Viver mais Tempo, ou Morrer mais Tarde?
(“Living
Longer, or Dying Later?” - This text was written in a way to ease
comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Com
o aumento da expectativa de vida observado nas últimas décadas, cada vez mais
pessoas aproximam-se daquela idade que provavelmente limita biologicamente a
nossa vida sobre a Terra. E, de fato, quando nos lembramos de nossa juventude
precisamos reconhecer que pessoas com idades 80+ que cruzavam nossos caminhos, além
de muito poucas, eram pessoas bastante debilitadas fisicamente e pouco ativas
mentalmente.
E hoje? Não é apenas a expectativa de vida
que aumentou. Avançou também a idade a partir da qual a pessoa é considerada
idosa; certamente não são mais os 60 anos estabelecidos a trinta anos
atrás.
De fato, observamos pessoas – de ambos os
sexos – em faixas etárias cada vez mais elevadas em atividades das mais
impensáveis em épocas passadas. Idosos 80+ frequentam em número crescente
academias de fitness, dirigindo seus automóveis em áreas urbanas e
autoestradas; realizar viagens de longo cursos era algo impensável a uma ou
duas gerações atrás. São as pessoas que aprenderam a usufruir e viver bem seu
ganho em longevidade, em total diferença com as posturas dos idosos de outras
épocas, conformadas com suas (muitas vezes supostas) crescentes limitações
físicas e mentais, apenas na expectativa de uma morte mais tardia.
Mas é preciso conscientizar-se de que o
aumento na expectativa de vida, especialmente dos últimos 50 anos, não se
prolongará numa linha reta em futuro indeterminado. Na realidade já existe um
arrefecimento nessa dinâmica: enquanto no período de 1991 a 2000 a expectativa
de vida ao nascer aumentou em 4 anos e 5 meses, de 2009 a 2018, esses aumentou
decresceu para 3 anos e 2 meses. Existe um consenso entre os demógrafos que
essa evolução deverá estabelecer-se ao redor de 85 anos de idade. Já a expectativa
de sobrevida para quem chegou aos 65 anos de idade deverá estender-se a idades
acima dos 90 anos.
Este ganho em duração de vida significa que
hoje 19,6 milhões de brasileiros (e eleitores) têm 65 anos e mais de idade. Comparando
esta realidade com os 3,3 milhões da mesma faixa etária em 1970 e com pouca
expressividade econômica e social, estamos tratando de um expressivo contingente
de indivíduos social e, em boa parte, economicamente ativos. Desde que
amparados por um sistema de aposentadoria adequado – possivelmente através de
mecanismos de capitalização – eles preenchem todas as condições para atuar como
agentes ativos nas esferas econômica, social e cultural.
Com isso, está surgindo – e, tudo indica,
para ficar – um novo segmento de cidadão, com características próprias e bem
definidas. A histórica inutilidade do idoso cedeu a dinamismos e ânimos de um
público experiente e calejado, que resiste a ser marginalizado e condenado à
inutilidade. Falta o governo e a sociedade jovem conscientizar-se da
importância e do peso político, econômico e social desses ‘velhinhos’, e
aprenderam a viver mais tempo em vez de morrer mais tarde.
Nem idoso, nem velho, nem jovem, nem "meia idade": vejo pessoas. A sociedade precisa aprender a aceitar que os "velhinhos" estão com tudo e estão "prosas". 🙏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
ResponderExcluir