quinta-feira, 19 de março de 2020

Crítica - Positiva e Negativa



Crítica – Positiva e Negativa

(‘Critics - Positive or Negative Ones’ – This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Somos provocados, consciente ou inconscientemente, por inúmeros fatos ou incontáveis pessoas – seus feitos e suas manifestações – a fazer juízos; resultam daí indiferença, aprovação ou reprovação. Aprovação gera – raras vezes – uma crítica positiva (vulgo, elogio), reprovação, por outro lado, produz invariavelmente uma crítica negativa, de variável severidade.
            A crítica positiva e espontânea é tão escassa e incomum em nossa cultura ocidental que a maioria das pessoas simplesmente nem sabe com reagir a um elogio. Assim, a manifestação, que deveria ser recebido com satisfação, causa o desconforto de um constrangimento, até um suplício. Exceção se faz ao elogio como instrumento educativo e estímulo no trato com crianças, que, no entanto, diminui com intensidade e frequência na medida em que a idade aumenta, e dificilmente alcança a adolescência.
            Se o elogio é recebido com certo grau de desconfiança e incômodo, imagine-se então a crítica negativa, simplesmente expressa por crítica. A sociedade espera acertos e não aceita erros. No entanto, o acerto, salvo quando ocorre por acaso, é o fim de um caminho repleto de erros, falhas e equívocos. O bebê, antes de conseguir equilibrar-se sobre os próprios pés, cai inúmeras vezes e ninguém o critica, todos estimulam para novas tentativas. Já o adulto, porém, perde este direito. O profissional não pode errar, erro gera custo – embora possa produzir enormes lucros em momento posterior. O homem público não pode errar. Cidadãos não podem errar. Pais não podem errar. É determinação da nossa cultura, convenção de nossa avaliação de valores. Simplesmente esquecemos que somos imperfeitos, embora muitas vezes nos custe reconhece-lo!
Esta é a realidade que vivemos. Se boa ou má, fica ao juízo de cada um. Inevitável é o fato de que a sociedade arrogou a si o direito de nos julgar e nos criticar à revelia do nosso consentimento, apontando nossos erros, raramente nos elogiando. Isso vale especialmente para pessoas na ribalta privada e principalmente pública. Portanto, ao sujeitar-nos a ocupação de posições de relevância e de visibilidade, deverá estar ciente desse padrão comportamental. Além de precaver-se através da aplicação de uma mais ou menos severa autocrítica ou de aconselhamento de terceiros, com o objetivo de eliminar flancos de ataque, cabe ao criticado contar com a crítica infalível, aceita-la, ignorá-la, justificar-se objetivamente, ou comprovar o contrário e, se necessário, desculpar-se. Qualquer outra atitude, especialmente de caráter agressivo ou ofensivo, desencadeará novas críticas, apenas agravando a situação. Se houver comprovada má fé no uso da crítica, resta recorrer aos recursos legais.
Por fim, de cada crítica conseguimos extrair uma lição.


Nenhum comentário:

Postar um comentário