segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Chove Chuva...

 

“Chove Chuva ...”

 

(“Rain Drops Are Falling on my Head...” - This text is written in a way to ease

prehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não haveria vida em nosso planeta sem a permanente circulação da água,

continuamente passando pelos ciclos de evaporação e precipitação. Entretanto, a

intensidade desses fenômenos naturais não é constante. Trata-se de fenômenos

naturais que, apesar de parecerem aleatórios, obedecem à rígidas lei físicas.

Em princípio, a evaporação se dá em decorrência do aquecimento da água de

rios, lagos e mares, quando átomos ou moléculas no estado líquido ganham energia

suficiente para passar ao estado gasoso, misturando-se à atmosfera. Paralelamente,

existe a evaporação parcial ou total da água consumida pela fauna e flora,

significativamente menor, mas ainda expressiva quando consideramos que uma

árvore adulta da floresta amazônica pode evaporar até 1.000 litros por dia (vide texto

“Os Rios Flutuantes” no mesmo blog).

 

O ciclo da água se completa com a precipitação da água evaporada e contida

na atmosfera em forma d chuva, granizo ou neve. Como sabemos não se trata de

um fenômeno contínuo, mas episódico, ou seja, em determinadas condições a

atmosfera descarrega a água em forma de vapor de água e condensada nas

nuvens.

 

Entretanto é preciso observar que os diversos tipos de nuvens causam

nenhuma, ou diferentes tipos de precipitação. Assim, nuvens altas entre 6.000 e

13.000 m de altura (nuvens cirrus) não provocam chuvas, apenas são sinais de

mudanças de tempo. Já as nuvens de média altura, isso é, 2.000 a 6.000 m

(altostratus e altocumulus), são nuvens que produzem chuvas de pouca intensidade,

mas prolongadas. Há ainda as nuvens de baixa altura, até 2.000 m (diversos tipos

de stratus), cujas precipitações podem variar entre garoa a chuva moderada a forte

e contínua, ou neve; associadas a sistemas frontais, isso é, e grande extensão. Por

fim, temos as nuvens chamadas de desenvolvimento vertical (cumulus e

cumulonimbus), que costumam causar chuvas intensas (trovoadas, granizo, e

chuvas torrenciais) e podem causar tempestades severas.

 

Aqui impõe-se a pergunta: quanta água está contida numa nuvem? Base para

essa resposta é saber a capacidade máxima de vapor d’água no ar com humidade

de saturação (100%). Essa capacidade varia de acordo com a temperatura do ar,

variando de 9,4 g/m 3 a 10º C para 30,4 g/m 3 a 30º C, e para 51,1 g/m 3 a 40º C, ou

seja, nessa faixa entre 10 o C e 40 o C, essa capacidade aumenta em espantosos

540%.

 

Ao focar o volume de água contida nos dois tipos de nuvem mais comum com

relação às precipitações, temos as nuvens stratocumulos (chuvas moderadas e

prolongadas) e cumulonimbus (chuva intensa, tempestade).

Uma nuvem stratocumulus retém dezenas a centenas de toneladas de água,

mas sua precipitação é mínima devido à distribuição de gotículas e à estabilidade

 

atmosférica típica dessas nuvens. Suas precipitações podem ocorrer em qualquer

época do ano. E a cada variação positiva de 5º C, a capacidade de retenção de

água aumenta de 40 a 50%, isso é, elas tendem a ser mais volumosas e

prolongadas no verão do que no inverno.

 

No caso das cumulonimbus, uma nuvem típico pode se estender um volume

de 1 a 10 quilômetros cúbicos (1 km³ = 1 bilhão de metros cúbicos). Nuvens

maiores, como as supercélulas, podem ultrapassar 15 km de altura e ter volumes

ainda maiores. Por outro lado, a capacidade de retenção de água varia de 1 a 3

gramas por metro cúbico (g/m³). Dessa maneira, uma nuvem média desse tipo

contém aproximadamente 500.000 a 1 milhão de toneladas de água. Essa variação

depende do tamanho da nuvem e da densidade de água em seu interior. Para

referência, 1 milhão de toneladas equivale a cerca de 1 bilhão de litros de água.

 

Semelhante ao caso das nuvens stratocumulus, para cada aumento de 1°C, a

capacidade de reter vapor de água de uma cumulonimbus cresce aproximadamente

6–7%. Isso significa que com uma variação de 5º C (nada incomum em tempos de

verão), de 675.000 a 1.350.000 toneladas de chuva a mais sobre os valores acima

podem contribuir para encharcar o solo ou elevar inundações já existentes. Ao lado

disso, movimentações atmosféricas com temperaturas mais elevadas concentram

mais energia, resultando em dinâmicas mais intensas na forma de ventos mais fortes

e mais velozes.

 

Até aqui, a teoria. A prática podemos observar nos noticiários ao redor do

globo. Não há como negar que ao longo dos últimos anos tivemos temperaturas

gradativamente mais brandas no inverno e sempre mais elevadas no verão.

Portanto, se essa tendência continuar, devemos contar com cada vez maior número,

e cada vez mais severas enchentes no futuro. Um agravante dessa realidade é que

um aumento médio de temperaturas causa picos positivos desproporcionalmente

maiores e, negativos, menores.

 

Resultado: se conhecemos as causas dessa elevação das temperaturas, urge

reagir, se não as conhecemos – é o excesso de CO2? o CO2 é apenas parte do

prolema? ... –, está na hora de procurar compreendê-las. O que não podemos é

ignorar ou negar a realidade em mutação.

Um comentário:

  1. Dois comentários. Primeiramente, a evapotranspiração, que é causada pela cobertura vegetal, é realmente inferior a evaporação causada pelo aquecimento, isto é, pela radiação solar. Quanto a razão do aumento das precipitações, cientistas atribuem ao efeito estufa o aquecimento da alta atmosfera pelo CO2 e outros. Mas os efeitos das chuvas no solo são amplificados pela impermeabilização e pelo desmatamento. O assunto é longo e complexo, então vou ficando por aqui.

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