Crítica – Positiva e
Negativa
(‘Critics - Positive or Negative Ones’ – This text was written in a way to ease comprehensive
electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Somos
provocados, consciente ou inconscientemente, por inúmeros fatos ou incontáveis pessoas
– seus feitos e suas manifestações – a fazer juízos; resultam daí indiferença,
aprovação ou reprovação. Aprovação gera – raras vezes – uma crítica positiva
(vulgo, elogio), reprovação, por outro lado, produz invariavelmente uma crítica
negativa, de variável severidade.
A crítica positiva e espontânea é
tão escassa e incomum em nossa cultura ocidental que a maioria das pessoas
simplesmente nem sabe com reagir a um elogio. Assim, a manifestação, que
deveria ser recebido com satisfação, causa o desconforto de um constrangimento,
até um suplício. Exceção se faz ao elogio como instrumento educativo e estímulo
no trato com crianças, que, no entanto, diminui com intensidade e frequência na
medida em que a idade aumenta, e dificilmente alcança a adolescência.
Se o elogio é recebido com certo
grau de desconfiança e incômodo, imagine-se então a crítica negativa, simplesmente
expressa por crítica. A sociedade espera acertos e não aceita erros. No
entanto, o acerto, salvo quando ocorre por acaso, é o fim de um caminho repleto
de erros, falhas e equívocos. O bebê, antes de conseguir equilibrar-se sobre os
próprios pés, cai inúmeras vezes e ninguém o critica, todos estimulam para
novas tentativas. Já o adulto, porém, perde este direito. O profissional não
pode errar, erro gera custo – embora possa produzir enormes lucros em momento
posterior. O homem público não pode errar. Cidadãos não podem errar. Pais não
podem errar. É determinação da nossa cultura, convenção de nossa avaliação de
valores. Simplesmente esquecemos que somos imperfeitos, embora muitas vezes nos
custe reconhece-lo!
Esta é a realidade que vivemos. Se boa ou má,
fica ao juízo de cada um. Inevitável é o fato de que a sociedade arrogou a si o
direito de nos julgar e nos criticar à revelia do nosso consentimento,
apontando nossos erros, raramente nos elogiando. Isso vale especialmente para
pessoas na ribalta privada e principalmente pública. Portanto, ao sujeitar-nos
a ocupação de posições de relevância e de visibilidade, deverá estar ciente
desse padrão comportamental. Além de precaver-se através da aplicação de uma
mais ou menos severa autocrítica ou de aconselhamento de terceiros, com o
objetivo de eliminar flancos de ataque, cabe ao criticado contar com a crítica
infalível, aceita-la, ignorá-la, justificar-se objetivamente, ou comprovar o
contrário e, se necessário, desculpar-se. Qualquer outra atitude, especialmente
de caráter agressivo ou ofensivo, desencadeará novas críticas, apenas agravando
a situação. Se houver comprovada má fé no uso da crítica, resta recorrer aos
recursos legais.
Por fim, de cada crítica conseguimos extrair
uma lição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário