Nosso Planeta É Este Aqui.
(“Our Planet is This One, Here¨– This text has been written in such a way as to
facilitate translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
Quando, em 2016, publiquei o livro “2050 d.C. - Prosperidade
sem Crescimento, e sem Propriedade”, abordando uma futura estagnação e
posterior decréscimo da população humana global com início aproximado mencionada
data, organizações mundiais faziam tais projeções para o ano de 2100. Em 2020,
já as aproximaram para meados do século 2080. Tudo bem, seja em 2060 ou 2050,
esse fato ocorrerá – dez ou vinte anos antes ou depois, são insignificantes na
história da humanidade.
Numa outra análise, a taxa de
fertilidade global foi de 5,01 filhos por mulher, caiu para atuais 2,47 filhos
e em 2065 (ou, em pouco mais de uma geração) deverá chegar ao ponto de
estagnação do crescimento da população mundial com 2,1 filhos por mulher. Isso,
a nível mundial, muitos países já se encontram abaixo dessa marca, outros,
especialmente os africanos, ainda não.
Embora possa parecer, não se
trata de um fenômeno biológico da mulher dos séculos XX e XXI. A causa é
puramente civilizatória. É o preço da adoção (quase compulsória) do estilo de
vida moderno. Primeiro a carreira, o carro, a projeção social, entre outros,
depois o filho. E a inserção desse filho na vida moderna nunca foi tão caro
como atualmente. Portanto, na regência das atuais regras socioeconômicas, essa
tendência demográfica deverá continuar – até uma mudança global de mentalidade.
Dessa maneira, daqui a pouco,
começaremos a ser menos. Tudo indica que esse será nosso futuro demográfico a
médio, ou maior, prazo.
Diante disso, previsões antigas
de uma população global de 10, 12 ou mais bilhões de habitantes neste planeta
caem por terra. Entretanto, antigos sonhos, curiosidades e a aventura da
migração para outros planetas, em parte alimentados por tais conjecturas
demográficas, continuem de pé. O obstáculo principal sempre consistiu na
incerteza sobre a existência de água, oxigênio, nitrogênio e outras condições
indispensáveis para a vida humana. Nunca, porém, percebi preocupação com um
fator crucial. Lembram da primeira aventura do homem na lua e o Neil Amstrong
andando aos saltos sobre o solo lunar? Pois é, a gravidade: quanto menor a
massa, menor força gravitacional ela exerce. E vice verso! E no vice verso me
parece residir o problema.
Todas as formas de vida no nosso
planeta são diretamente condicionadas à força de gravidade específica à sua
massa. Do tamanho da asa da borboleta à robustez do galho da árvore.
Vamos supor que encontramos um
planeta com água, oxigênio, nitrogênio e tudo mais que a vida humana precisa –
mas duas vezes maior que a Terra e, consequentemente, com gravidade
proporcionalmente maior. O primeiro desafio seria conseguir frear a nave ou
cápsula espacial com suficiente força para que não se espatifasse contra o solo
devido à enorme atração. Mas, caso disponhamos dessa reserva de energia, salvo
no espaço interestrelar, não existe massa que não exerça sua força de
gravidade, e nós humanos fatalmente teríamos vida curta. Por que? Como a
gravidade não permite que o vento levante ondas imensas no mar, uma gravidade
excessiva não deixaria o sangue chegar ao nosso cérebro. Mas, se por ventura,
conseguíssemos resolver essa questão, toda a vida seria diferente, a começar
com a locomoção que devemos imaginar como sempre carregando um peso enorme nas
costas. Porém, quem sabe, encontremos uma fauna e flora com estruturas fibrosas
e musculares adequadamente reforçadas.
Todo o nosso conhecimento sobre
estática e dinâmica teria de ser reformulado. Como, por exemplo, numa
hipotética estrada na Lua um automóvel, como o conhecemos, seria projetado para
fora da primeira curva, nenhum avião, como o conhecemos, levantaria voo. Nem
pensar, pelo menos com o conhecimento que temos, em querer voltar para a Terra.
Então, salvo encontremos uma
segunda Terra igualzinha à nossa, fiquemos pelo menos por enquanto, nesta, onde
uma população cada vez menor nos permitirá um espaço vital cada vez maior, certamente
com mais qualidade de vida.
Vamos parar de sonhar, o nosso planeta pe este aqui.
Ou? Dédalo, há mais de dois mil anos, tentou voar, caiu e morreu. Hoje voamos.
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