A Massa Crítica
(‘Critical Mass’ - This text was written in a way to ease
comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
As
maciças nuvens de gases e microparítulas, com elevado teor de enxofre, expelidas
na erupção do vulcão Tambora, em abril de 1815 na Indonésia, deram volta ao
redor do globo durante alguns anos com graves efeitos climáticas. Entre as
consequências dessas anomalias consta a eclosão de uma pandemia de cólera com
origem principal nas enchentes anormalmente volumosas no delta do Rio Ganges,
onde a bactéria causadora é elemento natural da biosfera. Viajantes,
comerciantes e marinheiros levaram a bactéria por terra e por mar ao redor do
mundo ao longo dos anos seguintes. A última manifestação (da mesma cepa desse
causador) e a mais distante de seu ponto de origem ocorreu de forma epidêmica
em Filadélfia, EUA, em 1932 – 17 anos depois do aparecimento inicial.
A detonação das primeiras bombas
nucleares era desencadeada pela junção de duas porção sub-críticas (incapazes
de produção uma fissão/explosão, em cadeia) de urânia para uma porção de massa
suficiente para iniciar esse processo. É o princípio da massa crítica, ou seja
da densidade suficiente para permitir a reação em cadeia.
A atual pandemia de Covid-19 parece
evidenciar que a humanidade atingiu sua massa crítica, perlo menos
regionalmente, para a propagação de determinados agentes patológicos. Obviamente,
diferentes agentes têm diferentes potenciais de contaminação/propagação, também
denominados de índice básico de reprodução (1,33 no Covid-19, i.e., duplicação
de contaminados em 2 dias), ou seja, exigem diferentes massas críticas de
população para causar condições epidêmicas. O que habitava as fantasias de
autores de ficção científica e catastrofistas no passado revela-se hoje como
perfeitamente possível de acontecer.
Soma-se a isso um fator corriqueiro da vida
moderna: a mobilidade de grande número de pessoas a velocidades constantemente
crescentes; são hoje 130 mil voos a cada dia e a distância entre Calcutá e
Filadélfia é percorrida em menos de 24 horas.
Na constância da nossa realidade demográfica,
portanto, seria no mínimo ingênuo e leviano descartar novas e futuras ocorrências
sanitárias como a atual. Nas últimas duas décadas surgiu um notável número de
epidemias e para sermos realistas precisamos contar com a continuação desse
quadro (sem falar de possíveis surpresas como a localização em 2009 de uma
ameba desconhecida, que hibernou durante centenas de milhares de anos no permafrost agora em derretimento devido
as mudanças climáticas em curso).
Uma efetiva mudança de perspectivas resida
redução da massa crítica populacional. Taxas de fertilidade abaixo de 2,1 filho
por mulher (mínimo para reposição da populacão) são hoje observadas em 119 dos
221 países do mundo (53,8%), além do Brasil, da China aos Estados Unidos,
passando pela quase totalidade da Europa e vários países árabes (Index Mundi/2019).
Esta evolução em cursos permite prever um início de crescimento negativo da
população mundial dentro de poucas décadas (dependente em parte dos índices do
aumento de expectativa de vida ao redor do mundo), reduzindo assim a densidade
populacional global. A crescente concentração urbana em megacidades, porém, não
eliminará o problema da massa crítica localizada como foco epidêmico.
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