segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Falando em Medicamentos...



Falando de Medicamentos...

(‘Speaking of Medicines…’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt
(Economista e Assist. Social)

Aposto que poucas, muito poucas pessoas têm noção de dimensões e proporções com relação aos remédios que tomam, sejam eles receitados ou de escolha em automedicação. Um comprimido de analgésico com poucos milímetros de diâmetro alivia a dor em pouco tempo e é isso que importa e o recomenda em futuras situações idênticas – ou parecidas.
Entretanto, o assunto merece algumas reflexões. Não estamos falando de algum medicamento específico, mas em termos gerais. Partimos então com um exemplo sobre dimensão e dosagem. Qual é a realidade de um comprimido qualquer que chamaremos de ‘XYZ’ de, por exemplo, 5 mm de diâmetro, pesando cerca de 0,5 grama (embora sua conformação física seja irrelevante para os efeitos medicinais) e cuja bula indica uma dosagem de 20 mg.
Dessas indicações resulta que tal comprimido contém apenas 0,02 g de substancia ativa (fármaco ou princípio ativo). Em outras palavras, 0,02 g, duas centésimas partes desse comprimido bastam para alcançar os efeitos procurados.
Há no entanto, outro aspecto a considerar nas nossas reflexões. Ainda não dispomos de uma maneira de direcionar uma medicação diretamente ao local de atuação, através da nano-medicação, ainda em fase de pesquisa. Portanto, a substância ativa distribui-se por todo o corpo – de maneira homogênea ou heterogênea. No caso da distribuição homogênea, ou seja, igual por todo o corpo, voltamos ao analgésico tomado contra uma dor de cabeça. Como a cabeça com um peso médio de 5 kg representa apenas 7% da massa corporal de uma pessoa de 70 kg de peso. Desta maneira, apenas 7% dos 20 mg de substância ativa do mesmo chegam à cabeça, isso são meros 0,0014 g. Já na distribuição heterogênea, certos tecidos ou órgãos não dão acesso a determinadas substâncias ativas e o fator de distribuição torna-se mais favorável, porém sempre haverá uma perda do fármaco pelo corpo. Aliás, é no fator de distribuição que reside a causa de muitos efeitos colaterais indesejados.  
Assim, falando em medicamentos, seu uso é coisa muito séria, especialmente num país de altíssimas taxas de automedicação – de especificidade de remédio e dosagem - e baixíssimos níveis de conhecimento. Percebe-se dessa forma que nosso corpo é extremamente sensível à presença de substâncias ativas e suas dosagens e os riscos no uso inadequado de qualquer medicação são imensos.


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