terça-feira, 30 de março de 2021

Fake e Futuro

 

Fake e Futuro

(“Fake and Future” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Sabendo que há até animais que se utilizam de ‘mentiras” para garantir seu sustento, me arrisco de afirmar que as mais diversas formas de enganação fazem parte da história do homem desde seus primeiros momentos. Mentiras resultaram em morte, ou garantiram a sobrevida, colocaram coroas em cabeças indevidas e ganharam batalhas. A mentira levou povos inteiros à miséria de, e indivíduos a riquezas imensuráveis. Mentiras têm causado dor, às vezes alívio. E a mentira dispensa professor. Basta a criança saber falar e logo ela descobre as ‘vantagens’ a mentira.

A mentira, a verdade destorcida, o sofisma e seus múltiplos derivados, lamentável, mas inexoravelmente, estão presentes em todos os momentos de nossa vida. O nosso cotidiano está permeado de tais artimanhas. Enquanto antigamente as comunicações se limitavam ao ambiente interpessoal, a chegada das mídias institucionais ampliou o universo de canais de comunicação, de comunicadores e de consumidores de notícias e informações. A possibilidade para a veiculação intencional ou incauta de mentiras na mesma proporção aumentou. As modernas mídias sociais, no entender dos usuários aparentemente isentas de responsabilidades, banalizaram a mentira e a transformaram em fenômeno cultural, até com nova denominação – “fake news”, ou, simplesmente, “fake”.

Continua existindo aquela mentira ocasional, seja ela inofensiva, seja malévola, mas somou-se a ela a mentira, a fake news sistêmica. No entanto, como não há o crime perfeito, também não existe a mentira perfeita. Assim, quase toda mentira ou fake-news cedo ou tarde se evidenciar como tal ou ser desvendada, equanto o autor corre o risco de passar a ser desacreditado na medida em que insiste em sua atitude dolosa ou desprecavida. Um exemplo: circularam na mídia social com bastante insistência notícias afirmando que a pandemia do covid-19 não tinha causada aumento nos óbitos; recentemente o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) informou que houve em 2020 um aumento de 275,5 mil casos (22%) nas mortes naturais (por qualquer doença) em relação à média histórica. Por outro lado, existem no mundo digital vários recursos e formas de checar a autenticidade, ou não, dos conteúdos em circulação. Basta vontade e um pouco de empenho.

Contrário às mentiras e fake news que, uma vez desfeitas, tendem a cair no esquecimento, seus autores costumem ter mais dificuldade em desvincular-se de seus produtos. Conforme a gravidade quantitativa ou qualitativa, a fonte ou o autor de inverdades acaba por desqualificar-se com digno de crédito, especialmente quando se trata de deliberada enganação.

Fontes notórias de mentiras, fake news, enredos falsos e similares, em geral revestidos de sensacionalismo de toda ordem e com os mais diversos objetivos – de simples busca de fama e destaque a políticos e ideológicos – são as modernas redes sociais. A pergunta que se impõe diante disso é clara e simples: quanto tempo conseguem tais mídias pessoais se manter existindo com essa forte característica de falta de confiabilidade. Indícios para uma crescente consciência dessa realidade pelo público usuário estão se evidenciando: queda nos seguimentos de determinadas fontes ou conteúdos, aumento de bloqueio de contas em desconformidade com os códigos de conduta estabelecidas pelas redes, diminuição de reações a postagens suspeitas de falsidade, e aumento de abandono das redes. Fato é, as redes sociais estão se desgastando pela crescente falta de credibilidade e confiabilidade em seus suas postagens e respectivas fontes.

Tudo indica que cedo ou tarde chegará a hora de desistir para aqueles que instrumentalizam as redes sociais com métodos duvidosos e suspeitos – se não criminosos - para seus fins questionáveis, seja pela falta de aceitação e repercussão, seja por prováveis prejuízos aos objetivos pretendidos. – Veremos, há males que se extinguem a partir de sua própria essência!

Afinal, não foi a mentira que conduziu a humanidade ao seu status atual!   

 

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