sábado, 15 de fevereiro de 2020

Viver mais Tempo, ou Morrer mais Tarde?



Viver mais Tempo, ou Morrer mais Tarde?
(“Living Longer, or Dying Later?” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Com o aumento da expectativa de vida observado nas últimas décadas, cada vez mais pessoas aproximam-se daquela idade que provavelmente limita biologicamente a nossa vida sobre a Terra. E, de fato, quando nos lembramos de nossa juventude precisamos reconhecer que pessoas com idades 80+ que cruzavam nossos caminhos, além de muito poucas, eram pessoas bastante debilitadas fisicamente e pouco ativas mentalmente.
E hoje? Não é apenas a expectativa de vida que aumentou. Avançou também a idade a partir da qual a pessoa é considerada idosa; certamente não são mais os 60 anos estabelecidos a trinta anos atrás.            
De fato, observamos pessoas – de ambos os sexos – em faixas etárias cada vez mais elevadas em atividades das mais impensáveis em épocas passadas. Idosos 80+ frequentam em número crescente academias de fitness, dirigindo seus automóveis em áreas urbanas e autoestradas; realizar viagens de longo cursos era algo impensável a uma ou duas gerações atrás. São as pessoas que aprenderam a usufruir e viver bem seu ganho em longevidade, em total diferença com as posturas dos idosos de outras épocas, conformadas com suas (muitas vezes supostas) crescentes limitações físicas e mentais, apenas na expectativa de uma morte mais tardia.
Mas é preciso conscientizar-se de que o aumento na expectativa de vida, especialmente dos últimos 50 anos, não se prolongará numa linha reta em futuro indeterminado. Na realidade já existe um arrefecimento nessa dinâmica: enquanto no período de 1991 a 2000 a expectativa de vida ao nascer aumentou em 4 anos e 5 meses, de 2009 a 2018, esses aumentou decresceu para 3 anos e 2 meses. Existe um consenso entre os demógrafos que essa evolução deverá estabelecer-se ao redor de 85 anos de idade. Já a expectativa de sobrevida para quem chegou aos 65 anos de idade deverá estender-se a idades acima dos 90 anos.    
Este ganho em duração de vida significa que hoje 19,6 milhões de brasileiros (e eleitores) têm 65 anos e mais de idade. Comparando esta realidade com os 3,3 milhões da mesma faixa etária em 1970 e com pouca expressividade econômica e social, estamos tratando de um expressivo contingente de indivíduos social e, em boa parte, economicamente ativos. Desde que amparados por um sistema de aposentadoria adequado – possivelmente através de mecanismos de capitalização – eles preenchem todas as condições para atuar como agentes ativos nas esferas econômica, social e cultural.
Com isso, está surgindo – e, tudo indica, para ficar – um novo segmento de cidadão, com características próprias e bem definidas. A histórica inutilidade do idoso cedeu a dinamismos e ânimos de um público experiente e calejado, que resiste a ser marginalizado e condenado à inutilidade. Falta o governo e a sociedade jovem conscientizar-se da importância e do peso político, econômico e social desses ‘velhinhos’, e aprenderam a viver mais tempo em vez de morrer mais tarde.    


Um comentário:

  1. Nem idoso, nem velho, nem jovem, nem "meia idade": vejo pessoas. A sociedade precisa aprender a aceitar que os "velhinhos" estão com tudo e estão "prosas". 🙏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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