Mídia
(‘Media’
- This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
A vida
sem a garantia de uma constante informação é inconcebível no mundo atual. Assim,
como somos uma democracia e, portanto, goste-se, ou não, a mídia livre faz
parte de nossa vida através de seus canais de difusão escrita, áudio ou
televisiva. Em todo o mundo livre e efetivamente democrático, a liberdade de
expressão individual e institucional é garantida constitucionalmente, sujeita
aos regramentos estabelecidos por lei.
No nível da expressão individual, essas regras são simples. Autenticidade
e respeito da dignidade do próximo são imprescindíveis. Manifestações
ofensivas, difamatórias, caluniosas e similares, intencionais ou incautas –
dentro o fora da mídia social –, são passiveis de denúncia e aplicação de
medidas legais. Já no plano da mídia institucional, em geral em moldes
comerciais, existem parâmetros mais amplos, envolvendo estratégias operacionais
e objetivos bem definidos. Isso permite estabelecer campos específicos de atuação,
como ciências, diversões, artes, noticiário etc., onde assuntos podem ser
relatados, debatidos, criticados ou contraditos. Ao mesmo tempo, tais
estratégias e objetivos podem resultar em seletividade quanto ao público, aos
consumidores específicos do produto que cada mídia oferece. Portanto, salvo delimitações
e restrições legais preestabelecidas, a mídia está livre para construir seu
perfil e sua imagem, e colocar sua mercadoria nos mercados oportunos. Em casos
de não observância dessas determinações e definições legais, ou transgressão
das mesmas, o estado de direito fornece os instrumentos legais para os devidos
procedimentos judiciais. Com isso há espaço tanto para a mídia neutra como outra
partidária e tendenciosa em todas as direções imagináveis, seja no campo que
for, até aquela que tira proveito do constante questionamento de sua
postura.
No lado do consumidor da mercadoria produzida pela mídia
existe a mesma liberdade. Todo qualquer cidadão ou entidade está absolutamente
livre ao escolher e consumir a informação que lhe agrada, ignorar outra, ou a
aceitar o desafio de usar seu espírito crítico, podendo até provocar e testar
suas convicções – questão de livre arbítrio. Como a pessoa compra a comida que
gosto e recusa aquela que não lhe atrai, também pode escolher a mídia que supre
as suas necessidades de informação e corresponde às suas expectativas, e
descarta o que não lhe interessa. Portanto, como seria ridículo destratar o fabricante
da comida que não apetece, é inadmissível, absurdo, querer silenciar a mídia
destoante, voltando aos tempos antigos quando o mensageiro da notícia má ou
indesejada corria o risco de ser decapitado. Por outro lado, o leitor, ouvinte
ou telespectador também está livre em ampliar seus horizontes, mesmo que seja
em terrenos que considere inóspitos para seu universo de conhecimento e
convicções. Toda escolha de consumo, com destaque para o da mídia, tanto da
social, quanto da institucional, coloca a capacidade de discernimento do
consumidor à prova.
Uma mídia livre é parte essencial da democracia e a
tolerância e o respeito à contradição, ao pensamento alheio, ao diferente, é
fundamental para seu funcionamento, o contrário seria o primeiro passo para a
ditadura. Que continuemos livres no acesso às informações de todas as cores e
todos os teores – ninguém consegue avaliar e julgar com autonomia o que não
conhece.
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