O Futuro Num Beco Sem Saída?
(“The Future at a Dead End?¨ - This
text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Futuro e esperança são inseparáveis, e
esperança por coisas melhores, ás vezes temperadas com temores. Incerteza e
medo também andam de mãos dadas. Nem sempre, porém, o futuro da humanidade mostrou
grande dinamismo. O futuro era uma simples repetição de ciclos de vida, essencialmente
o amanhã igual ao ontem e ao hoje, apenas com novos atores no prazo mais longo.
Durante centenas de milhares de anos o passado, o presente e o futuro se
limitava a procurar e consumir alimento e dormir. Então, a fixação na terra
inseriu novos aspectos no futuro das pessoas, como a observação das estações do
ano, ou o preparo de ferramentais para cultivar o solo. Finalmente, a revolução
energética de industrial também resultou numa revolução de futuros.
Inovações e descobertas
impulsionaram novas dimensões e perspectivas de futuro em espaços de tempo cada
vez menores, e de intensidade crescente. O futuro de ontem, não é mais o futuro
de hoje. Já com a revolução digital, o futuro passou da perspectiva para a
surpresa, para o inimaginável. E a inteligência artificial? Ainda haverá espaço
para pensar ou delinear um futuro?
Contar com o futuro? O que
era quase certo para um futuro de ontem, passou a ser apenas provável, e hoje
cada vez mais remotamente possível. O futuro ponderável e razoavelmente certo tem
prazos cada vez mais curtos, as projeções com certo grau de garantia exigem
revisões mais frequentes e os riscos de disposições erradas aumentam
perigosamente.
O futuro sempre foi, e
continua sendo, um enigma, menos para videntes e oráculos. Algo, porém, mudou. Todo
futuro tem um presente, e teve um passado. E sabidamente vivemos presentes cada
vez mais dinâmicos, mais agitados. Novas informações, nem sempre resultando em
sabedoria, novos ingredientes e condicionantes do cotidiano influem em nossas
perspectivas e projeções, em nossas apostas no futuro.
A dinâmica dos avanços
tecnológicos aumenta, sem dúvida, nossas imaginações e nossos sonhos, por outro
lado, estreita a janela das probabilidades de um futuro certo. E a tendência é
que probabilidades razoáveis cada vez mais se reduzam a possibilidades
duvidosas. A previsibilidade torna-se gradualmente mais limitada no tempo. Resultaram
daí diversos casos notórios, em que até grandes empresas perderam somas imensas
em decorrência de avaliações errôneas relativas a estratégias futuras.
Nosso amanhã dependerá
cada vez mais do nosso futuro tecnológico. A humanidade não mais consegue
sobreviver diretamente dos recursos que nosso plante nos oferece. Sem energia
extra-humana e infindáveis processos de extração, produção, transformação e logística,
envolvendo algum grau de tecnologia, a vida humana é hoje inimaginável – salvo
para alguns povos indígenas.
O avanço tecnológico é um
processo auto-impulsivo, aparentemente inexorável. Cada conhecimento adquirido
e transformado em tecnologia gera novos conhecimentos. Até quando? Ainda não
conseguimos imaginar a extensão dos efeitos, produtos e resultados a inteligência
artificial, ainda em trabalho de parto. Mas temos certeza que haverá um algo
depois. Amanhã? Ano que vem? A grande questão é: a expansão do conhecimento
nunca nos abandonou, mas, ela é ilimitada? Ela acabará no domínio da gravidade,
nas leis do cosmo? Quando a armadura de tecnologias sobre corpo humano cada vez
mais vulnerável se tornará insuportável ou insustentável?
Até aqui, nosso passado
tem nos assegurado uma visão e uma postura de absoluto otimismo no amanhã, no
entanto, o futuro tem suas próprias leis. Por enquanto, na Terra, quem sabe, no
futuro além desses limites. Um novo futuro, talvez diferente em si, nas
estrelas? Antes, porém, o homem terá de resolver seus problemas terrestres.
Por fim, o futuro
demográfico. E este prevê que até a metade do século, cerca de um terço de todos
países apresentará uma redução populacional de, pelo menos, 1%. É um futuro inédito
na história da humanidade com consequências altamente imprevisíveis, um futuro absolutamente
incerto em muitos aspectos. Tudo indica que diante dessa nova conjuntura
demográfica, o mundo não escapará da obrigação de redefinir suas condições de
vida neste nosso planeta, bem como suas visões para um novo futuro. Talvez será
uma marcha a ré para sair de um beco sem saída e encontrar um novo rumo para o amanhã,
talvez será um lance de sorte.
Muito interessante !
ResponderExcluirFaz a gente parar e pensar seriamente neste futuro tão incerto, confuso, misterioso, mas real
Parabéns