terça-feira, 6 de julho de 2021

O Caso dos Saiga

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Estamos no Cazaquistão em maio e junho de 2015. É nesse país que vive com quase exclusividade o antílope Saiga e naquele momento, no curto espaço de três semanas, morrem 200 mil animais de uma população total de cerca de 240 cabeças. A causa: determinada bactéria proliferou com rapidez e intensidade anormais em virtude de repentinas condições climáticas inusitadas na região – extremo calor de 37º C e humidade muito elevada de 80%. Para a espécie isso significou uma pandemia em seu habitat. Este não é o primeiro episódio dessa natureza, mas apenas o último de outros que o antecederam em épocas passadas.

Primeiramente chama atenção a inesperada reação da natureza a um fenômeno climático insólito, mas possível, e de difícil explicação quanto a sua causa. A natureza tem seus caprichos com consequências não menos caprichosos. Se esse caso específico se enquadra na amplitude de ocorrências que perfazem as atuais mudanças climáticas globais talvez seja difícil de comprovar, o que não nega essa possibilidade.

O segundo aspecto consiste virtualmente naquilo que é conhecido como ‘imunidade de rebanho’. Mesmo vivendo espalhados pelos estepes da região, a contaminação direta e indireta (via gramíneos) foi fulminante e somente quando cerca de 80% do rebanho original tinha morrido, a imunidade de rebanho foi alcançada, restando apenas 40 mil espécimes. Sem dúvida, um mecanismo de reação bastante brutal da natureza.

Foi apenas um episódio no mundo em que vivemos, obviamente diferente dos Saiga, mas o qual gerou a todos e que dividimos com todos. Uma questão de grau de semelhança de DNA. Os Saiga recuperaram sua população relativamente rápido, não por último porque durante anos faltou comida para seus predadores – os lobos – e cujo número também se reduziu.

Enfim, cabe considerar que bactérias e outros micro-organismos não precisam de laboratórios para causar pandemias e a imunidade de rebanho pode ser dramática.

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