Um Balanço Positivo
(“A Positive Balance Sheet” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic
translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Olhando os últimos 60
anos – redondo, duas gerações – nota-se um fenômeno constante: as riquezas
crescem mais, muito mais, que as populações. Isso não é uma situação de algumas
sociedades ou nações privilegiadas, mas ocorre em nível mundial. É verdade que algumas
economias apresentam resultados melhores que outras. Esse crescimento,
obviamente, não é um processo regular, apresentando momentos e ciclos de altos
e baixos.
Vejamos
alguns números. A nível mundial, temos o encontro de dois índices: no período
de 1960 a 2020, enquanto a população aumentou de 3,02 bilhões de habitantes
para 7,76 bilhões, ou seja, 2,57 vezes, o PIB cresceu de 543,3 bilhões de US$
para 84,71 trilhões, o que significa um crescimento de 156 vezes. Isso
significa um crescimento do PIB per capita de US$ 180 para US$ 10.919, isso é, 60,7
vezes (valores deflacionados para o período).
No mesmo
período, a população brasileira passou de 80,0 bilhões pessoas para 212,6
bilhões, ou seja 2,99 vezes, enquanto o PIB cresceu de US$ 17,3 bilhões para
US$ 1,45 trilhões, o que corresponde a 83,8 vezes. Quanto ao PIB per capita,
observamos um avanço de US$ 244 para US$ 6,820, ou seja, 28,0 vezes no espaço
de cerca de duas gerações (valores deflacionados para o período). Resumindo, o crescimento das riquezas produzidas é proporcionalmente muito maior que o da população.
São dados que certamente surpreendem. Maiores produções de bens e serviços foram geradas em ambiente demográfico de lenta, mas crescente, queda na taxa de fertilidade e consequente crescimento populacional cada vez menor, ou seja, um progressivo aumento da produtividade. Ao mesmo tempo, uma estrutura educacional deficiente dá origem a um lapso entre a disponibilidade e a demanda na qualificação do potencial de mão de obra. Como resultado existe, e não pode ser ignorada, uma realidade não resolvida de desigualdades econômica e social, não necessariamente por um progressivo empobrecimento das camadas menos abastadas da sociedade, mas muito mais por um enriquecimento extraordinário em quantidade e velocidade na cúpula da pirâmide representativa da distribuição de renda e de riquezas. Nunca, antes das últimas décadas, houve tanta criação de riquezas tão grandes em tão pouco tempo. Enquanto, por exemplo, a posse de uma linha de telefone constituía um privilégio em meados do século passado, duas gerações depois, o celular faz parte das necessidades básicas mesmo na parcela mais pobre da população. E queira, ou não, há uma realidade inexorável: em toda sociedade existem, 1, 2, 3 ou 5% de pessoas mais ricas, em geral as mesmas que estão à frente das grandes iniciativas.
Uma das
causas centrais desse processo evolutivo são os avanços científicos e
tecnológicos com reflexos em todos os setores econômicos e sociais. Ao mesmo
tempo, a extensão da expectativa de vida elevou-se em 46%, permitindo concluir
uma elevação da idade de entrada de fato na terceira idade. Com isso estende-se
a vida produtiva e, consequentemente, a riqueza gerada. Por outro lado, com o
fim da fase economicamente ativa da pessoa, inicia-se, em geral, um período de
estagnação na formação de riquezas, uma vez que aposentadorias costumam sofrer
ajustes, mas não aumentos reais.
Certo é
que os bebes de hoje e futuros nascerão em famílias mais prósperas que seus
pais e avós quando bebes. Diferente dos séculos e milênios passados de
crescimento econômico extremamente pequeno, mais recentemente cada nova geração
promete ser mais rica que a anterior – bastante mais rica.
Outro
fator já presente e certo na perspectiva de prosperidade futura é o crescimento
populacional presente e esperada para o futuro. As projeções revelam um próximo
crescimento zero, depois negativo, da população. Isso significa que patrimônios
formados anteriormente numa geração são herdados por cada vez menos sucessores,
o que significa concentração de riquezas.
Não há
perspectivas de uma reversão nas evoluções econômicas e demográficas em curso,
salvo se a humanidade abdicar da valorização do material, do ter – afora do
existencialmente necessário – em troca de valores e enriquecimentos imateriais
e espirituais, do ser.
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