A Lucidez Compromete - Ignorar ou Discernir?
(“Lucidity Obliges - Ignoring
or Discerning?” -- This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
‘Vivemos na era da informação,
desde a informação corriqueira à mais complexa, da mais clara à mais obtusa, da
mais inocente à mais interesseira, da mais consistente à mais enganosa, da mais
verdadeira à mais mentirosa. Antes restritas a publicações, mídia escrita,
falada ou televisiva, a informação pode hoje transitar através das mídias
sociais de cidadão a cidadão, não importa onde se encontra em nosso planeta. Enquanto
as bibliotecas se esvaziam, as fontes digitais de informações se multiplicam, e
os meios de comunicação interpessoal são inesgotáveis. Qualquer um, pessoa
física ou entidade, dispõe de maneiras digitais para propagar quaisquer
notícias ou informações em qualquer direção, para qualquer destinatário, seja
qual for a qualidade ou o caráter do material informativo –do luxo ao lixo.
.
Na
outra ponta, o ‘informado’, bem ou mal informado, aquele que se torna
consumidor de informação, eventualmente sendo consumidor e difusor ao mesmo tempo.
Nesse universo, a grande maioria
de informações é, de fato invasiva. São informações que, sem intenção de busca,
aparecem e adentram seu mundo – e provocam sua reação.
A
informação nos cerca hoje em dimensões qualitativas e quantitativas jamais
imaginadas, e há consumidor para todas elas. Interessantes, importantes,
consistentes e convincentes para uns, inócuas, insignificantes, triviais ou
fúteis para outros. Notícias e informações, verdadeiras ou não, agradando a
uns, e desagradando a outros, sempre encontram alguém que vê suas ideias ou
convicções confirmadas. Até informações técnicas e científicas podem ser
contrárias, conflitantes ou discutíveis, mormente quando se situam nas áreas
sociais, políticas, ideológicas ou religiosas. E não podemos negar nas mídias
sociais o caráter altamente invasivo do nosso espaço privativo.
Fazemos
automaticamente uma pré-seleção conforme o título da informação, a fonte e o
canal, canaliza a informação que agrada, que está em linha com conveniências e
convicções, credos e crendices para o imediatamente aceito, ou, caso contrário,
para a recusa.
É
notório que nem todo e qualquer informação merece confiança ou é insuspeita,
mas, muitas vezes, objetiva defender interesses de toda ordem, quando não
procura desinformar ou conspirar. Daí, é preciso saber discernir entre o que
merece crédito e o que deve ser visto com cautela. Isso não significa que o que
parece suspeito deve imediatamente descartado. É preciso lembrar que o verdadeiro
juízo só é possível ser feito conhecendo ambos os lados. O socialismo, por
exemplo, não se explica sem o conhecimento do capitalismo.
Dessa
maneira, fechar-se ao conhecimento do oposto, mesmo não sendo agrado, leva a um
unilateralismo que seguramente não conduz a uma avaliação justa e satisfatória
na busca da realidade e de uma resposta imparcial. Há quem, pelas mais diversas
razões, do simples descrédito na própria capacidade de discernimento ao medo do
enfrentamento de uma realidade detestada, simplesmente se exime, se subtrai da
confrontação com o adverso, com a informação não desejada, não alinhada com
certezas, e antagônica às convicções. É o encarceramento para a
unilateralidade, a intolerância e o encolhimento de horizontes, em cela com janela
gradeada.
Obviamente
não é o caso de informações clara e comprovadamente falsas, enganosas ou
mentirosas, mas, caso contrário talvez seja preciso uma certa dose de coragem
civil e de disposição de mudar ou reformular pensamentos, alas um processo que,
consciente ou inconscientemente acompanha toda nossa vida – é o “eu achava
que...”. Não existe erro, salvo aquele no qual insistimos – até ter ânimo ou
arrojo para corrigi-lo.
A conclusão,
portanto, cristaliza a constante e indispensável necessidade de uma busca de
informações pluralizadas em termos de linhas de pensamento ideológico,
religioso etc., enfim, de visões de mundo. A cômoda fixação no habitual,
eventualmente no convencional, cada vez mais entra em conflito com o dinamismo
do mundo moderno, seja nos aspectos técnicos, seja nos sociais ou políticos, mas
principalmente naqueles do conhecimento. Muda o mundo? É bom ficar de olho –
talvez seja preciso reformular conceitos.
Mas,
afinal, quem diz que estou certo hoje, ou estarei amanhã?
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