quinta-feira, 18 de março de 2021

Mídia

 

Mídia

(‘Media’ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A vida sem a garantia de uma constante informação é inconcebível no mundo atual. Assim, como somos uma democracia e, portanto, goste-se, ou não, a mídia livre faz parte de nossa vida através de seus canais de difusão escrita, áudio ou televisiva. Em todo o mundo livre e efetivamente democrático, a liberdade de expressão individual e institucional é garantida constitucionalmente, sujeita aos regramentos estabelecidos por lei.

No nível da expressão individual, essas regras são simples. Autenticidade e respeito da dignidade do próximo são imprescindíveis. Manifestações ofensivas, difamatórias, caluniosas e similares, intencionais ou incautas – dentro o fora da mídia social –, são passiveis de denúncia e aplicação de medidas legais. Já no plano da mídia institucional, em geral em moldes comerciais, existem parâmetros mais amplos, envolvendo estratégias operacionais e objetivos bem definidos. Isso permite estabelecer campos específicos de atuação, como ciências, diversões, artes, noticiário etc., onde assuntos podem ser relatados, debatidos, criticados ou contraditos. Ao mesmo tempo, tais estratégias e objetivos podem resultar em seletividade quanto ao público, aos consumidores específicos do produto que cada mídia oferece. Portanto, salvo delimitações e restrições legais preestabelecidas, a mídia está livre para construir seu perfil e sua imagem, e colocar sua mercadoria nos mercados oportunos. Em casos de não observância dessas determinações e definições legais, ou transgressão das mesmas, o estado de direito fornece os instrumentos legais para os devidos procedimentos judiciais. Com isso há espaço tanto para a mídia neutra como outra partidária e tendenciosa em todas as direções imagináveis, seja no campo que for, até aquela que tira proveito do constante questionamento de sua postura. 

No lado do consumidor da mercadoria produzida pela mídia existe a mesma liberdade. Todo qualquer cidadão ou entidade está absolutamente livre ao escolher e consumir a informação que lhe agrada, ignorar outra, ou a aceitar o desafio de usar seu espírito crítico, podendo até provocar e testar suas convicções – questão de livre arbítrio. Como a pessoa compra a comida que gosto e recusa aquela que não lhe atrai, também pode escolher a mídia que supre as suas necessidades de informação e corresponde às suas expectativas, e descarta o que não lhe interessa. Portanto, como seria ridículo destratar o fabricante da comida que não apetece, é inadmissível, absurdo, querer silenciar a mídia destoante, voltando aos tempos antigos quando o mensageiro da notícia má ou indesejada corria o risco de ser decapitado. Por outro lado, o leitor, ouvinte ou telespectador também está livre em ampliar seus horizontes, mesmo que seja em terrenos que considere inóspitos para seu universo de conhecimento e convicções. Toda escolha de consumo, com destaque para o da mídia, tanto da social, quanto da institucional, coloca a capacidade de discernimento do consumidor à prova.

Uma mídia livre é parte essencial da democracia e a tolerância e o respeito à contradição, ao pensamento alheio, ao diferente, é fundamental para seu funcionamento, o contrário seria o primeiro passo para a ditadura. Que continuemos livres no acesso às informações de todas as cores e todos os teores – ninguém consegue avaliar e julgar com autonomia o que não conhece.  

 

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