Blumenau, um Ponto Fora da Curva
Klaus H. G. Rehfeldt
Possivelmente
não erramos muito ao afirmar que nunca houve tão pouca clareza, tanta
incerteza, tanta convicção prematura ao lado de tanta conjectura, mas também
tanta verdade e, lamentavelmente, tanta mentira sobre um fenômeno como o vimos
a respeito da pandemia do novo coronavírus. E certamente levará muito anos até
a humanidade ter compreendido razoavelmente as causas, os efeitos e as
consequências desta calamidade.
Não se pretende aqui entrar em quaisquer
méritos técnicos, biológicos, médicos ou outros, conexos à doença, mas sim,
abordar aspectos relacionados aos campos demográfico e social. Trata-se, portanto,
do enfoque de realidades dessa natureza causadas pelo coronavírus que talvez
possam suscitar estudos mais extensos e profundos a esse respeito. Os dados
estão reunidos no seguinte quadro:
Covid-19 – Mortalidades
e Letalidade
(Dados entre 12.02. e.
02.03.)
|
Região |
Cidade |
População |
Casos |
Óbitos |
Mortal. *) |
Letalid. % **) |
|
2020 |
Confirmad. |
|||||
|
Norte |
Belém, PA |
1.499.641 |
74.095 |
2.822 |
188,3 |
3,81 |
|
|
Parintins, AM |
115.363 |
8.160 |
185 |
160,7 |
2,27 |
|
|
Rorainópolis, RR |
30.782 |
2.190 |
33 |
106,5 |
1,51 |
|
Nordeste |
Fortaleza, CE |
2.686.612 |
106.306 |
4.753 |
176,9 |
4,45 |
|
|
Imperatriz, MA |
259.337 |
10.784 |
451 |
174,1 |
4,18 |
|
|
Maracás, BA |
20.939 |
582 |
34 |
171,6 |
1,85 |
|
C.-Oeste |
Cuiabá, MT |
618.124 |
53.766 |
1.524 |
246,6 |
2,83 |
|
|
Corumbá, MS |
112.058 |
9.786 |
264 |
235,7 |
2,70 |
|
|
Iporá, GO |
31.499 |
237 |
6 |
19,4 |
2,53 |
|
Sudeste |
B. Horizonte, MG |
2.521.564 |
114.386 |
2.781 |
110,4 |
2,43 |
|
|
Niterói, RJ |
515.317 |
29.352 |
832 |
161,6 |
2,83 |
|
|
Itatiba, ES |
26.426 |
5.913 |
92 |
353,8 |
1,56 |
|
Sul |
Porto Alegre, RG |
1.488.252 |
107.045 |
2.454 |
164,9 |
2,29 |
|
|
Blumenau, SC |
361.855 |
42.116 |
331 |
91,4 |
0,79 |
|
|
Palmeira, PR |
33.944 |
1.084 |
17 |
50,0 |
1,57 |
|
|
||||||
|
Somas e média por soma |
10.321.713 |
562.277 |
16.504 |
159,9 |
2,93 |
|
|
Média de índices de mortalidade e letalidade |
|
|
149,4 |
2,51 |
||
|
|
||||||
|
Brasil (03.03.21) |
211.755.692 |
10.722.221 |
259.402 |
122,5 |
2,42 |
|
|
Mundo (03.03.21) |
7,8 bilhões |
114.078.673 |
2531.004 |
32,4 |
2,22 |
|
*) Mortalidade: óbitos por 100.000 habitantes
**)
Letalidade: % de óbitos sobre casos confirmados
Os resultados revelam-se em faixas bastante
amplas, especialmente na proporção em que diminuem os números de habitantes e,
consequentemente, as densidades populacionais. O estudo identificou indícios
que eventualmente possam ser comprovados, ou invalidados, por meio de pesquisas
mais amplas e profundas. Nesse sentido destacam-se dois aspectos: índices de
letalidade mais elevados nas regiões Norte e Nordeste, e mortalidades em geral
menores na medida em que densidades populacionais menores resultam em intensidades
de contaminação menores. Universos de estudo mais amplo certamente revelariam
aspectos novos e mais conclusivos.
Chama atenção o caso de Blumenau com uma
letalidade de apenas 0,79% e uma mortalidade de 91,4 óbitos por 100 mil
habitantes, quando as respectivas medias nacionais são de 2,93% e 159,9 óbitos por 100 mil habitantes. São valores que dão motivo a pensar. Certamente, este ponto fora da
curva não é o único no país e outros municípios podem apresentar números
semelhantes. Certo é que nossas limitações diante da doença podem ser bem menos
severas do que pensamos e este caso particular, junto com outros possíveis, pode
reduzir um pouco nossa sensação de impotência absoluta. Um dia saberemos mais.
Nota:
O Rio de Janeiro é outro caso particular a ser estudado em virtude de suas
taxas de mortalidade de 281,4 óbitos por 100 mil habitantes e de letalidade de
9,13%.
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