sábado, 29 de julho de 2023

Economia para o Bem Comum

 

Economia para o Bem Comum

(“Economy for the Common Good” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Economia agrária de sustentação, mercantilismo, fisiocratas, economia nacionalista clássica, capitalismo, socialismo utópico, economia planificada, livre comércio, são algumas das visões, tendências e práticas econômicas vivenciadas pela humanidade nos últimos séculos. Mesmo, às vezes, contraditórias entre si, todas elas contribuíram de alguma maneira direta ou indireta para um contínuo desenvolvimento econômico e tecnológico ao redor do mundo. Isso permite concluir que a atual economia de consumo certamente é resultado do já havido e não será o último modelo econômico a vigorar.

 

De fato, paralelamente aos respectivos regimes econômicos, sempre surgiram visões e concepções no sentido de corrigir excessos e defeitos das teorias e práticas econômicas vigentes. Dessa maneira não é de se estranhar o recente aparecimento da assim chamada ‘Economia para o Bem Comum’. Ela estabelece um modelo econômico centrada no aspecto ético. O bem-estar das pessoas e do meio ambiente torna-se o principal objetivo da atividade econômica.

 

Trata-se de um modelo econômico inovador e sustentável que, como alternativa ao modelo econômico atual, foca e enfatiza valores como a dignidade humana, responsabilidade ecológica, solidariedade, justiça social, participação democrática e transparência.

 

Por trás da Economia para o Bem Comum está a convicção de que os desafios prementes do nosso tempo – da crise climática à escassez de recursos, da perda de biodiversidade à crescente desigualdade econômica e social – são consequências do capitalismo e só podem ser resolvidos de forma sistêmica e abrangente.           

 

A Economia para o Bem Comum é um modelo e, ao mesmo tempo, um movimento, que visa um afastamento da economia de consumo que conhecemos hoje e reformá-la de seu caráter capitalista orientado para o crescimento e o lucro, além de insustentável a longo prazo, para um modelo econômico em que o bem comum esteja em primeiro lugar.

 

Por trás desse modelo econômico está a convicção de que os desafios prementes do nosso tempo – da iminente escassez de recursos naturais à parcela de responsabilidade na crise climática, da crescente perda de biodiversidade à incapacidade de superação do abismo entre ricos e pobres – são consequências do capitalismo, e são problemas que não se resolverão com acertos e ajustes. Eles exigem mudanças do pensamento econômico desde sua raiz e de forma mais ampla possível.

 

A aposta do sistema engloba processos e sistemas circulatórios ao lado de produtos sustentáveis e duradouros, o trabalho significativo e de valorização da pessoa, e políticas ambientais e climáticas duradoras e consequentes.

 

Muito embora a ideia remonte à antiguidade, já tendo sido discutida por Platão e Aristóteles, e na filosofia estoica é definida como um bem para a humanidade, parece que apenas na atualidade ela encontra sua real razão de ser. Desde muito antes da cultura grega, a humanidade ocupa nosso planeta em dimensões crescentes, acabando por se tornar seu principal e dominante habitante, usufruário, e ao mesmo tempo predador da fauna e flora deste planeta.

 

Depois de décadas de taxas de aumento populacional decrescentes estamo-nos aproximando do momento de crescimento global zero, para então ingressar numa fase de inédito crescimento negativo, uma situação, aliás, que já se concretizou em várias regiões do globo. A prazo relativamente curto não poderemos mais contar com mercados em expansão pela simples falta de demandantes. A economia precisará de novos rumos, um novo norte por onde se orientar.

 

O pensamento econômico tem, historicamente, se adaptado às mudanças e novas realidades conjunturais. Mas dentro dessas dinâmicas permanecia uma constante: o ininterrupto aumento populacional, resultando em permanente aumento de demanda e servindo de razão principal para um natural crescimento econômico – obviamente um ambiente pouco favorável à germinação e concretização dos ingredientes da Economia para o Bem Comum. A atual realidade demográfica, no entanto, significa que toda a economia terá de reinventar-se, no mínimo adaptar-se, a um cenário absolutamente inédito com novo pano de fundo e novos enredos e atores no palco – e a peça podendo se chamar ‘Economia para o Bem Comum’.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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