à outras espécies da fauna e flora para sua alimentação (como elevadas taxas de desperdício) e outros usos (muitas vezes supérfluos).
O planeta tem dimensões imutáveis e, consequentemente, seus recursos são limitados. Daí a premissa, senão imposição, da necessidade de seu uso mais racional possível. E isso é possível. Um exemplo: em países europeus, como Alemanha, França, Áustria e outros, é bastante fácil encontrar refeições com carne de caça nos cardápios. A explicação é simples: os animais silvestres existem e sua caça é regulamentada de maneira que fique garantida a preservação numérica da espécie, mas animais adultos sejam abatidos antes de sua morte natural.
O mesmo raciocínio é aplicável à flora, especialmente à de vida longa como as árvores, matéria prima e um dos elementos centrais de construção da humanidade. Onde as árvores abundam, a madeira era explorada sem preocupações por longos tempos, até, recentemente, esse abuso leviano levantar questões ambientais e dar origem a maiores controles e disciplinas. Com isso, estamos na Indonésia, na África Equatorial e – no Brasil, mais precisamente, na Amazônia com uma área florestal de 3,3 milhões de quilômetros quadrados.
Como todos os seres vivos, árvores têm ciclos de vidas que variam de acordo com cada espécie. A cada momento nascem, crescem e morrem incontáveis mognos, ipês, jatobás, jacarandás e muito outros, acabando tombados para tornar-se humos e enriquecer a terra. Enquanto, no ambiente da floresta tropical, a vegetação baixa, como arbustos, tem uma duração de vida entre 2 a 15 anos, para as árvores, abrangendo as de crescimento rápido e lento, estima-se uma duração média vida de 60 anos, com picos acima 100. Resulta daí que a flora arbórea se renova em média nesse mesmo espaço de tempo pela morte de um e o brotamento de outro indivíduo. Esta renovação, portanto, é de cerca de 1,7% ao ano.   
Desmatamentos são dimensionados por área, não por unidades de árvores. Se, então, calcularmos 1,7% sobre 3.3 milhões de km2, chegamos a uma área de um pouco mais de 56 mil km2. Isso corresponde aproximadamente à área do Estado da Paraíba, ou 7 a 8 vezes (os dados divergem muito) a área média desmatada nos últimos anos. Bastaria, portanto, demarcar áreas que totalizassem as áreas necessárias (de 7,5 a 8 mil km2) em localizações convenientes e adequadas (nas cercanias de hidro- e rodovias) para a colheita controlada de árvores em idade apropriada e antes de sua morte natural. Aliás, são essas as espécimes que interessam e estão na mira do madeireiro. Quais são? Pergunte ao indígena, que ele sabe.
Dessa maneira, sem qualquer prejuízo para a regeneração natural, a flora arbórea em nada seria afetada em sua dinâmica existencial, apenas se evitaria a decomposição natural dessa madeira na sequência de sua morte natural.
Resumindo, basta articular, organizar e fiscalizar o que está ocorrendo desordenada, inapropriada e, muitas vezes, ilegalmente. Será difícil? Talvez. Mas a possibilidade do homem voar foi ´difícil’ durante milênios, a existência do dispositivo que pensasse em seu lugar, inimaginável.
Finalmente cabe a pergunta: um país com um rebanho comercial de bovinos (213,5 milhões de cabeças) numericamente ligeiramente maior à sua população (210,1 milhões de habitantes) precisa desmatar para criar mais pastagens? Relativo à exportação de carne é preciso lembrar que o aumento do produto tende a pressionar o preço para baixo, prejudicando o lucro marginal, sem considerar o fato que especialmente nos países ocidentais há um forte movimento dos consumidores e revisando seu consumo de carne. O mercado de carne oscila no curto prazo, o replantio de uma floresta leva décadas. Aliás, nenhum exportador prudente investe na exploração de picos de disponibilidade.               


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