quinta-feira, 9 de março de 2023

Energia

 

Energia

(“Energy” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A força física do homem, como em todo mundo animal, é diretamente correspondente àquela necessária para garantir a obtenção de seu sustento e eventualmente de sua prole. Esta é uma lei da natureza desde os primórdios do homem. A força física era vital e qualquer deficiência que limitasse essa capacidade do indivíduo comprometia a sobrevivência do portador. E ela regia a vida humana durante centenas de milhares de anos, mais precisamente até o fim do homem coletor, caçador e pescador e do nomadismo.  

 

A fixação na terra e o agrupamento social abriu espaço para novas direções na criatividade, resultando no uso da força animal e na criação de ferramentas como, por exemplo, o arado, seja de madeira, seja de omoplata animal. No decorrer dos últimos poucos milênios, o homem aprendeu a aproveitar a força do vento e da água, mas também aquela do escravo, até desenvolver caga vez mais sofisticados sistemas de geração de energia como a nuclear e o aproveitamento da energia solar.

 

Hoje, geramos energia artificial empregada no forno elétrico na produção de aço e na escova de dentes elétrica, passando por veículos de toda sorte, de utensílios domésticos a telefones celulares, de iluminação e aquecimento a satélites e espaçonaves.

 

Mas o corpo humano moderno continua a gerar a mesma energia média de cerca de 230 Wh (0,23 kWh) do seu antepassado de milhares de anos atrás. O que mudou positiva e progressivamente ao longo de sua história foi sua inteligência. A busca por recursos energéticos acompanhou o conhecimento que levou à invenção de ferramentas, armas, instrumentos e máquinas que proporcionaram maior segurança alimentar, física e social, e, posteriormente, mais conforto, sofisticação e futilidade – com todos os aspectos negativos inerentes como o atual consumo desenfreado e desperdícios injustificáveis.

 

Hoje gastamos recursos naturais na geração de energia que movimenta máquinas agrícolas que produzem alimentos dos quais quarenta por cento não chega ao consumidor e acaba em latas de lixo, ou, especificamente no Brasil, em instalações de criação de gado e produção de carne cujo desperdício ao final equivale a 825 mil bois por ano. E se a produção de energia fosse mais fácil, compraríamos ainda mais camisas ou sapatos que ficam nos guarda-roupa sem jamais ser usadas.

 

Quando antes mencionamos o escravo como fonte energética, hoje nossos escravos e servos têm formato tecnológico. A explicação é simples: na somatória da energia elétrica e fóssil gerada e consumida em nosso país chegamos a cerca de 330 GW (Gigawatts) que divididos pela população de 208 milhões de pessoas resultam numa disponibilidade energética per capita de 1,64 kW/habitante. Isso corresponde à geração energética natural média de quase 7 pessoas o que significa que cada brasileiro tem, além de si mesmo, cerca de 7 escravos energéticos ‘caminhando’ num calcadouro (antigo tambor giratório acionado por pessoas andando em seu interior). Ou seja, 208 milhões de calcadouros com quase 1,7 bilhão de ‘operadores’ seriam necessários para acionar desde fornos siderúrgicos a escovas de dente elétricas, desde navios transatlânticos a geladeiras do mundo moderno. Na dimensão mundial, os atuais recursos energéticos equivalem a algo entre 60 e 70 bilhões de forças humana, de trabalho humano, na forma de água, raios solares, vento, ou matérias fósseis saindo de dentro da terra.

 

O que deve chamar nossa atenção é que apenas 43 % da matriz energética total (elétrica e fóssil) provém de fontes renováveis (hidráulicas, eólicas, solares, geotérmicas etc.); o resto são recursos energéticos de queima única de recursos naturais. Além de serem fontes energéticas poluentes em variados graus de severidade, trata-se de recursos limitados às reservas existentes em nosso planeta, portanto, esgotáveis.

 

Neste contexto, pouco ou nade se fala sobre a energia do solo na forma de nutrientes orgânicos renováveis, e anorgânicos não renováveis.  Em estado natural há uma constante renovação da flora garantida pelo ciclo de vida das plantas e o retorno de sua matéria para a terra. Quando, no entanto, houver um processo vegetativo acelerado ou intensivado como o encontramos na produção intensiva de produtos agrícolas (alimentares e energéticos), a fertilização e correção do solo torna-se indispensável. Especialmente no caso do Brasil com suas volumosas exportações de produtos agrícolas é preciso alertar que junto com os produtos exporta-se a fertilidade do nosso solo, mesmo levando em consideração que o país disponha de reservas de recursos naturais para fertilizantes químicos para os próximos cem anos.

 

O progresso da humanidade está diretamente ligado e dependente da disponibilidade energética. Que as futuras necessidades sejam cobertas por energias renováveis e limpas e os desperdícios disciplinados. Não há vida sem energia, e a médio e longo prazo nem com energia suja.     

 

       

 

 

 

 

 

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