Economia para o Bem
Comum
(“Economy for the Common Good” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Economia
agrária de sustentação, mercantilismo, fisiocratas, economia nacionalista
clássica, capitalismo, socialismo utópico, economia planificada, livre
comércio, são algumas das visões, tendências e práticas econômicas vivenciadas
pela humanidade nos últimos séculos. Mesmo, às vezes, contraditórias entre si, todas
elas contribuíram de alguma maneira direta ou indireta para um contínuo
desenvolvimento econômico e tecnológico ao redor do mundo. Isso permite
concluir que a atual economia de consumo certamente é resultado do já havido e não
será o último modelo econômico a vigorar.
De fato, paralelamente aos respectivos regimes econômicos, sempre surgiram
visões e concepções no sentido de corrigir excessos e defeitos das teorias e práticas
econômicas vigentes. Dessa maneira não é de se estranhar o recente aparecimento
da assim chamada ‘Economia para o Bem Comum’. Ela estabelece um modelo econômico
centrada no aspecto ético. O bem-estar das pessoas e do meio ambiente torna-se
o principal objetivo da atividade econômica.
Trata-se de um modelo econômico inovador e sustentável que, como
alternativa ao modelo econômico atual, foca e enfatiza valores como a dignidade
humana, responsabilidade ecológica, solidariedade, justiça social, participação
democrática e transparência.
Por trás da Economia para o Bem Comum está a convicção de que os desafios
prementes do nosso tempo – da crise climática à escassez de recursos, da perda
de biodiversidade à crescente desigualdade econômica e social – são
consequências do capitalismo e só podem ser resolvidos de forma sistêmica e
abrangente.
A Economia para o Bem Comum é um modelo e, ao mesmo tempo, um movimento,
que visa um afastamento da economia de consumo que conhecemos hoje e reformá-la
de seu caráter capitalista orientado para o crescimento e o lucro, além de
insustentável a longo prazo, para um modelo econômico em que o bem comum esteja
em primeiro lugar.
Por trás desse modelo econômico está a convicção de que os desafios
prementes do nosso tempo – da iminente escassez de recursos naturais à parcela
de responsabilidade na crise climática, da crescente perda de biodiversidade à
incapacidade de superação do abismo entre ricos e pobres – são consequências do
capitalismo, e são problemas que não se resolverão com acertos e ajustes. Eles
exigem mudanças do pensamento econômico desde sua raiz e de forma mais ampla
possível.
A aposta do sistema engloba processos e sistemas circulatórios ao lado
de produtos
sustentáveis e duradouros, o trabalho
significativo e de valorização da pessoa, e políticas ambientais e climáticas
duradoras e consequentes.
Muito embora a ideia remonte à antiguidade, já tendo sido discutida por Platão e Aristóteles, e na filosofia estoica é definida como um bem para a
humanidade, parece que apenas na atualidade ela encontra sua real razão de ser.
Desde muito antes da cultura grega, a humanidade ocupa nosso planeta em
dimensões crescentes, acabando por se tornar seu principal e dominante habitante,
usufruário, e ao mesmo tempo predador da fauna e flora deste planeta.
Depois de décadas de taxas de aumento populacional decrescentes
estamo-nos aproximando do momento de crescimento global zero, para então ingressar
numa fase de inédito crescimento negativo, uma situação, aliás, que já se
concretizou em várias regiões do globo. A prazo relativamente curto não
poderemos mais contar com mercados em expansão pela simples falta de
demandantes. A economia precisará de novos rumos, um novo norte por onde se
orientar.
O pensamento econômico tem, historicamente, se adaptado às mudanças e novas
realidades conjunturais. Mas dentro dessas dinâmicas permanecia uma constante:
o ininterrupto aumento populacional, resultando em permanente aumento de
demanda e servindo de razão principal para um natural crescimento econômico –
obviamente um ambiente pouco favorável à germinação e concretização dos
ingredientes da Economia para o Bem Comum. A atual realidade demográfica, no
entanto, significa que toda a economia terá de reinventar-se, no mínimo
adaptar-se, a um cenário absolutamente inédito com novo pano de fundo e novos
enredos e atores no palco – e a peça podendo se chamar ‘Economia para o Bem
Comum’.
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