Sem Título
Klaus H. G. Rehfeldt
A comunicação de massa em qualquer dimensão e a qualquer distância,
acima de tudo, a digital, é fator determinante e indispensável da civilização
moderna. Comunicação de massa na mão de todos – estado, organizações de
qualquer natureza ou indivíduos. Para o bem e para o mal, útil ou destruidor!
Comunicação pode ser uma benção, ou maldição, pode
ser edificante ou demolidora – seja involuntária, seja intencional. No caso de
maldade intencional, problemas e conflitos são inevitáveis, da simples
contestação à queixa crime.
Pode se tratar de uma estratégia ingênuo numa
disputa no campo privado, mas também de um procedimento tecnicamente bem
elaborado no âmbito pública ou política. Nesse caso, a difusão premeditada de
desinformação ou narrativa prejudicial tem por objetivo claro ou subliminar a
desconstrução da imagem do desafeto, uma tática sempre em desacordo com
quaisquer princípios éticos, mas, com raras exceções, praticada com cada vez
mais frequência no ambiente político, mormente eleitoral. Fica a questão, a
destruição moral de outrem em público, especialmente quando as alegações não
são verdadeiras, ajuda à construção da imagem do autor – declarado ou oculto?
Quem ganha efetivamente num confronto programado para desacreditar o adversário pelas modernas bocas digitais? O efeito imediato pode beneficiar o produtor de inverdades, calúnias ou difamações, mas num prazo mais longo, esse método tende a não se sustentar. Cabe lembrar que a afirmação: ‘Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade´ (Joseph Goebbles), na sua materialização contribuiu para a maior catástrofe do século XX. A inverdade equivale a uma verdade roubada! Em algum momento, quando a pessoa reconhece, calada, ou não, 'deixei-me enganar', quando cansou de ser iludido ou ludibriado, ela nega qualquer credibilidade ao responsável – eventualmente em momento decisivo.
As razões são várias.
- Em primeiro lugar, ninguém, de sã consciência,
gosta de ser enganado, seja de que forma for (embora haja, quem não tenha
disposição ou coragem de aceitar verdades desagradáveis, desconfortáveis ou cruéis).
- Da mesma forma, o povo procura e segue aos edificadores
de sua prosperidade, mas também de seus valores, não a destrutores. A
destruição, seja de que ou quem for, só deixa caos, cacos, ruínas e uma
sensação muito ruim, a construção um sentimento de primavera. Todo processo
evolutivo gera esperança, do contrário causa desespero.
- Temos uma história de transformações pacíficas,
embora, às vezes, nos tenha faltado a cordura para viver com o contraditório,
sem o qual o mundo não funciona. A vida é uma permanente coexistência de diversidades
e contrariedades, e cada antagonismo superado, coloca outro em evidência. Vamos
amadurecer com e pela construção de uma sociedade pluriforma não pela
destruição de alguns de seus componentes e partes com os quais eventualmente
não nos identificamos – a homogenia leva à estupidez, à paralização, à
autodestruição.
A sociedade abriga muitos anseios e seus respectivos
defensores. Você pode silenciar o defensor de um ideal, mas não o ideal, que
terá novos defensores (plural!). Oposição não é abatimento ou aniquilamento do
status quo, mas deve servir para a reflexão e o engrandecimento no caminho para
o consenso. E esse caminho passa inevitavelmente pelo respeito aos valores e à
dignidade de todos.
Obs.: “A dignidade do homem é inviolável. Respeitá-la e protegê-la é
dever de todos os poderes do Estado.¨ Artigo 1º da Constituição da República
Federal da Alemanha)
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