Guerras sem Vencedores
– Apenas Perdedores
Wars without Winners –
Only Losers - This
text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Conflitos armados e
guerras são parte inerente da história da humanidade. Por absurdo que possa
parecer, as guerras constituem elemento da nossa cultura. Militares são parte
indispensável da sociedade. Guerras constituíram nações e destruíram nações.
Evoluíram as armas da beduína à arma nuclear, e evoluíram as estratégias do
combate corpo a corpo ao digital, mas a essência permanece na destruição do
opositor ou inimigo.
As causas
e origens das guerras são as meais diversas, indo de questões culturais e religiosas,
aspectos econômicos e políticos a meramente ideológicos ou militares. Muitas
vezes há a conjunção de várias causas. Em determinados momentos, simples
questões sucessórias em regimes imperiais resultaram em longos e sangrentos
conflitos bélicos. E relações políticas e econômicas mal resolvidas em âmbito
internacional conseguiam levar a situações esdrúxulas em que três primos, o
kaiser alemão, o tzar russo e o rei da Inglaterra se confrontaram numa das mais
sangrentas guerras na história da humanidade – a Primeira Guerra Mundial.
Essa, e a
Segunda Guerra Mundial foram provavelmente as guerras mais devastadoras do
passado. Mas guerras como a Guerra do Vietnã, as Guerras Napoleônicas (século XIX)
ou a Guerra dos Trinta Anos (século XVII) também deixaram milhões de mortes.
Para termos uma ideia das perdas humanas causadas por guerras basta somar as estimativas
– melhores e piores – somente das 10 maiores guerras, entre a expansão mongol
no século XIII e a Segunda Guerra Mundial, resultando num balanço entre 230 e
560 milhões de mortos.
O que,
todavia, surpreende é o fato de que o imenso Império Romano acabou encolhendo
para os territórios italianos de onde se originou, expansões mongóis se
esfacelaram em numerosas etnias e nações, o império napoleônico retornou às
dimensões da atual França, o território alemão até encolheu em relação ao que
era antes da Segunda Guerra Mundial. Na mesma linha, impérios coloniais
portugueses, espanhóis, britânicos, franceses, alemães e belgas, entre outros,
decorrentes de ocupações bélicas nas Américas, na África e Ásia não se
sustentaram ao longo dos séculos deram origem a novas nações ou à
reconstituição ou a reagrupamentos de sociedades de longos enraizamentos
étnicos e culturais e de antigas identidades.
Houve nas
últimas décadas conflitos de menores proporções e visibilidade no panorama
mundial, da Coreia e do Vietnam à Tchetchênia e o Sudão, algumas de cunho
ideológico, outras ‘terceirizadas’ no interesse e num jogo de forças das
principais potências econômicas – e militares. Foram conflitos sem efeitos políticos
econômicos significativos em dimensões globais. Ao mesmo tempo, uma Europa de três
gerações sem guerras foi um absoluto novum
– e razão suficiente para esperanças de uma sólida e permanente paz no
continente mais conflituoso da história humana, esperanças de “guerras nunca
mais”.
Por outro
lado e de uma maneira geral, os conflitos armados e as guerras mais recentes
não resultaram em ganhos territoriais ou a conquista permanente de recursos. Ultimamente,
a vitória de uma guerra consiste num acordo vantajoso – e a derrota, no
contrário. A tradicional figura de um tratado de paz, com condições definitivas
de coexistência pacífica, praticamente deixou de existir – até hoje não existe
um tratado dessa natureza em relação à Segunda Guerra Mundial.
São
acordos de cessação de atividades bélicas, negociados em base de interesses e
vantagens primordialmente – se não exclusivamente – econômicas. Eventuais
aspectos culturais, religiosos étnicos, como na Irlanda do Norte ou no Mundo
Árabe são de segunda ordem. Desde já, a evolução das guerras em curso a Ucrânia
e entre Palestina e Israel parecem não resultar em significativas mudanças territoriais,
mas em possivelmente demorados acordos.
De fato,
vários estudos revelam que o mundo nunca foi tão pacífico como hoje. Em
comparação com as experiências de violência de TODAS as gerações anteriores a
nós, a violência está clara e constantemente diminuindo. Não só a violência
organizada da guerra, mas também a violência cotidiana entre as pessoas. Todas
as maneiras pelas quais as pessoas prejudicam ou matam outras pessoas encontram-se
em declínio na grande maioria de todos os países e regiões.
Será que,
enfim, tornamo-nos mais civilizados ao buscar soluções pacíficas e consensos de
interesses de maior duração? Embora milhares de pessoas precisem morrer antes
de acordos serem atingidos! Na verdade, nada nos garante que jamais haverá paz
completa e eterna. Porém, parece que a paz pode torna-se um jogo de preferência
onde a guerra passa a ter cartas piores (as guerras nunca foram tão caras, e as
armas nucleares acabam por transformar a guerra em aniquilação total, sem
qualquer aspecto de triunfo). Talvez, de forma paradoxal, os atuais surtos de
violência possam estabilizar a paz que parece estar evoluindo lentamente, com eventuais
terríveis retrocessos, mas inexoravelmente fora da coalescência do mundo.
Guerras,
conflitos e violências nascem nas cabeças de pessoas, por isso, é ali que a paz
deve ser semeada.
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