Nós Idosos, de Fardo à Autonomia
(“We, the Elderly, from
Ballast to Autonomy” - This text
is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Nossa sociedade está
passando por uma transformação fundamental. A estrutura populacional encontra-se
numa mudança fundamental e que continuará nos próximos anos e décadas. Porque a
sociedade está envelhecendo em um ritmo rápido. A questão do equilíbrio
intergeracional e o que manterá a sociedade do amanhã unida já está sendo
levantada hoje. No entanto, a futura sociedade de longa vida também oferece
novas oportunidades. Uma coisa já está clara: teremos que abrir novos caminhos.
Até
poucas gerações atrás e com expectativa e vida abaixo de 40 anos, o idoso ocupava
um papel absolutamente secundário na sociedade. Com participação quantitativa
pequena e capacidade produtiva reduzida, especialmente em tempos de trabalho
quase exclusivamente braçal e elevados índices de enfermidades geriátricas, ele
representava mais um fardo para a família e a sociedade do que um ganho. Sua
experiência de vida era pouco valorizada (diferentemente de muitos povos
primitivos, onde o conselho dos velhos ainda é uma entidade indispensável.)
A partir
das últimas uma ou duas gerações, as pessoas mais velhas desempenham um papel cada
vez mais importante na sociedade, e essa evolução continuará. Enquanto em 1950
uma em cada 20 pessoas era idosa (5%), hoje são quase três (14%). Em mais uma
geração, esse valor deve aproximadamente dobrar. É por isso que o diálogo
conjunto entre velhos e jovens é de grande importância. A relação entre as
gerações é crucial para a viabilidade pacífica de nossa sociedade no futuro.
Precisamos de coesão, justiça e responsabilidade entre as gerações. Devemos
levar em conta as diferentes habilidades, necessidades e aspirações de velhos e
jovens e promover uma convivência em proveito de todos.
Hoje, na
sociedade de vida longa, pessoas mais velhas passam a ser demandadas como nunca
antes. Precisamos de seu conhecimento e sua corresponsabilidade, mas também da
defesa ativa por suas necessidades, vontades e seus interesses. Para isso é
preciso que o idoso crie para si uma nova imagem, ofereça seus potenciais e
assuma sua responsabilidade social.
A imagem
do idoso é definida de duas percepções: da população jovem e de órgãos
oficiais. O velhinho de bengala que sinaliza os estacionamentos preferenciais
certamente não saiu do lápis de um idoso. Por outro lado, os governos evocam
para si a determinação a partir de qual idade o cidadão deverá ser considerado velho.
No entanto, quando vemos pessoas produtivas ao 70 ou 80 anos, evidencia-se que
ambos os conceitos formadores dessa imagem podem ser extremamente prejudicais
para o idoso e a sociedade; o idoso é colocado numa camisa de força de
incapacidade e de fardo para a coletividade.
Com
relação a seus potenciais, cabe ao idoso valorizar e oferecer suas experiências
e sua capacidade de realizações. Para isso será preciso que saia da poltrona e
se torne visível para que a sociedade se ajuste à sua presença como pessoa autônoma
e que tenha algo a oferecer à coletividade, material e imaterialmente. Por
outro lado, essa coletividade precisa tomar consciência de que a população de
terceira idade hoje é um expressivo fator econômico, mormente numa economia de
consumo. E, neste contexto, é preciso considerar as profundas mudanças a
esperar no mercado de trabalho, não por último devido ao atual crescimento
quase zero da população – e, consequentemente, da mão de obra disponível no
futuro – com perspectivas de passar a ser negativo. Também há um aspecto
cultural, e ao mesmo tempo promissor: o Brasil ainda não acordou para o
voluntariado.
Quanto à
sua responsabilidade social, além de procurar ser ativo socialmente, o papel
político do idoso é extremamente importante. Enquanto a população mais jovem
tende a ser mais impulsiva e mais progressista, o cidadão mais velho costuma se
revelar inclinado para posturas conservadoras. Um equilíbrio entre tais posicionamentos
é indispensável, sob risco de opções equivocadas, em geral prejudiciais para
toda a sociedade. Não faltam exemplos.
A população de terceira idade está se consolidando numa nova classe na sociedade, na nação, com caraterísticas próprias, um espaço social próprio e uma filosofia de vida própria. Com isso, o ‘velho’ não é, nem deve ser, nem aceitar ser visto como ícone de ociosidade. O novo e moderno idoso pode ser, e certamente será um ganho para toda a sociedade, porém, o maior beneficiado de uma terceira idade vivida plena e ao máximo produtivamente com certeza será ele mesmo.
Nós, idosos, devemos abandonar a postura de devedores, porque ainda
estamos aqui, para assumir aquela de credores – porque ainda estamos aqui.
É verdade, nós idosos já sentimos esta nova realidade na própria pele.
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