domingo, 26 de julho de 2020

Covid-19 Responsabilidade Coletiva



Covid-19 – Responsabilidade Coletiva

‘Covid-19 – Collective Accountability’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Ao longo de muitos anos de atuação na prevenção de dependências químicas escutei muitas vezes em resposta à abordagens réplicas como “a vida é minha, faço com ela o que eu quiser”, “a droga é minha e ninguém tem nada a ver com isso”. Lamentavelmente, percebe-se hoje com frequência uma atitude semelhante com respeito à adoção de medidas protetivas, como máscaras e distanciamento físico, diante da pandemia da covid-19.
Quando tal atitude não reflete simples ignorância deixa claro um forte sentimento de egoísmo, ou total ausência de espirito coletivo. Ignorância, ou mera falta de discernimento, do fato de que cada cidadão é parte de uma sociedade intradependente em função da integração social, econômica e política de todos os seus membros. É uma permanente troca entre a geração de bens e seu usufruto.             O início da vida, a infância e a adolescência de cada um representam um elevado ônus para a coletividade, que começa no pré-natal e na maternidade e se estende por toda a fase de educação e formação profissional, sempre em presença da garantia de subsistência, segurança e saúde. Esse ônus, como também aquele gerado pela população idosa, é compensado pela produção auferida pelo segmento economicamente ativo da população.
Em outras palavras, o trabalho não reverte apenas em benefício do trabalhador, mas, através das suas contribuições tributárias e da utilidade rendida à coletividade, garante o desenvolvimento e o sustento das parcelas populacionais não produtivas. Este é o pacto socioeconômico sem o qual uma sociedades não persiste.
A longa tradição de vivência deste pacto, como o observamos, por exemplo, nas nações europeias e forjada em históricas adversidades (guerras, epidemias, catástrofes naturais) tem favorecido o surgimento e a consolidação de um espírito coletivo muito presente, mas mais difícil de encontrar em nas nações mais jovens e com história sem maiores convulsões.
Traduzindo estas considerações para a atual situação epidêmica conclui-se que a deliberada desobediência às orientações ou instruções sobre como contribuir para o estancamento da propagação viral não constitui apenas um risco pessoal, mas representa uma absoluta falta de responsabilidade pela coletividade, seja pela possível contaminação de outras pessoas, seja pelo desrespeito do ônus que a sociedade já rendeu para sua existência desse indivíduo inconsequente.
Desconsiderando lucubrações conspiratórias nas mais diversas direções, é preciso convencer-se de que nos encontramos numa calamidade, num desequilíbrio da natureza, favorecido pela crescente densidade de contatos físicos no nosso cotidiano social. Não sendo eremitas, tornamo-nos agentes de contágio e sujeitos a ser contaminados.
Uma situação dessa ordem evidencia o descabimento de quaisquer egocentrismos, estrelismos ou divisionismos espetaculosos, ou de sapiências infundadas. Ela projeta para o centro da questão a necessidade de solidariedade, de compaixão e, acima de tudo, o espírito altruísta e protetor da saúde própria e alheia. Que este momento seja o da percepção que nada somos fora da sociedade e do amadurecimento da índole coletiva.
Solidariedade e responsabilidade coletiva significam abrir mão de algumas vantagens ou privilégios pessoais a bem das necessidades e do bem-estar se outrem. Por outro lado, o egoísmo em momento de crise acaba em perdas e prejuízo para o autocentrado.    


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