Ódios Gratuitos
(“Senseless Hate” - This text is
written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Da mesma maneira como
não há escuridão sem haver luz, mesmo que seja apenas uma estrela no céu, não
há ódio sem haver amor, mesmo que seja apenas um sorriso afetivo. Se, por um
lado, nossa imperfeição impede o amor absoluto, por outro, também não permite um
ódio incondicional.
Nossos sentimentos são provocados e excitados a todo instante e, entre eles, o ódio, sendo expressão de intenso de antipatia e hostilidade. Não há ódio sem a pessoa ou
grupo de pessoas odiado, não importa que seja xenofobia, misoginia, homofobia,
intolerância ou ódio religioso, ou racismo, para citar algumas modalidades. Os
motivos para despertar o ódio são múltiplos e difíceis de determinar, deduzir e
explicar. Podem ser baseadas na rejeição de algo ou alguém adquirido por
ideologias ou convicções culturais ou sociais, ou em uma experiência concreta,
como uma violação concreta de valores e ideais, mas também com resultado de
preconceitos. O ódio pode surgir imediatamente, por exemplo, como resultado de
uma experiência negativa.
Obviamente,
o sentimento odioso pode variar em grau de severidade, especialmente quando se
trata de uma reação espontânea e episódica, eventualmente a expectativas ou frustrações,
e em ambientes distintos. Entretanto, uma reação odiosa como resposta a uma
informação decepcionante é diferente se desencadeada num momento tranquilo de
um entardecer, ou num ônibus lotado a caminho do trabalho. Trata-se de uma
manifestação natural, que nos invade por alguma razão, mas também naturalmente
controlável. Afinal, em tempos de comunicação global, nossos sentimentos podem
ser despertados e avivados em qualquer momento e qualquer lugar. Entre as respostas,
as raivosas, odiosas, bem como as solidárias e afetivas, são manifestações
normais e fazem parte do perfil humano.
Diferentemente,
o ódio insuflado ou induzido nos torna instrumento de ódios alheios. É o caso
do ódio religioso, por longo tempo praticado pelas próprias igrejas, do centenário
racismo, ou o ódio político como aberração do ideal democrático. São situações
em que o indivíduo, em princípio indiferente, benévola e tolerante a distinções
e convicções alheias, é influenciado ou se deixa conduzir para posturas de ira
ou aversão (mas felizmente também para o amor!), radicalizando-se, às vezes por
mera solidariedade, até em contrário à sua natureza. Sem dúvida, os modernos
meios de comunicação de massa contribuem para a formação descuidada e leviana de
posições e convicções sem embasamento, nem profundidade. E, que não haja dúvida,
quanto à existência de fontes que procuram incentivar ódios e medos que servem
a seus interesses.
Temos o
direito – e a felicidade – de sermos diferentes uns dos outros, diferentes na
percepção, na compreensão, na interpretação e na reação. E todos esses aspectos
formam, por fim, nossa individualidade e personalidade. No entanto, seja no
amor, seja no ódio, há uma imensa diferença entre um ato odioso, transitório
pela sua própria natureza, uma atitude odiosa, ou seja, uma postura de
tendência odiosa, ou um comportamento odioso, quando colocamos o ódio acima dos
sentimentos que compõe um conjunto de posições equilibradas – o horror da
personalidade odiosa. Aqui cabe lembrar que, além de corroer da personalidade, atos, atitudes e comportamentos
costumam reverter à origem com a mesma qualidade da sua intenção.
De fato,
somos a toda hora sacudidos repetidamente pela força elementar do mal, os
avanços aparentemente inexplicáveis da crueldade, da devassidão selvagem ou
friamente calculista, os assassinatos em massa e genocídios que enchem as
manchetes da mídia. Devemo-nos deixar contagiar? Aliás, lembrando que o ódio
jamais leva a resultados positivos, fica a pergunta: sanha ou serenidade?
Os
princípios de vida de nossa sociedade ocidental são estreitamente ligados à
ética cristã com sua essência centrada no amor ao próximo. Sem dúvida um
próximo com todos os defeitos inerentes ao ser humano, mas que podem e devem
ser moderados e contidos. O impulso da história da humanidade não são ódios ou repúdios, são mãos dadas.
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