quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Economia Circular

 

Economia Circular

(“Circular Economy” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Um dos fenômenos que acompanha a evolução industrial desde seus momentos iniciais é a cultura do descarte. Sejam os subprodutos não imediatamente aproveitáveis, os materiais residuais, ou sejam os produtos industriais de baixa qualidade ou o próprio equipamento superado ou desgastado, especialmente não-metálicos, tudo acaba em algum depósito de lixo, aterro ilegal ou em fogo. Uma solução fácil e barata. De uma maneira geral, uma combinação entre matérias primas relativamente baratas e a inexistência de estruturas e tecnologias para a reutilização desses materiais beneficiam tal comportamento. Somente em momentos de crise ou carências observaram-se esforços para o reaproveitamento de materiais, como no caso das ‘mulheres de entulho’ na Alemanha pós-guerra, quando essas vasculharam os montes de destroços de edificações bombardeadas em busca de tijolos reutilizáveis.

 

É a típica economia linear. Nela, os produtos são elaborados a partir de matérias primas recursos em primeiro uso, chegam através do comercia ao usuário consumidor e, depois de sua vida útil, são descartados. Dessa maneira, uma grande parte das matérias-primas utilizadas é depositada em lixões, aterros ou é incinerada; apenas uma pequena proporção, especialmente quando envolve elevado valos, é reutilizada.             

 

Preocupações com os resultados econômicos e ecológicos, seja na extração e no uso de recursos naturais,  no uso de matérias primas, seja nos destinos final das mesmas contidas em produtos finais ao serem descartadas, ou então a própria limitação de sua existência em nosso planeta, deram origem à busca pela recuperação dessas substâncias, dando-lhes uma nova vida como matérias primas primárias ou secundárias – a chamada economia circular, também conhecida como ‘cradle to cradle’, C2C, (berço a berço). 

 

 Em princípio, a economia circular visa minimizar não só o uso de materiais durante a produção, mas também a utilização do meio ambiente como sumidouro de poluentes para resíduos e materiais de alguma maneira recicláveis da produção industrial. Portanto, o ciclo da natureza é tomado como modelo e tenta-se alcançar usos em cascata sem desperdício ou emissões nocivas. O objetivo da economia circular é alcançar a eco-eficácia, ou seja, produtos que podem ser devolvidos aos ciclos biológicos como nutrientes biológicos ou são mantidos continuamente em ciclos técnicos como "nutrientes técnicos".

 

Conscientes das possibilidades futuras, alguns sectores, como a indústria da construção civil, já deram os primeiros passos no sentido da produção circular. No entanto, a simples adaptação do modelo de negócio não resolve os muitos problemas, como a integração de medidas circulares na produção linear, que continuarão a existir e precisam ser abordados sistematicamente, por exemplo, estruturas metálicas parafusadas em vez de soldadas, o que facilita e barateia a desmontagem das peças.

     

Para transformar a economia linear num círculo fechado é preciso inserir um elo adicional no sistema: a reciclagem, decomposição, re-obtenção, recuperação, re-generação e re-disponibilização de materiais e substância. São processos que vão da separação e recuperação da areia contida em concreto de demolição à re-obtenção de nióbio, e outras substâncias nobres de baterias descartadas ou de metais preciosos de telefones celulares. Ou, então, impressoras 3-D podem ser ótimas recicladoras de materiais plásticos.

 

Numa outra dimensão da economia circular, produtos são desde seu projeto concebidos de maneira a facilitar e recuperação de componentes e materiais ao fim de sua vida útil, para reaproveitamento. A título de colaboração, o produto até pode ter informações uteis e de segurança para sua desmontagem ou desconstrução pelo reciclador, pois pode haver necessidade de sofisticados processos e tecnologias específicas, bem como de mão de obra especializada. 

 

Até 80% do impacto ambiental de um produto já é determinado na fase de planejamento. As novas abordagens na concepção de produtos são, por conseguinte, uma alavanca decisiva para tornar o ciclo de vida de um produto o mais eficiente possível em termos de recursos, de preservação de ambiente e rentável. Em uma economia circular, por exemplo, a reciclagem só importa quando todos os outros usos foram esgotados.

 

E existem muitas outras áreas e processos de reciclagem regenerativa de resíduos, por exemplo a reciclagem de metais, ou de óleos usados por meio de segundo refino e processos térmicos para a produção de combustíveis substitutos ou secundários com o aproveitamento de lodo de papel, borracha de pneus velhos e biomassa. Além do reganho material sem insumos de novas matérias primas, são processos como uma importante contribuição para a proteção do clima.       

 

Embora ainda soe a utopia, já existem empresas que fazem da economia circular uma virtude, falta uma mudança geral de mentalidade para que ela se transforme numa causa.

 

       

 

 

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