sexta-feira, 5 de março de 2021

Blumenau, um Ponto Fora da Curva

 

Blumenau, um Ponto Fora da Curva

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Possivelmente não erramos muito ao afirmar que nunca houve tão pouca clareza, tanta incerteza, tanta convicção prematura ao lado de tanta conjectura, mas também tanta verdade e, lamentavelmente, tanta mentira sobre um fenômeno como o vimos a respeito da pandemia do novo coronavírus. E certamente levará muito anos até a humanidade ter compreendido razoavelmente as causas, os efeitos e as consequências desta calamidade.

Não se pretende aqui entrar em quaisquer méritos técnicos, biológicos, médicos ou outros, conexos à doença, mas sim, abordar aspectos relacionados aos campos demográfico e social. Trata-se, portanto, do enfoque de realidades dessa natureza causadas pelo coronavírus que talvez possam suscitar estudos mais extensos e profundos a esse respeito. Os dados estão reunidos no seguinte quadro:

 

Covid-19 – Mortalidades e Letalidade

(Dados entre 12.02. e. 02.03.)

Região

Cidade

População

Casos

Óbitos

Mortal.  *)

Letalid. % **)

2020

Confirmad.

Norte

Belém, PA

1.499.641

74.095

2.822

188,3

3,81

 

Parintins, AM

115.363

8.160

185

160,7

2,27

 

Rorainópolis, RR

30.782

2.190

33

106,5

1,51

Nordeste

Fortaleza, CE

2.686.612

106.306

4.753

176,9

4,45

 

Imperatriz, MA

259.337

10.784

451

174,1

4,18

 

Maracás, BA

20.939

582

34

171,6

1,85

C.-Oeste

Cuiabá, MT

618.124

53.766

1.524

246,6

2,83

 

Corumbá, MS

112.058

9.786

264

235,7

2,70

 

Iporá, GO

31.499

237

6

19,4

2,53

Sudeste

B. Horizonte, MG

2.521.564

114.386

2.781

110,4

2,43

 

Niterói, RJ

515.317

29.352

832

161,6

2,83

 

Itatiba, ES

26.426

5.913

92

353,8

1,56

Sul

Porto Alegre, RG

1.488.252

107.045

2.454

164,9

2,29

 

Blumenau, SC

361.855

42.116

331

91,4

0,79

 

Palmeira, PR

33.944

1.084

17

50,0

1,57

 

Somas e média por soma

10.321.713

562.277

16.504

159,9

2,93

Média de índices de mortalidade e letalidade

 

 

149,4

2,51

 

Brasil (03.03.21)

211.755.692

10.722.221

259.402

122,5

2,42

Mundo (03.03.21)

7,8 bilhões

114.078.673

2531.004

32,4

2,22

                        *)   Mortalidade: óbitos por 100.000 habitantes

                       **)  Letalidade: % de óbitos sobre casos confirmados

               O levantamento concentra-se num universo de cerca de 5% da população nacional, distribuídos sobre 5 capitais estaduais, 5 cidades médias (de 100 a 600 mil habitantes), e 5 cidades pequenas (de 20 a 40 mil habitantes) das 5 regiões do país. Essas cidades foram escolhidas aleatoriamente apenas pelos critérios populacionais compatíveis, com exceção de Blumenau, SC, sede do estudo. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram excluídas devido suas desproporções em dimensão e peso estatístico. Foram coletados os números absolutos dos respectivos habitantes, casos confirmados da doença e óbitos, resultando daí as taxas de mortalidade na forma de óbitos por 100 mil habitantes e de letalidade como percentagem de óbitos sobre casos confirmados.

Os resultados revelam-se em faixas bastante amplas, especialmente na proporção em que diminuem os números de habitantes e, consequentemente, as densidades populacionais. O estudo identificou indícios que eventualmente possam ser comprovados, ou invalidados, por meio de pesquisas mais amplas e profundas. Nesse sentido destacam-se dois aspectos: índices de letalidade mais elevados nas regiões Norte e Nordeste, e mortalidades em geral menores na medida em que densidades populacionais menores resultam em intensidades de contaminação menores. Universos de estudo mais amplo certamente revelariam aspectos novos e mais conclusivos.

Chama atenção o caso de Blumenau com uma letalidade de apenas 0,79% e uma mortalidade de 91,4 óbitos por 100 mil habitantes, quando as respectivas medias nacionais são de 2,93% e 159,9 óbitos por 100 mil habitantes. São valores que dão motivo a pensar. Certamente, este ponto fora da curva não é o único no país e outros municípios podem apresentar números semelhantes. Certo é que nossas limitações diante da doença podem ser bem menos severas do que pensamos e este caso particular, junto com outros possíveis, pode reduzir um pouco nossa sensação de impotência absoluta. Um dia saberemos mais.

 

Nota: O Rio de Janeiro é outro caso particular a ser estudado em virtude de suas taxas de mortalidade de 281,4 óbitos por 100 mil habitantes e de letalidade de 9,13%.

Nenhum comentário:

Postar um comentário