Economia Circular
(“Circular Economy” - This text is
written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Um dos fenômenos que
acompanha a evolução industrial desde seus momentos iniciais é a cultura do
descarte. Sejam os subprodutos não imediatamente aproveitáveis, os materiais
residuais, ou sejam os produtos industriais de baixa qualidade ou o próprio
equipamento superado ou desgastado, especialmente não-metálicos, tudo acaba em
algum depósito de lixo, aterro ilegal ou em fogo. Uma solução fácil e barata. De
uma maneira geral, uma combinação entre matérias primas relativamente baratas e
a inexistência de estruturas e tecnologias para a reutilização desses materiais
beneficiam tal comportamento. Somente em momentos de crise ou carências
observaram-se esforços para o reaproveitamento de materiais, como no caso das ‘mulheres
de entulho’ na Alemanha pós-guerra, quando essas vasculharam os montes de
destroços de edificações bombardeadas em busca de tijolos reutilizáveis.
É a
típica economia linear. Nela, os produtos são elaborados a partir de matérias
primas recursos em primeiro uso, chegam através do comercia ao usuário
consumidor e, depois de sua vida útil, são descartados. Dessa maneira, uma
grande parte das matérias-primas utilizadas é depositada em lixões, aterros ou é
incinerada; apenas uma pequena proporção, especialmente quando envolve elevado
valos, é reutilizada.
Preocupações
com os resultados econômicos e ecológicos, seja na extração e no uso de
recursos naturais, no uso de matérias
primas, seja nos destinos final das mesmas contidas em produtos finais ao serem
descartadas, ou então a própria limitação de sua existência em nosso planeta,
deram origem à busca pela recuperação dessas substâncias, dando-lhes uma nova
vida como matérias primas primárias ou secundárias – a chamada economia
circular, também conhecida como ‘cradle to cradle’, C2C, (berço a berço).
Conscientes das possibilidades futuras, alguns sectores, como a indústria da construção civil, já deram os primeiros passos no sentido da produção circular. No entanto, a simples adaptação do modelo de negócio não resolve os muitos problemas, como a integração de medidas circulares na produção linear, que continuarão a existir e precisam ser abordados sistematicamente, por exemplo, estruturas metálicas parafusadas em vez de soldadas, o que facilita e barateia a desmontagem das peças.
Para
transformar a economia linear num círculo fechado é preciso inserir um elo
adicional no sistema: a reciclagem, decomposição, re-obtenção, recuperação,
re-generação e re-disponibilização de materiais e substância. São processos que
vão da separação e recuperação da areia contida em concreto de demolição à
re-obtenção de nióbio, e outras substâncias nobres de baterias descartadas ou de
metais preciosos de telefones celulares. Ou, então, impressoras 3-D podem ser
ótimas recicladoras de materiais plásticos.
Numa outra
dimensão da economia circular, produtos são desde seu projeto concebidos de
maneira a facilitar e recuperação de componentes e materiais ao fim de sua vida
útil, para reaproveitamento. A título de colaboração, o produto até pode ter
informações uteis e de segurança para sua desmontagem ou desconstrução pelo reciclador, pois
pode haver necessidade de sofisticados processos e tecnologias específicas, bem
como de mão de obra especializada.
Até 80%
do impacto ambiental de um produto já é determinado na fase de planejamento. As
novas abordagens na concepção de produtos são, por conseguinte, uma alavanca
decisiva para tornar o ciclo de vida de um produto o mais eficiente possível em
termos de recursos, de preservação de ambiente e rentável. Em uma economia
circular, por exemplo, a reciclagem só importa quando todos os outros usos
foram esgotados.
E existem
muitas outras áreas e processos de reciclagem regenerativa de resíduos, por
exemplo a reciclagem de metais, ou de óleos usados por meio de segundo refino e
processos térmicos para a produção de combustíveis substitutos ou secundários com
o aproveitamento de lodo de papel, borracha de pneus velhos e biomassa. Além do
reganho material sem insumos de novas matérias primas, são processos como uma
importante contribuição para a proteção do clima.
Embora
ainda soe a utopia, já existem empresas que fazem da economia circular uma
virtude, falta uma mudança geral de mentalidade para que ela se transforme numa
causa.
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