domingo, 23 de maio de 2021

O Encontro Improvável

 

O Encontro Improvável

 

(“The Improbable Meeting“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Depois de ocupar todos os espaços possíveis da Terra, nada mais óbvio que olhar para as estrelas. Sempre houve fantasias férteis a imaginar possíveis aventuras extraterrestes do homem, ou de visitas cósmicas, que, no entanto, não passaram da presença do homem na lua e de explorações não tripuladas mais distantes por meio de artefatos cada vez mais sofisticados, carregando as últimas conquistas tecnológicas até para fora do nosso sistema solar.

A primeira incerteza nessa empreitada é a existência, ou não, de formas de vida compatíveis com as terrestres em outros planetas. Como são bilhões, não há como negar tal possibilidade em algum lugar do cosmo. A esperança é que não seja longe demais.

Anos-luz de distância, no entanto, não significam anos de viagem, pois nossas naves espaciais ainda estão muito, muito longe de atingir velocidades perto daquela da luz. Assim, uma viagem a um exoplaneta (planeta de outro sistema solar) poderá levar gerações num microcosmo que garanta a sobrevivência dos tripulantes, ou seja, o destino – incerto – poderá ser atingido somete pelos netos ou bisnetos dos astronautas que iniciaram a viajem.

E chegando lá, esses viajantes do espaço dependerão de uma imensa coincidência: a simultaneidade de estágio de existência de seres locais, algo até aqui aparentemente esquecido em todas as projeções dessa natureza.

Eis o dilema: para facilitar a compreensão, vamos reduzir a história da Terra ao tempo de um ano. Nessa escala, a vida começa em fevereiro, mas não explode antes de fins de novembro. Apenas meia hora antes da virada do ano o homo sapiens sobe ao palco da história, e apenas 5 segundos antes da meia noite do último dia, o homem do conhecimento e do saber, como o conhecemos dos últimos 5 séculos, entra em cena. E não sabemos quanto tempo durará diante de sua crescente fragilidade biológica – uma parte cada vez maior da população tem sua condição biológica constantemente corrigida ou fortalecida por fármacos, e consegue viver somente na total dependência de toda uma sofisticada estrutura de suportes econômicos, tecnológicos e sociais.  

Daí a pergunta crucial: numa eventual viagem bem-sucedida a algum exoplaneta com sua própria dinâmica evolutiva em intensidade e velocidade, quais são as chances de chegarmos exatamente nessa minúscula janela do tempo? Ou, em sentido contrário, a probabilidade de seres inteligentes de origem cósmica chegarem à Terra nesse instante da presença humana mais parece um milagre. É muito mais provável que essa visita tenha se dado, por exemplo, na época dos primeiros lagartos do jurássico, ou só venha a acontecer quando a Terra ainda abrigar apenas alguns insetos e espécies mais resistentes da flora.

Mas, porque não sonhar?  


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