domingo, 10 de dezembro de 2023

Demografia e Globalização (2)

 

Demografia e Globalização (2)

 

(“Demography and Globalization [2]” This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A virada demográfica é um fato real e inquestionável, causada pelo próprio ser humano a parir das condições civilizatórias e existenciais que ele mesmo criou. Isso, naturalmente, com efeitos sobre as estruturas sociais e econômicas – principalmente – que o homem desenvolveu ao longo de sua história. E o planeta torce para que continue assim.   

 

Com a globalização – mais vantajosa para uns do que para outros – seriamente comprometida, as economias dos diversos países tenderão a ganhar cada vez mais caráter e identidade nacional. A globalização nos mercados de consumo, salvo produtos de primeira necessidade indisponíveis no mercado interno, estará definitivamente destinada à sua extinção. Diferente é a situação de commodities, em geral desigualmente disponíveis ao redor do mundo. Surgem daí naturalmente dependências internacionais, às vezes mútuas. Esse mercado, portanto, continuará forte e firme. Para outros mercados, com o estabelecimento e fortalecimento dessas novas realidades econômicas, com o passar do tempo poderão começar a surgir novos acordos bi e multinacionais, obviamente com novos interesses, parâmetros e configurações.

 

De uma maneira geral, os mercados serão mercados extremamente estáticos. Já o transporte internacional, por exemplo, sofrerá importantes perdas no volume de bens de consumo final.

 

Na medida em que a população diminui, as estruturas políticas, econômicas e sociais tenderão a se ajustar e acomodar dentro de novos parâmetros condicionantes. Uma vez que se trata de mudanças lentas e graduais, as essências de vida deverão continuar largamente imutáveis, da mesma maneira como os valores culturais deverão ser pouco influenciados por meras mudanças numéricas de seus detentores. Em termos práticos, eis um exemplo: automóveis de tecnologia atual, ou futura, em estradas atuais, ou futuras, com densidade de tráfego dos anos de 1980. Caraterísticas fundamentais de cada sociedade – por exemplo, a mentalidade de um povo – poderão determinar diferentes maneiras de lidar com as mudanças, obviamente com resultados diferentes. Sociedades ricas possivelmente reagirão diferentemente das menos prósperas.                           

 

Tudo isso, no entanto, não mudará o curso demográfico acompanhado de adaptações e ajustes sociais, econômicos e culturais, mas também familiares. A tendência demográfica será o registro de taxas de fertilidade cada vez menores, ou seja, cada vez mais abaixo daquela de reposição populacional (2 filhos por mulher) e em cada vez mais países. Em outras palavras, teremos um contínuo e progressivo encolhimento de boa parte das populações nacionais, e o ingresso de sempre mais países nesse grupo.

 

Na permanência das atuais condições estruturais da família, tanto sociais quanto econômicas, não há mínimas chances de uma mudança geral na atual dinâmica demográfica. É importante notar que nesse cenário trata-se de um fenômeno que contraria as leis da natureza no que se refere à procriação natural e irrestrita. É um quadro que decorre de uma complexidade existencial cada vez maior e da busca de uma vida mais ‘confortável’, não sem uma boa dose de egoísmo. Portanto, não estamos lidando com um capricho da natureza, mas com comportamento humano, passado e atual.   

 

De absolutamente positivo resulta daí um vagaroso, mas progressivo aumento de espaço vital individual e público com todos os seus desdobramentos. Naturalmente com significativas consequências em todas as facetas econômicas, dos mercados de produção, distribuição e consumo de bens e serviços, de trabalho, de commodities e financeiros às próprias concepções micro e macroeconômicas. Tudo isso na concomitância de um contínuo avanço nos mais diversos campos tecnológicos, de recursos energéticas à computação quântica e inteligência artificial.

 

No entanto, é improvável que estejamos num caminho sem retorno, numa rota irreversível em direção à extinção da espécie humana. A pergunta é: quando e como teremos uma nova inversão demográfica com crescimento positivo? Em decorrência das mudanças mencionadas e seus prováveis efeitos, haverá lentas, inexoráveis e sensíveis mudanças no estilo de vida das pessoas e das coletividades. E possivelmente será esse novo estilo de vida e a experiência de superpopulação vivida por gerações no passado o berço de uma volta a estabilidade demográfica, ou um sadio crescimento populacional.

 

Se o mundo econômico voltará a buscar uma globalização nos moldes conhecidos ou em forma parecida está escrito nas estrelas, mas certamente aprendeu que alguma concepção dessa ordem requer um mundo em paz.

 

Conclusão: Este texto contém apenas projeções a partir de um processo demográfico já em curso. Haverá surpresas? Certamente que sim. O que, todavia, é importante que, especialmente nas sociedades já envolvidas nessa mudança demográfica, os poderes públicos, em todos os níveis, se inteirem desde já dessas realidades, seus efeitos e suas projeções, e as considerem em seus planos – negá-las seria desastroso. Ignorar as dinâmicas demográficas em curso, e por vir, poderá gerar problemas enormes e custos elevados irresponsáveis e perfeitamente evitáveis.

 

 

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