Falando de Medicamentos...
(‘Speaking of Medicines…’ - This
text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
(Economista e Assist.
Social)
Aposto
que poucas, muito poucas pessoas têm noção de dimensões e proporções com
relação aos remédios que tomam, sejam eles receitados ou de escolha em
automedicação. Um comprimido de analgésico com poucos milímetros de diâmetro
alivia a dor em pouco tempo e é isso que importa e o recomenda em futuras
situações idênticas – ou parecidas.
Entretanto, o assunto merece algumas
reflexões. Não estamos falando de algum medicamento específico, mas em termos
gerais. Partimos então com um exemplo sobre dimensão e dosagem. Qual é a
realidade de um comprimido qualquer que chamaremos de ‘XYZ’ de, por exemplo, 5
mm de diâmetro, pesando cerca de 0,5 grama (embora sua conformação física seja
irrelevante para os efeitos medicinais) e cuja bula indica uma dosagem de 20
mg.
Dessas indicações resulta que tal comprimido contém
apenas 0,02 g de substancia ativa (fármaco ou princípio ativo). Em outras
palavras, 0,02 g, duas centésimas partes desse comprimido bastam para alcançar
os efeitos procurados.
Há no entanto, outro aspecto a considerar nas
nossas reflexões. Ainda não dispomos de uma maneira de direcionar uma medicação
diretamente ao local de atuação, através da nano-medicação, ainda em fase de
pesquisa. Portanto, a substância ativa distribui-se por todo o corpo – de
maneira homogênea ou heterogênea. No caso da distribuição homogênea, ou seja,
igual por todo o corpo, voltamos ao analgésico tomado contra uma dor de cabeça.
Como a cabeça com um peso médio de 5 kg representa apenas 7% da massa corporal
de uma pessoa de 70 kg de peso. Desta maneira, apenas 7% dos 20 mg de
substância ativa do mesmo chegam à cabeça, isso são meros 0,0014 g. Já na
distribuição heterogênea, certos tecidos ou órgãos não dão acesso a
determinadas substâncias ativas e o fator de distribuição torna-se mais
favorável, porém sempre haverá uma perda do fármaco pelo corpo. Aliás, é no
fator de distribuição que reside a causa de muitos efeitos colaterais
indesejados.
Assim, falando em medicamentos, seu uso é
coisa muito séria, especialmente num país de altíssimas taxas de automedicação
– de especificidade de remédio e dosagem - e baixíssimos níveis de
conhecimento. Percebe-se dessa forma que nosso corpo é extremamente sensível à
presença de substâncias ativas e suas dosagens e os riscos no uso inadequado de
qualquer medicação são imensos.
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