Klaus H. G. Rehfeldt
Estamos no Cazaquistão
em maio e junho de 2015. É nesse país que vive com quase exclusividade o
antílope Saiga e naquele momento, no curto espaço de três semanas, morrem 200
mil animais de uma população total de cerca de 240 cabeças. A causa:
determinada bactéria proliferou com rapidez e intensidade anormais em virtude de
repentinas condições climáticas inusitadas na região – extremo calor de 37º C e
humidade muito elevada de 80%. Para a espécie isso significou uma pandemia em
seu habitat. Este não é o primeiro episódio dessa natureza, mas apenas o último
de outros que o antecederam em épocas passadas.
Primeiramente
chama atenção a inesperada reação da natureza a um fenômeno climático insólito,
mas possível, e de difícil explicação quanto a sua causa. A natureza tem seus
caprichos com consequências não menos caprichosos. Se esse caso específico se
enquadra na amplitude de ocorrências que perfazem as atuais mudanças climáticas
globais talvez seja difícil de comprovar, o que não nega essa possibilidade.
O segundo
aspecto consiste virtualmente naquilo que é conhecido como ‘imunidade de rebanho’.
Mesmo vivendo espalhados pelos estepes da região, a contaminação direta e
indireta (via gramíneos) foi fulminante e somente quando cerca de 80% do
rebanho original tinha morrido, a imunidade de rebanho foi alcançada, restando
apenas 40 mil espécimes. Sem dúvida, um mecanismo de reação bastante brutal da
natureza.
Foi
apenas um episódio no mundo em que vivemos, obviamente diferente dos Saiga, mas
o qual gerou a todos e que dividimos com todos. Uma questão de grau de
semelhança de DNA. Os Saiga recuperaram sua população relativamente rápido, não
por último porque durante anos faltou comida para seus predadores – os lobos –
e cujo número também se reduziu.
Enfim,
cabe considerar que bactérias e outros micro-organismos não precisam de
laboratórios para causar pandemias e a imunidade de rebanho pode ser dramática.
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